Breaking News

Filha de santo acusa vizinho de intolerância religiosa

Cristina Pita| Seg, 28/07/2014 às 18:57

 

Segundo Antônia Barbosa vizinho já a maeaçou de morte e espancamentos
Segundo Antônia Barbosa vizinho já a maeaçou de morte e espancamentos
Luiz Tito | Ag. A TARDE

Uma filha de santo de 67 anos, acusa o vizinho, em Feira de Santana (a 109 km de Salvador) de intolerância religiosa. O caso ocorreu no bairro do Tomba, onde a vítima, Antônia Barbosa de Souza, que é adepta do candomblé, e o suspeito, José Roque da Silva, que é evangélico, moram, e desde 2011 travam uma batalha judicial, onde rolam processos com acusações de ambos os lados. Nesta terça-feira, 29, às 9h30, na Vara Crime do Fórum Felinto Bastos, os dois se encontrarão para mais uma audiência do caso. As quatro primeiras foram de conciliação, mas sem acordo. Na audiência desta terça, a idosa é acusada por uma suposta ameaça de morte contra o vizinho.

Segundo informações de Lourdes Santana, presidente do Conselho das Comunidades Negras e Indígenas, e do Núcleo Odunge, de combate a intolerância e ao racismo, de Feira de Santana, várias entidades e associações fazem uma manifestação às 8h30 no fórum, para dar apoio à vítima e protestar contra a atitude do vizinho de dona Antônia, considerada intolerante. “São oito ONGs, além do Conselho do Idoso e da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) e o Coletivo das Entidades Negras (CEN). Cerca de 30 representantes do candomblé se concentrarão em frente ao fórum em defesa de uma mulher negra e analfabeta”, salientou.

Cassilda Miranda, presidente do Conselho do Idoso, diz que o órgão sai em defesa de dona Antônia Barbosa, já que ela não tem estudos e nem forças para se defender. “Ela mora só e é frágil. Ela não veste roupas da religião e quase não vai a terreiros. Vem sendo agredida verbal e fisicamente pelos vizinhos. Várias queixas foram prestadas, mas a polícia julga como briga de vizinhos. Ela foi orientada a se mudar, mas a casa é própria. Ela nos procurou e pediu ajuda, pois não aguenta mais”, lamentou.

Sel Souza, filha de Antônia Barbosa, alega que a mãe, de vítima passou a ré. “Ela já pagou seis meses de cestas básicas de R$ 688 por conta de um dos processos que ele (vizinho) moveu contra ela. Porém, ela é agredida quando sai, é chamada de feiticeira. Do bate-boca partiu para a agressão física. Tudo começou por causa do incenso. Ela joga folhas em toda casa, queima pólvora e depois lava a casa. Esse ritual não exala cheiro e nem barulho porque a casa é forrada. É o único ritual que ela pratica. Minha mãe não faz mal a ninguém”, defendeu.

O suspeito de praticar intolerância religiosa, José Roque da Silva, que mora na casa de número 17, ao lado de dona Antônia Barbosa, foi procurado pela reportagem, mas não estava em casa. A mulher dele, que não se identificou, limitou-se a dizer que ele foi orientado pelos advogados a não comentar o caso.

Nas redes sociais o caso ganhou repercussão. Para os internautas, dona Antônia Barbosa de vítima virou ré. É o que afirmou José Carneiro em sua página pessoal. “A intolerância é tão grande que, muitas vezes, as vítimas figuram como réus”, comentou. O historiador e jornalista feirense Edvaldo Goés lamenta a suposta perseguição. “Acredito que a perseguição física, mesmo que ainda praticada por alguns grupos, estão reduzidas. Mas, minha preocupação recai também sobre a perseguição ideológica, que se estende aos terreiros, inclusive”, postou.

 

Extraído do Portal A Tarde

http://atarde.uol.com.br/bahia/noticias/filha-de-santo-acusa-vizinho-de-intolerancia-religiosa-1609597

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *