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Falece no Rio de Janeiro a Iyalorixá Giselle Cossard Omindarewá

OmindarewaeogumNoticiado através das redes sociais, o falecimento de Iyá Gisele Cossard Binon, de origem francesa, conhecida através de sua digina como Omindarewá, dirigia o egbé Ilé Asé Atará Magbá Iya, em Santa Cruz da Serra, na área metropolitana do Rio de Janeiro. Gisele Cossard nasceu em 1923 em Tanger, no Marrocos, onde seu pai atuava como militar. Sua família a criou na fé católica, sendo que eram de classe média alta, republicanos e cultos. Tendo sido enviado para aquela ponta extrema da África, que era na época um protetorado francês, durante a Primeira Guerra Mundial (1914- 1918), seu pai acabou fascinado pelo país e permaneceu por lá até 1925 - quando retornou à França com a mulher e a filha. Em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, seu pai foi preso e deportado para a Alemanha, quando Gisele e demais familiares tiveram de abandonar a casa para fugir do exército de Hitler. Gisele entrou para a resistência francesa, onde atuou como espiã: com sua bicicleta, atravessava as linhas do front ao sul de Paris e fornecia aos militares franceses informações sobre as posições alemãs. Ela se lembra de ter passado muita fome nesse período. No fim da guerra, em 1945, pesava apenas 42 quilos. Foi nesse ano que seu pai voltou da prisão, a família restabeleceu-se e ela casou-se com Jean Binon. Em 1956 retornaram à França onde, porém, permaneceram por pouco tempo, já que o marido foi nomeado para a Embaixada da França no Brasil, cuja capital ainda era o Rio de Janeiro. Gisele comemorou, pois sempre sentira uma atração muito forte pelo Brasil e pela cultura brasileira. Assim que chegou, aprendeu rapidamente o português e fez vários amigos. Começou a ler Jorge Amado e passou a compreender a permanência da África no Brasil, os vários vínculos que nos uniam àquele continente. Sentiu, com muita força, a presença dos orixás no Brasil. Como ela, seus filhos se adaptaram rapidamente ao Rio de Janeiro, fizeram muitos amigos e passaram até a jogar futebol na rua. Estranhamente, seu marido sentia uma aversão muito grande pelo Brasil, pelos brasileiros e pela cultura afro-brasileira; esta dicotomia não tardou em gerar problemas ao seu casamento. Fimages (1)oi em 5 de dezembro de 1959, na casa de Joãozinho da Gomeia, que Gisele "bolou no Santo", ou seja, recebeu pela primeira vez a orixá. Houve um período inicial de hesitação, logo superado porém e, após 21 dias de recolhimento Giselle Cossard Binon se tornou Omindarewá, que quer dizer "água límpida". Em 1963, já iniciada, separou-se do marido e partiu para a França para defender uma tese sobre candomblé na Sorbonne. Lá conheceu Pierre Verger, de quem se tornou amiga. Em 1972, não suportando a saudade de sua "pátria do coração", o lugar onde criou os filhos e onde se tornou Mãe de Santo, voltou ao Brasi e foi trabalhar como conselheira pedagógica no Serviço Cultural Francês. No dia de dezembro de 1973, Gisele sofreu um grave acidente de carro. Dada a gravidade de seu estado, acabou desenganada pelos médicos e sendo levada por Pierre Verger à casa de Balbino Daniel de Paula - Balbino de Xangô - Obaraim, iniciado no Opô Afonjá, terreiro de Joãozinho da Goméia - que se propôs então a ajudá-la. É ela mesma quem conta:"Onze dias depois do acidente, era o meu aniversário de iniciação e ele fez questão de preparar as oferendas para Iemanjá. Mesmo estando eu gravemente acidentada, sem poder me mexer, sem poder andar, meu orixá veio, dançou em meu corpo e Balbino encantou-se com ele. Nossa ligação se estreitou e ele acabou sendo meu segundo babalorixá". Sua casa Ile Axé Atara Magba está localizada em Santa Cruz da Serra, na cidade do Duque de Caxias e mãe Gisele conta com mais de 400 filhos de Santo. images Livros de sua autoria: Contribution à l’Étude des Candomblés du Brésil. Le Rite Angola. (3eme cycle), 1970 A Filha de Santo, In: Carlos Eugênio Marcondes de Moura (org.). Olóòrisà: Escritos sobre a Religião dos Orixás. São Paulo, Ágora, 1981. A Antropóloga Diz, In: Hubert Fichte. Etnopoesia: Antropologia Poética das Religiões Afro-Brasileiras: 39-91. São Paulo, Brasiliense, 1987. AWÔ, O Mistério dos Orixás. Ed. Pallas, 2007.[1] Fonte: Wikipedia O Jornal Awùre se solidariza com todos os adeptos e seguidores do Candomblé, pois é uma perda irreparável para a nossa religião. Que Olorun nos conforte e receba sua filha em seu reino.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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