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Festa de Iyemanjá vive polêmica nos bastidores

Meire Oliveira | Ter, 02/02/2016 às 00:31

 

Iracema Chequer | Ag. A TARDE Afastada do ritual principal, Ialorixá manterá tradição e entregará oferenda
Iracema Chequer | Ag. A TARDE
Afastada do ritual principal, Iyalorixá manterá tradição e entregará oferenda

 

Hoje é dia de celebração no Rio Vermelho, onde acontece a Festa de Iyemanjá, uma das mais tradicionais e populares do verão da capital e  que reúne milhares de pessoas na orla do bairro. Uma mudança, porém, após 24 anos,  é motivo de polêmica nos bastidores da festa.

O motivo é o afastamento da iyalorixá Aíce Santos, 80 anos,  do comando do ritual em homenagem à divindade, promovido pela Colônia de Pesca Z-1.

Na segunda-feira, 1º, na véspera da festa, o presidente da Z-1, Marcos Santos Souza, conhecido como Branco, ratificou a informação: “Quem vai fazer é outra mãe de santo”. Questionado sobre o motivo da mudança, ele foi taxativo: “É a minha preferência e quem decide tudo que acontece aqui sou eu”.

Segundo a líder espiritual do terreiro Odé Mirim, no Engenho Velho da Federação, o aviso foi dado há 15 dias. “Ele ainda não tinha me procurado. Quando cheguei na colônia, ele falou que eu estava fora”, contou a religiosa.

A mãe de santo do Ilê Axé Jibayê (em Itinga), Jacira Ferreira, 62, assume os preparativos. “Já faço o presente dos pescadores (do largo) da Mariquita há 18 anos e acho que Iyemanjá decidiu que chegou o meu momento”, disse a substituta.

Ciente do compromisso com as divindades, Mãe Aíce de Oxosse não vai pôr fim à obrigação religiosa que completa 25 anos. Na véspera da festa, os balaios de Iemanjá e Oxum estavam quase prontos no terreiro. No início da madrugada desta terça, 2, o presente de Oxum seria entregue no Dique do Tororó e, às 7h, o ritual deve ser feito no Rio Vermelho.

“No dia que falei com Branco, Oxosse mandou me avisar para continuar. Passei momentos difíceis nesses anos e posso contar com a energia que me acompanha”, disse Mãe Aíce, que revelou ter recebido apoio do músico Carlinhos Brown.

A líder religiosa também conta com filhos de santo e pescadores da Z-1 que sempre a ajudaram na obrigação. “Sou um dos fundadores da colônia e o mais antigo vivo. Desde o primeiro dia na presidência, Branco vem sendo autoritário. Um presente assim não se faz só. Mãe Aíce foi escolhida pelos pescadores que acreditam no que ela faz até hoje”, afirmou Gilson Alves dos Santos, 77. “A cada ano, Branco vem destruindo a tradição. É o primeiro ano que não vou participar”, disse o pescador Valdimiro Zoanes, 74.

A secretária estadual de Política para Mulheres, Olívia Santana, é outra que apoia Mãe Aíce: “Ela é referência nesse ritual. É, no mínimo, falta de respeito ser descartada assim”.

O xincarangoma (sacerdote músico) do Tanuri Junçara e Oloê (espécie de conselheiro do Terreiro Bogum), Jaime Sodré, acredita que o processo de substituição deveria obedecer a outros critérios. “O posicionamento da divindade também deveria ser verificado pelos búzios. Além da consulta à comunidade de pescadores”, opinou Sodré.

Presidente da Colônia Z-1 convidou outra ialorixá (Foto: Marco Aurélio Martins l Ag. A TARDE l 26.09.2009)
Presidente da Colônia Z-1 convidou outra iyalorixá (Foto: Marco Aurélio Martins l Ag. A TARDE l 26.09.2009)

Programação

A programação, segundo Branco, permanece a mesma, com a entrega do presente a Oxum, no Dique do Tororó, no início da madrugada desta terça, e, às 5h, a alvorada de fogos que anuncia a chegada do presente principal ao Rio Vermelho para Iyemanjá.

No final da tarde, por volta das 16h, a escultura de um animal em extinção, que não teve o nome revelado “para manter a surpresa”, será levada ao mar.

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://app.atarde.uol.com.br/noticias/1744081/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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