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Exu abre oficialmente o Festival Latino-americano de Teatro

 

Eduarda Uzêda | Seg, 15/09/2014 às 13:07

Joá Souza | Divulgação   O espetáculo do Nata mostrou diversas concepções do orixá
Joá Souza | Divulgação
O espetáculo do Nata mostrou diversas concepções do orixá

No culto afro-brasileiro, Exu, orixá do movimento, é aquele que também abre os caminhos dos homens. Por esta razão e para homenagear o teatro negro, o espetáculo Exu – A Boca do Universo, abriu oficialmente, na última sexta-feira, 12, o Festival Latino-Americano de Teatro (Filte Bahia 2014), que recebeu um público representativo no Teatro Castro Alves.

A montagem, ritualísitca e celebratória, é uma produção do Núcleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas (Nata), com direção de Fernanda Júlia (Sirê Obá – A Festa do Rei; Ogum – Deus e Homem).

Unindo o teatro, a dança afro, o canto, a música entoada dos atabaques e a poesia, o espetáculo mostrou as diversas concepções do orixá Exu – com sua face humana e divina – para desmitificar preconceitos e associações erradas feitas ao orixá, o que contribui, entre outros fatores, para a intolerância religiosa.

Sim, porque o orixá muitas vezes é confundido com o Diabo, o demônio e congêneres. Então foi elogiável mostrar outro olhar sobre Exu, dissociado desta visão católica. Exu, como energia de renovação.

Potência

Também interessante foi trazer ao palco a potência de Exu, com alusão à sexualidade. No início do espetáculo, o público pôde desfrutar de um copinho de cachaça pagando apenas R$ 1, o que mostrou também a irreverência do orixá.

As canções de Jarbas Bittencourt já são garantia de qualidade, bem como o trabalho corporal de Zebrinha, mas nem tudo foi perfeito. Faltou à encenadora, uma pesquisadora da cultura afro na cena teatral, diminuir o excesso de cantos e rituais, pois na segunda parte o espetáculo se torna previsível e monótono.

Os atores que cantam e dançam têm bom trabalho corporal, mas alguns poderiam exercitar melhor a dicção.

Pesquisa

Apesar destas observações, o Filte começou bem, priorizando a cultura local, o teatro negro e a pesquisa em relação aos orixás no teatro, trabalho que merece aplausos para Fernanda Júlia, que combate estereótipos com estética cuidadosa.

Festival Latino- Americano de Teatro (Filte Bahia 2014) / Até o dia 21/ Teatro Vila Velha, Teatro Castro Alves, Espaço Cultural Barroquinha, Mosteiro de São Bento e nas cidades de Ilhéus, Itabuna e Buerarema / R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) / www.filte.com.br

 

Extraído do Portal de Notícias A Tarde

http://atarde.uol.com.br/cultura/teatro/noticias/exu-abre-oficialmente-o-festival-latino-americano-de-teatro-1622857