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Fé mantém vivas lavagem do Bonfim e festa de Iemanjá

Luana Almeida | Dom , 08/01/2017 às 10:18 | Atualizado em: 08/01/2017 às 10:20    
Cortejo do Bonfim acontece nesta quinta-feira, 12Joá Souza | Ag. A TARDE
Cortejo do Bonfim acontece nesta quinta-feira, 12Joá Souza | Ag. A TARDE
Daqui a quatro dias, um “tapete” de cor branca se estenderá nos oito quilômetros que separam a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia (Comércio) até o Santuário Senhor do Bonfim (Cidade Baixa). Lado a lado, católicos e candomblecistas irão às ruas para homenagear o Senhor do Bonfim e Oxalá na tradicional lavagem. O evento religioso é o ápice da temporada das festas populares da capital baiana que precedem o Carnaval. A lavagem do Bonfim e a festa de Iemanjá estão ente as que ainda resistem ao esvaziamento recorrente em festas como Segunda-Feira Gorda da Ribeira, Conceição da Praia e Festa da Boa Viagem (Bom Jesus dos Navegantes). Para que tais festejos voltem a ser frequentados e reconhecidos por baianos e turistas, a prefeitura está reforçando investimentos na área de infraestrutura de serviços públicos nos locais onde as festas são realizadas, como Ribeira, Boa Viagem, Rio Vermelho, Barra, dentre outros bairros. A intenção, de acordo com o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, é valorizar a estrutura dos eventos como forma de preservar a tradição e de atrair ainda mais turistas para a capital. O presidente da Saltur não sabe estimar o valor dos recursos, já que envolvem áreas distintas da gestão municipal, no entanto, garante que a oferta de serviços tem sido ampliada de forma significativa. “Muita gente deixou de comparecer às festas porque não encontrava segurança e estrutura adequada. Ampliamos a oferta de banheiros químicos, de pessoas trabalhando na coleta de lixo e serviços das mais diversas ordens e já temos observado que as festas estão mais frequentadas”, afirmou. A expectativa de Edington é que, no verão dos próximos anos, o apelo popular nas festas populares que antecedem o Carnaval cresça ainda mais. “No ano passado, quando apresentamos o verão de Salvador em São Paulo, levamos, além do Carnaval, todas as nossas festas populares. Então, estamos bem otimistas para este verão e os próximos”, afirmou. Além das tradicionais festas populares, Edington resalta a importância da criação de outros eventos de rua para incrementar o calendário de eventos do verão soteropolitano. O mais recente deles foi o “Brasil Guitarras”, realizado na noite de ontem, no Farol da Barra. “Este ano, como o Carnaval só acontece no final de fevereiro, achamos importante agregar ao calendário outros eventos, como forma de ocupar os espaços públicos e oferecer lazer gratuito e de qualidade”, disse. Valorização De acordo com o antropólogo e pesquisador Ordep Serra, a manutenção destas tradições é resultado da fé e da participação popular do soteropolitano, que ainda preserva ritos inerentes a sua identidade cultural. Segundo ele, com as transformações da sociedade, as festas populares passaram por um processo de descaracterização causado, sobretudo, pela dinâmica política e mercadológica. “As festas populares foram tomadas das mãos do povo. Muitas servem de palanque para políticos testarem sua popularidade ou para beneficiar o empresariado”, criticou. Para Serra, o que ainda mantém a história das festas populares viva é a “energia” do baiano: “Seja pela fé ou pelo profano, o baiano ainda respeita essas tradições como parte importante da história cultural do estado, como patrimônio imaterial”. LAVAGEM DO BONFIM A tradicional lavagem das escadarias da Basílica do Bonfim é considerada a segunda maior manifestação popular da Bahia, perdendo apenas para o Carnaval. A festa é marcada por um cortejo, que sai pela manhã da Basílica da Conceição da Praia (Comércio) e segue até o Bonfim FESTA DA RIBEIRA Conhecido como Segunda-Feira Gorda da Ribeira, o evento, com o passar dos anos, perdeu a popularidade, mas ainda resiste com barracas de bebidas e comidas e shows de samba FESTA DE SÃO LÁZARO Na manifestação, de origem católica, é realizada uma missa, tríduo e procissão pelas ruas do bairro em louvor ao santo. É forte a participação do candomblé, que homenageia Omolu, com lavagem da escadaria da igreja de São Lázaro e banho de pipoca. FESTA DE IEMANJÁ A festa é marcada por homenagens à Rainha do Mar. Desde a madrugada do dia 2, candomblecistas depositam oferendas e pedidos nos balaios, que são levados em um cortejo de embarcações para alto-mar LAVAGEM DE ITAPUÃ A lavagem é realizada por baianas que levam potes de cerâmica com flores e água de cheiro para lavar a escadaria da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã. A tarde é a vez dos blocos de chão fazerem a festa FUZUÊ/ FURDUNÇO A festa de pré-carnaval acontece no Circuito Orlando Tapajós (Barra) no fim de semana antes da folia momesca. No sábado, ocorre o Fuzuê, com apresentações de bandas de sopro. Domingo é a vez do Furdunço, com microtrios. CARNAVAL A festa, que atrai cerca de um milhão de turistas anualmente, é uma mais das mais aguardadas por baianos e turistas. Este ano, o Carnaval terá como tema “Cidade da Música”. A festa se espalha pelos circuitos localizados na Barra, Ondina, Centro Histórico e cerca de dez outros bairros     Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1829278-fe-mantem-vivas-lavagem-do-bonfim-e-festa-de-iemanja

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Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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