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Fotógrafa representa cultura afrobaiana no Uruguai e busca patrocínio para expor na Itália

por Jamile Amine | Sábado, 16 de Maio de 2015 – 00:00

 

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

A fotógrafa Andréa Magnoni, nascida no Paraná e radicada em Salvador, representa a cultura afrobaiana durante a Semana de La Fotografia de Colonia, que acontece entre 29 de abril e 29 de maio, no Uruguai. Ela participa do evento com a exposição “O Renascer na Casa de Exu”, que conta com 30 fotografias e retrata a devoção ao orixá muitas vezes atribuído erroneamente ao diabo católico. “De brasileiros somos eu e mais uma fotógrafa apenas, entre 24 fotógrafos de várias partes do mundo. O convite aconteceu por parte de Fernando Perdomo, renomado fotógrafo de moda no Uruguai e integrante da Tres Gatos Colectivo Fotografiko, organizador do evento, e surge a partir das fotos afro-diaspóricas que faço nos terreiros aqui de Salvador”, conta Magnoni. O contato com o fotógrafo uruguaio se deu através de um contato em comum no Facebook. A partir dali ele começou a acompanhar o trabalho de Andéa e, quando começou a pesquisar sobre fotógrafos que desenvolviam trabalhos diferenciados e de destaque, decidiu convidá-la para expor.

A fotógrafa leva a cultura afrobaiana para o Uruguai, através da exposição "O Renascer na Casa de Exu"/ Foto: Andréa Magnoni
A fotógrafa leva a cultura afrobaiana para o Uruguai, através da exposição “O Renascer na Casa de Exu”/ Foto: Andréa Magnoni

 

 

Já o objeto da exposição foi escolhido apos a fotógrafa participar de uma festa na Casa do Mensageiro, onde o pai de Santo Babá Rychelmy Esutoobi esta à frente. De acordo com Andréa, “a exposição surge da captação das fotos feitas nas festas de saída de Yawô (filho de Santo recém iniciado) na Casa do Mensageiro, que é uma casa devota de Exu, por causa do Pai de Santo que é filho dele. Por isso o nome: O Renascer na Casa de Exu”. A fotógrafa ficou motivada pelo inusitado ao encontrar um babalorixá filho de Exu, já que “mesmo dentro do Candomblé é raro de acontecer, por causa do sincretismo que esse Orixá tem com o diabo católico. Muitos Pais e Mães de Santo vem dessa formação cristã e acabavam não iniciando os filhos de Exu para esse Orixá”, explicou, destacando ainda uma outra motivação para retratar o tema: a beleza do ritual de saída de orixá.
Após a exposição fotográfica, Andréa Magnoni ministrara uma palestra, dentro da Semana de La Fotografia de Colonia. “A princípio seria apenas a exposição, mas quando enviei as fotos, eles ficaram encantados com a temática e me chamaram para palestrar sobre esse tipo de fotografia”, lembra, a fotógrafa cuja mostra segue por várias cidades uruguaias até o fim de 2015. Além disso, parte da exposição será lançada em junho, no espaço cultural de Tommaso Santostasi, em Roma, na Itália, mas ela ainda não sabe se poderá comparecer ao evento, por falta de orçamento. “Tommaso queria muito [que ela estivesse presente], mas já estamos sofrendo pra conseguir grana para ir aqui pro Uruguai, pois o evento é sem fins lucrativos, eles só conseguiram hospedagem e alimentação, mas as passagens não. Um amigo resolveu fazer um documentário sobre isso, demos o nome de ‘Passando Chapéu – Made in Brasil’, que fala da saga de todos os artistas que são convidados pra mostrar seu trabalho no exterior e esbarram no mesmo problema: dinheiro para as passagens! Estamos fazendo rifa, vamos fazer uma festa para angariar fundos, enfim, estamos passando o chapéu, então pra Roma eu só vou se conseguir algum patrocínio, Tommaso está segurando a abertura da exposição justamente pra ver se eu consigo ir pra lá”, conta Magnoni, que pretende expor este trabalho também no Brasil.

Após expor no Uruguai, Magnoni quer levará parte da exposição para Roma / Foto: Andréa Magnoni
Após expor no Uruguai, Magnoni quer levará parte da exposição para Roma / Foto: Andréa Magnoni

 

“A intenção é trazer a exposição pra cá também. Ela estreia em Roma, e assim que eu conseguir algum patrocínio, providencio a impressão do material para que os brasileiros tenham acesso a ela. Além disso, eu quero muito que essa exposição seja acompanhada sobre debates sobre o tema”, explica a fotógrafa, que nesta quarta-feira (13) lançou, no Espaço Cultural da Barroquinha, a exposição “Mo Júbà – Um olhar sobre o Mensageiro”, como parte da mostra comemorativa dos dez anos da Casa do Mensageiro.

 

Extraído do site Bahia Notícias / Salvador – BA
http://www.bahianoticias.com.br/ckfinder/userfiles/images/380x254xexpo.jpg.pagespeed.ic.2CtW6GwBNv.jpg

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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