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Famosos falam de intolerância religiosa após morte de médium no Rio

Nelson Xavier, Henri Castelli, Valesca Popozuda e outros artistas ligados ao espiritismo repudiam os recentes episódios de violência.

Juliana Maselli, Luciana Tecídio e Tatiana Regadasdo EGO, no Rio
publicada há 2 diasatualizada há 2 dias

 

Nelson Xavier como Chico Xavier no cinema (Foto: Reprodução)
Nelson Xavier como Chico Xavier no cinema
(Foto: Reprodução)

Nesta sexta-feira, 19, o médium Gilberto Arruda, do Centro Espírita Lar de Frei Luiz, um dos maiores e mais importantes do Rio de Janeiro – que tem muitos famosos entre seus frequentadores -, foi encontrado morto, amarrado e amordaçado em seu quarto. Ocrime esquentou ainda mais as discussões sobre episódios de intolerância religiosa, que vêm acontecendo com maior frequência recentemente – há cinco dias,uma menina de 11 anos levou uma pedrada ao sair com sua roupa de candomblé do centro, também no Rio.

Em meio a este debate, o EGO conversou com famosos ligados não só ao Frei Luiz, mas também ao espiritismo em geral. Todos se mostraram chocados com os casos de violência e criticaram a falta de tolerância religiosa. Nelson Xavier, que interpretou o famoso médium Chico Xavier no cinema, é kardecista e já esteve no centro espírita onde ocorreu o assassinato. Alcione conhecia pessoalmente Gilberto e já havia se consultado com ele. Veja o depoimento dele e de outros artistas:

Nelson Xavier
“Cheguei a frequentar o Frei Luiz. Estive lá umas cinco ou seis vezes e até fiz um tratamento holístico, mas não conheci o Gilberto. Lamento muito o que aconteceu com ele. A gente está vivendo um momento muito difícil no Brasil. As pessoas não tem dinheiro para viver e acho que toda energia baixa parece se expandir. Esses assaltos com facas são uma coisa bem visceral… Está muito difícil mesmo. A gente precisa se concentrar em pensamentos positivos e energias brancas”.

Alcione
“Ele foi um grande médium e só fazia o bem. Eu mesma já tinha sido atendida por ele. Precisamos saber, com urgência, quem está fazendo essas coisas. Precisamos saber que energia estranha é essa que anda espalhando tanto mal em agressões a tantas pessoas que só fazem o bem. Estamos todos muito tristes, desesperados com esta notícia. É mais uma vítima da intolerância absurda que tem proliferado neste país, que sempre foi conhecido pela cordialidade e boa convivência entre povos e credos”.

Valesca Popozuda é umbandista (Foto: Marcos Serra Lima/EGO)
Valesca Popozuda é umbandista
(Foto: Marcos Serra Lima/EGO)

Valesca Popozuda
“Ao mesmo tempo em que confiamos de olhos fechados e coração aberto no poder supremo de Deus, algumas vezes me pergunto o motivo de tanta intolerância. Algumas pessoas têm perdido os laços de amor com as outras. O respeito não existe mais. Na minha época de menina, minha mãe, que sempre foi uma guerreira – em todos os aspectos – não me permitia discriminar ninguém, talvez por isso eu tenha crescido com esse sentimento de igualdade tão forte dentro de mim. É muito triste ver como a intolerância, neste caso, religiosa, pode fazer tamanha maldade com um ser humano tão frágil, indefeso. As vezes penso: Será que não estamos caminhando pra trás ao invés de evoluir rumo a direitos igualitários? Não me conformo em pensar que somente por acreditar em um caminho religioso diferente de algumas pessoas, alguém possa tomar pedradas na rua. Agressão não, não posso admitir. Temos que acreditar que Deus é um só, e que o que nos move são as nossas crenças, nossa fé. Peço ao nosso pai maior que nos dê serenidade para enfrentar o que não podemos mudar, mas também, nos dê muita força para lutar por um mundo melhor”.

Amanda Djehdian (BBB 15)
“Eu fico horrorizada ao ver notícias como essa! As pessoas têm que entender que uma oração de um católico, de um evangélico, de um espírita, de um umbandista ou da religião que for é para o mesmo Deus, o mesmo que ensina a amar e respeitar o próximo! O Brasil viu o quanto preconceito sofri enquanto estava dentro da casa… Quando saí, achei um absurdo julgarem alguém pela sua religião, mas respeito todas as opiniões. Pois o que me é ensinado na minha religião é respeitar todas as outras e todas as pessoas.  Sempre estender a mão a quem precisar e principalmente saber que as pessoas têm limitações, então relevo as agressões verbais e desejo muita paz para pessoas que ao invés de doarem amor ao próximo, agridem”.

Jessika Alves (Foto: Isac Luz / EGO)
Jessika Alves (Foto: Isac Luz / EGO)

Jessika Alves
“A intolerância é geral, né? As pessoas não entendem que cada um é livre para fazer o que quer. Nada justifica discriminar alguém, muito menos partir para a violência. Estamos precisando de amor e Deus. Porque está tudo muito louco! Estamos vivendo uma guerra civil aqui no Rio, com medo não só de bandidos, mas agora também de pessoas comuns de mente fechada. Eu fui criada em uma família evangélica e sou cristã, apesar de hoje não frequentar mais a igreja e não ter uma religião definida. Mas tenho amigos do Frei Luiz e já fui lá com eles. Também é importante não generalizar! Porque falam muito dos evangélicos e realmente é uma doutrina muito rigorosa, mas ninguém da minha família pensa assim e teria comportamentos como esse, por exemplo”.

Angélica Ramos (BBB 15)
“Está cada dia mais complicado. A intolerância é religiosa, sexual, racial… E parece que esse ano a coisa tá pior. O preconceito e a violência estão gratuitos. Te afrontam e te ameaçam diretamente e, quando você levanta qualquer bandeira, é apedrejado. Não pode nem ter direito à sua opinião. Eu sofri muito com isso quando sai da casa porque minha mãe é do candomblé e por causa da minha amizade com a Amanda. É uma ignorância impressionante! Bem difícil conviver com isso… As pessoas têm que aprender a respeitar as opções de cada um. Tudo gera tumulto e crítica. O jeito é ser feliz da forma que você escolheu e não tentar se moldar à sociedade. Se não você não vive”.

Mãe Neide Oyá D´Oxum e Henri Castelli (Foto: Reprodução/Facebook)
Mãe Neide Oyá D´Oxum e Henri Castelli
(Foto: Reprodução/Facebook)

Henri Castelli
“Eu me pergunto: Para que isso? Que Deus é esse que está dentro das pessoas que praticam intolerância e preconceito. Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou a ter amor ao próximo, amar nosso semelhante, praticar a verdadeira caridade, ajudar uns aos outros. Por que tanta agressividade? Vamos nos respeitar e nos amar independente de raça, classe social, religião ou opinião política. Vamos colocar de verdade a mão na consciência e colocar Deus no coração. Ninguém é melhor que ninguém, somos todos irmãos, iguais perante a Deus . Espero do fundo do coração que um dia isso acabe e que tenhamos mais amor e paz no coração. Amo todos vocês. E Deus também. O racismo e o preconceito são a prova do quanto ainda somos primitivos”.

 

 

Extraído do site EGO / Globo.com
http://ego.globo.com/famosos/noticia/2015/06/famosos-falam-de-intolerancia-religiosa-apos-morte-de-medium-no-rio.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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