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Festival de Inverno de Garanhuns se rende ao nagô

Tendo Naná Vasconcelos como grande homenageado, 26ª edição do FIG destaca a miscigenação brasileira

Thu Jul 21 06:27:00 BRT 2016 – Camila Estephania, da Folha de Pernambuco

 

Divulgação Voz Nagô, criado por Naná Vasconcelos, recorda o mestre
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Voz Nagô, criado por Naná Vasconcelos, recorda o mestre

A miscigenação da população brasileira será o foco da primeira noite do 26º Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que começa hoje, no Agreste do Estado, e vai até o dia 30 deste mês. Pela primeira vez, a abertura não contará com grandes espetáculos na Praça Mestre Dominguinhos, evidenciando a programação reservada para a Igreja de Santo Antônio. A mudança faz parte do plano de economia do Governo de Pernambuco, que investiu cerca de R$ 6,4 milhões em todo o festival – R$ 1 milhão a mais do que havia sido previsto inicialmente.

Apesar do Concerto Afro-nordestino que inaugura esta edição acontecer em espaço fechado, o pianista petrolinense Zé Manoel, que está à frente da apresentação, garante a grandiosidade da ocasião. “Acho que o fato de acontecer em uma igreja católica reflete o que é a negritude no Brasil, um país totalmente miscigenado. A música tem esse poder de diluir essas fronteiras; acaba sendo um evento simbólico”, opina o compositor, que atualmente trabalha na criação do seu terceiro álbum.

“A proposta do meu próximo disco é explorar minhas raízes africanas e, como estou muito envolvido nessa pesquisa, quando recebi o convite para tocar no FIG, pensei em fazer algo por esse caminho com algumas pessoas que admiro”, explica Zé Manoel, que convidou as pernambucanas do Grupo Voz Nagô (idealizado por Naná Vasconcelos) e os baianos Virgínia Rodrigues e Seu Mateus Aleluia. “É uma dobradinha entre os dois estados. É importante destacar que essa inserção na música afro será através do Nordeste”, diz ele.

O repertório trará músicas de nomes como Moacir Santos, Tiganá Santana, Os Tincoãs, Geraldo Gentil e Naná Vasconcelos, que é o homenageado desta edição do FIG. As músicas fugirão dos arranjos tradicionais da música afro e serão executadas por piano, violoncelo, bateria e percussão. “A gente está fazendo essa junção de instrumentos percussivos com outros eruditos, mas o intuito é fazer música popular; não queremos sofisticar o que já é sofisticado”, conclui.

Palcos
Amanhã, o Polo Mestre Dominguinhos, que fica na antiga Praça de Guadalajara, começa a funcionar a todo vapor. A primeira noite será bastante feminina, com Larissa Luz, Karina Buhr e Elza Soares (com o aclamado “A Mulher do Fim do Mundo”).

No sábado, Naná Vasconcelos será o foco, com o show de Zeca Baleiro e Paulo Lapetit como atração principal. A dupla deve apresentar o álbum “Café no Bule”, feito em conjunto com o percussionista pernambucano.

Ao longo do evento, o palco principal ainda destacará os shows de Gal Costa, com “Estratosférica”, no domingo; Nação Zumbi, comemorando os 20 anos de “Afrociberdelia”, na segunda; Otto, com a turnê “Recupera”, na terça; Alceu Valença, revisitando suas raízes sertanejas, na quarta; Margareth Menezes, homenageando Gilberto Gil e Caetano Veloso, na quinta; e Biquini Cavadão, no sábado.

O Palco Pop, que fica no Parque Euclides Dourado, só funciona a partir da terça-feira (26), destacando novos nomes da música local e nacional, como Plutão Já Foi Planeta, Juliano Muta e Volver. A programação completa de todos os palcos e atrações podem ser conferidas no portal da Folha de Pernambuco.

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Extraído do site Folhape / Recife – PE
http://www.folhape.com.br/cultura/2016/7/festival-de-inverno-de-garanhuns-se-rende-ao-nago-0239.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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