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Festa de Iemanjá é reconhecida como patrimônio cultural

Para os umbandistas, o reconhecimento é uma vitória da resistência e da luta contra o racismo e a intolerância religiosa

   

FORTALEZA 14 DE AGOSTO 2017. FESTA DE IEMANJA NO ATERRO DA PRAIA DE IRACEMA
– CIDADE – 30CI1150 – KID JUNIOR

01:00 · 30.09.2017

Em um momento histórico para a tradição religiosa do Ceará, a Festa de Iemanjá é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Fortaleza. Na reunião extraordinária do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico-Cultural desta sexta (29), no Centro Cultural Belchior, o reconhecimento do ritual tradicional da Umbanda foi aprovado por unanimidade na votação que contou com a presença de personagens fortes da religião no cenário de Fortaleza, dando voz ao clamor por respeito e tolerância.

A Festa de Iemanjá, conhecida na cultura africana como a Grande Mãe de todos os orixás e Senhora das Águas, acontece há mais de cinquenta anos em Fortaleza, originada por Mãe Júlia na Praia do Futuro. Hoje, as festividades lotam as Praias do Futuro e de Iracema com devotos, observadores e curiosos desde então. Ressaltando a importância do ritual e da própria Umbanda para a construção da sociedade cearense, o antropólogo responsável pela pesquisa, Jean dos Anjos, fala que o reconhecimento da maior festa pública de Umbanda da capital é fruto do “protagonismo do povo de santo, principalmente das mulheres; as mulheres de axé”. “Essa oficialização significa entregar ao povo de terreiro o que já é deles, como registrar um filho que estava sem registro”, refletiu o coordenador da pesquisa.

A votação foi precedida pela apresentação dos resultados e conclusões da pesquisa que durou seis meses. A gerente da Célula de Gestão em Patrimônio Imaterial da Coordenação do Patrimônio Histórico e Cultural, Graça Martins, conta que a Festa de Iemanjá sempre foi um movimento que sofreu perseguições, e que esse marco da inclusão da festa no livro das celebrações é uma resposta à intolerância religiosa que tem sido expoente na realização da festa.

A festa, que acontece no mês de agosto, terá uma série de Recomendações de Salvaguarda que incluem fomento dos órgãos públicos para dar suporte à realização da celebração, disponibilização de estrutura para os devotos e elaboração e execução de um plano de segurança que possibilite a realização da festa sem obstáculos.

Hoje, apenas as festas que acontecem na Praia do Futuro e na Praia de Iracema têm subsídio estrutural do governo. O secretário da Cultura de Fortaleza, Evaldo Lima, declara que o reconhecimento da festa significa, antes de tudo, respeito pela diversidade religiosa, cultural e étnica: “Esse processo significa o respeito à memória, à pluralidade. Ele é uma mensagem de paz e de valorização da identidade cultural afro-brasileira”.

A aprovação do pedido, realizado em 2011 pela União Espírita Cearense de Umbanda (Uecum), e em 2015 pelo Instituto de Difusão da Cultura Afro-Brasileira (Indica), foi cantada e comemorada com música e dança pela comunidade umbandista presente na reunião.

Juliana Holanda, técnica das Secretarias de Cultura no setor de Patrimônio e de Candomblé, reconhece a relevância da conquista para as religiões de matriz africana, além da importância tão ressaltada das mulheres não só para a religião, mas para a construção da sociedade cearense e brasileira.

Pesquisa

O Diário do Nordeste possibilitou a pesquisa para reconhecimento da Festa de Iemanjá através de fotos e arquivos que documentaram a celebração desde seu surgimento. A equipe teve acesso ao acervo do jornal trazendo fotos da década de 1980, evidenciando a relevância histórica da festa para a cidade de Fortaleza.

 

Extraído do site do Jornal Diário do Nordeste / Fortaleza – CE
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/festa-de-iemanja-e-reconhecida-como-patrimonio-cultural-1.1828586

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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