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Festa do Bonfim é celebrada por adeptos de outras religiões

Maíra Azevedo | Ter, 12/01/2016 às 23:28

 

 Fernando Vivas | Ag. A TARDE O ponto máximo da lavagem ocorre na famosa e mística Igreja do Bonfim
Fernando Vivas | Ag. A TARDE
O ponto máximo da lavagem ocorre na famosa e mística Igreja do Bonfim

A cerimônia faz parte da tradição católica. A imagem do Cristo Crucificado sai em cortejo da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, no Comércio, até a Basílica no alto da Colina Sagrada, na Cidade Baixa. Mas, são mulheres – e alguns homens – vestidas com as indumentárias e carregando outros símbolos das religiões de matriz africanas, como a quartinha de barro, que se tornaram a representação da Lavagem do Bonfim.

O cortejo, que abre oficialmente o calendário de festas populares da Bahia, reúne fiéis das duas religiões. Tem católico que para pagar a promessa se veste de ‘baiana’ e participa da lavagem das escadarias, e candomblecista que sai cedo de casa para assistir à missa e manter o compromisso com Oxalá.

De acordo com o historiador Ordep Serra, o ato de lavar a igreja faz parte dos ritos católicos que pregam a humildade. “Os nobres faziam esses atos como sacrifício, penitência. A princesa Isabel inclusive fez uma promessa de lavar uma igreja aqui no Brasil. Era pensando como um gesto de humildade”, explica.

 

Saiba mais

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Ônibus operam em esquema especial durante Lavagem do Bonfim

Com a forte influência do candomblé no país, o ato de lavar as igrejas teve uma nova interpretação.  “Esse rito [a lavagem das escadarias da Igreja] foi reinterpretado aqui na Bahia, com base em uma coincidência sincrética. Senhor do Bonfim é o filho de Deus, e foi associado com  Oxalá, o filho do Deus supremo para os iorubás. Na  cidade de Ifé, na Nigéria,  ele é venerado em uma colina, considerado o umbigo do mundo. E a Igreja do senhor do Bonfim fica em uma colina também”, informa.

Respeito às crenças

O cortejo da Lavagem do Bonfim é  marcado pela mistura do sagrado com o profano e o convívio de católicos e candomblecistas. E até mesmo adeptos de outras religiões.

Responsável pela Basílica do Senhor do Bomfim, Padre Edson define a festa como um acontecimento na cidade que possibilita encontros. “É um momento de integração, um acontecimento que deixa  lição de diálogo religioso”, diz.

Mãe Jaciara Ribeiro, ialorixá do terreiro Abassá de Ogum, cobra respeito às diversas manifestações religiosas. “A subida à colina é para agradecer a Senhor do Bonfim. Nosso culto à Oxalá é feito no terreiro. É importante separar as coisas”.

Confira a programação

Terça-feira

19h – Sexta noite do novenário

Quarta

19h – Sétima noite do novenário

Quinta

Tradicional lavagem do adro da Basílica Santuário Sr. Bom Jesus do Bonfim

Sexta

15h – Concentração dos movimentos e serviços eclesiais arquidiocesanos
19h – novenário (8ª noite)

Sábado

17h – Missa com a participação das crianças
19h – Última noite do novenário

Domingo

4h30 – Alvorada e repique de sinos, anunciando o grande dia da festa
5h – Celebração com a participação dos homens que,  sextas e domingos, são maioria nas missas, expressão da devoção masculina ao Sr. do Bonfim
6h – Missa dos devotos e das devotas pelas famílias baianas, que veneram o Senhor do Bonfim como seus antepassados
7h30 – Missa transmitida pela Rádio Excelsior na intenção dos ouvintes e dos internautas
9h – Recitação do Terço da Misericórdia
10h – Missa solene presidida pelo bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador, dom Marco Eugênio Galvão Leite de Almeida
16h – Procissão dos Três Pedidos. Os fiéis sairão da Paróquia N. Sra. dos Mares. Ao chegar à Colina Sagrada, dão três voltas em torno da igreja, fazendo os três pedidos. O encerramento será com a bênção do Santíssimo Sacramento e a queima de fogos de artifício

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/1738922-lavegem-e-celebrada-por-adeptos-de-diferentes-religoes

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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