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Festa à Santa Bárbara reúne multidão na BA: ‘Estarei aqui enquanto viver’

Sob sol forte, devotos vão às ruas e contam histórias de fé e agradecimento.
Iansã para o Candomblé, santa é padroeira de bombeiros e mercados.

Ruan MeloDo G1 BA | 04/12/2014 13h55 – Atualizado em 04/12/2014 14h32

 

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Fiéis lotam Pelourinho em festa à Santa Bárbara (Foto: Max Haack/Ag. Haack)

 

Foi com muita oração e música que centenas de devotos se reuniram para comemorar o dia de Santa Bárbara, madrinha do Corpo de Bombeiros e padroeira dos mercados, em celebração no Largo do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador, nesta quinta-feira (4). As homenagens começaram às 6h, com uma alvorada de fogos de artifício, e contaram com a presença de uma multidão de fiéis, de todas as idades. Confira AQUI toda a programação do dia e AQUI a galeria de imagens da festa.

Iansã para os adeptos do Candomblé, Santa Bárbara inspira a devoção de alguns fiéis antes mesmo do nascimento. “Meu pai sempre foi devoto, pedia proteção para Santa Bárbara e eu acabei nascendo bem no dia dela. Hoje estou aqui comemorando 53 anos de idade e a homenageando. Enquanto viver, estarei aqui para agradecer a ela por tudo”, disse o devoto Balbino Oliveira, que assim como centenas de outros, enfrentou o sol forte de Salvador para participar das homenagens no Pelourinho.

 

Integrantes da igreja católica saem pelas ruas do Pelourinho (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Integrantes da igreja católica saem pelas ruas do
Pelourinho (Foto: Max Haack/Ag. Haack)

 

“Na minha casa tudo começou com meu pai. No dia do nascimento da minha irmã, ele acendeu uma vela para Santa Bárbara pedindo proteção. Minha irmã nasceu bem, ele colocou o nome dela de Bárbara e a partir daí, passei a ser devota também”, recorda a aposentada Celeste Rocha, de 63 anos.

 

Emocionada, Celeste conta que, mesmo doente, faz questão de participar todos os anos dos festejos em homenagem à santa. “Estou doente do coração e estou aqui. Nunca trabalhei no dia de Santa Bárbara. Meus patrões sempre souberam que esse dia é dela. Em minha casa eu arrumo tudo, coloco flores. Santa Bárbara me concede tudo que peço”, comemora.

 

Após a alvorada, os fiéis participaram de uma missa campal presidida pelo pároco da Catedral Basílica e capelão da Igreja do Rosário dos Pretos, padre Lázaro Muniz. “O devoto de Santa Bárbara vai além do dia 4 de dezembro. Vivemos em um mundo onde as pessoas não são capazes de entender a opção de cada um. Que cada um seja respeitado pela ideia que defende. Precisamos preservar a nossa fé”, disse o padre durante a celebração.

 

Festa à Santa Bárbara, em Salvador (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Festa à Santa Bárbara, em Salvador (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Casal Josenilson e Silvana Santos com a filha Maria Débara e Kaike Santos com a mãe Ana Paula Santos (Foto: Arte/G1)
Casal Josenilson e Silvana Santos com a filha
Maria Débara e Kaike Santos com a mãe Ana Paula
Santos (Foto: Arte/G1)

 

Fé maior que o tempo
Aos três meses de idade, a pequena Maria Débora também vestiu vermelho para homenagear Santa Bárbara. Ela foi acompanhada dos pais, Josenilson e Silvana Santos. “Nós somos devotos de Iansã e é tradição para a gente homenagear ela. Viemos pedir saúde, paz e segurança para nossa família”, disse Josenilson.

 

Quem também fez questão de participar foi Kaique Santos, de dois anos e cinco meses. Pelo menos isso é o que garante a mãe dele, a cozinheira Ana Paula Santos. “É a terceira vez que ele vem comigo. Na primeira, ele ainda estava na minha barriga. Pra mim, Santa Bárbara é tudo. Abaixo de Deus só ela. Eu tenho quatro filhos e tudo que peço ela me concede”, garante Ana Paula.

 

Nida Santos participou de toda procissão aos 80 anos (Foto: Ruan Melo/G1)
Nida Santos participou de toda procissão aos 80
anos (Foto: Ruan Melo/G1)

Outros que mostraram disposição e acompanharam toda a missa campal em pé foram os irmãos Aécio e Raimundo Passos, de 74 e 67 anos. “Minha obrigação é acender vela para ela todas as quartas-feiras. Mas eu só peço a ela alguma coisa se não puder realizar de jeito nenhum por mim mesmo. Só peço em última ocasião porque sei que assim o pedido tem mais força”, acredita.

Após a missa, os devotos seguiram em procissão no Centro Histórico pelas ruas Gregório de Matos, João de Deus, Terreiro de Jesus e Ladeira da Praça. O trajeto foi até a corporação do Corpo de Bombeiros, localizado na Barroquinha, onde uma homenagem à santa foi realizada.

 

Mesmo com a perna machucada, Nilzete Pereira acompanha procissão (Foto: Ruan Melo/G1)
Mesmo com a perna machucada, Nilzete Pereira
acompanha procissão (Foto: Ruan Melo/G1)

Ecoando cânticos católicos e do candomblé, os fiéis percorerram todo o trajeto debaixo de muito calor com muita alegria. Alguns, mesmos com a perna machucada, cumpriram todo o percurso.

“Se Deus quiser ela vai me curar”, disse a devota Uilzete Pereira durante a caminhada. “Em minha casa Santa Bárbara é rainha. Faço questão de seguir a procissão, fico até o final”, completou a posentada Nida Santos, de 80 anos.

Cortejo saiu pelas ruas do Pelourinho (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Cortejo saiu pelas ruas do Pelourinho (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Festa à Santa Bárbara, em Salvador (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Festa à Santa Bárbara, em Salvador (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Santa Bárbara é padroeira do Corpo de Bombeiros (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Santa Bárbara é padroeira do Corpo de Bombeiros (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Festa à Santa Bárbara, em Salvador, reúne baianas (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Festa à Santa Bárbara, em Salvador, reúne baianas (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Em oração, devota agradece a Santa Bárbara na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Foto: Max Haack/Ag. Haack)
Em oração, devota agradece a Santa Bárbara na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Foto: Max Haack/Ag. Haack)

 

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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