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Gera: Núcleo de Estudos Afro-brasileiros completa 10 anos e elenca desafios

 

 11 de agosto de 2017 Ray Santos

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) realizou nesta quinta-feira (10) o Seminário NEAB 10 anos para comemorar o início de duas atividades, em agosto de 2007. O evento reuniu dezenas de pessoas em conferências realizadas nas Unidades 1 e 2 e na Faculdade de Direito e Relações Internacionais (FADIR) e contou com a performance “Navio Negreiro”, de Alguimar Amâncio da Silva, técnico-administrativo da UFMS.

A chefe do Núcleo, Eugênia Portela de Siqueira Marques, relatou os avanços ocorridos neste período e também elencou os principais desafios que ainda precisam ser enfrentados. No cenário nacional, ela questionou o corte de recursos nos programas que beneficiavam a população carente e que pela faixa de renda, direta ou indiretamente, atingiam a população negra. Também criticou as ideologias religiosas e políticas, a exemplo do Escola sem Partido, que ao questionar as ideologias raciais, de gênero, de identidade e etnicidade, estão “propondo retrocessos em todos os avanços conquistados” e trazendo “outras ideologias bem mais perversas”.

Na área da Educação, Eugênia disse que continua a ser ignorada a Lei 10.639, criada em 2003 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” e que muitos projetos nas escolas são sobre bullying e ainda negam ou omitem a discussão sobre racismo e desigualdade racial. Enquanto isso, os estudantes ainda são xingados, de macaco, bombril, pichê, fuligem, negra fedida ou negro fedido.

Para garantir a formação inicial dos vários profissionais que atuam nas escolas, a chefe do Neab defendeu a obrigatoriedade, nas universidades, das disciplinas que abordam as temáticas sobre história e cultura africanas e afro-brasileiras, com objetivo de atender as diretrizes de educação para as relações étnico-raciais.

Além disso, afirmou que apesar das políticas e tratativas em curso e do aumento da população negra na Educação Superior, a representatividade não chega a 10%, mesmo que mais que 50% dos brasileiros sejam pretos e pardos. Neste sentido, pediu aos diretores e coordenadores de curso e aos docentes presentes no evento que tenham um olhar diferenciado pra essa questão, para que olhem os ingressantes pelas cotas e vejam se o que é representado no resultado da seleção condiz com a realidade, especialmente nos cursos mais concorridos.

A partir daí, Eugênia cobrou da UFGD a discussão futura de racismo institucional, a criação de uma política afirmativa e da criação de uma banca de autoafirmação para atuar não somente onde a lei determina (concursos públicos), mas também nos vestibulares, para dessa forma agir preventivamente e evitar fraudes. “O Judiciário, até outra informação, tem respeitado a autonomia universitária. A banca não fere direitos, a banca garante direitos a quem tem direitos”, defendeu a chefe.

Outra crítica foi direcionada às informações. “Quando fizer 10 anos, a lei de cotas deverá ser analisada e nós ainda não temos uma base de dados consistente”, disse Eugênia.

Ao final, a professora chamou os colegas para trabalhar em conjunto. “Para que as temáticas das relações étnico-raciais não sejam exclusivamente responsabilidade do NEAB e que não apareçam apenas como puxadinho ou apêndice nos projetos pedagógicos dos cursos. É como o ditado africano, se quiseres ir rápido, vá sozinho, mas se quiseres chegar longe vá com alguém. Vamos juntos! Sou o que sou pelo que nós somos”, encerrou a chefe do Neab.

TODAS AS PESSOAS
Durante a solenidade de abertura, o reitor em exercício Marcio Eduardo de Barros, chamou a atenção do público para o “bom dia” que direcionou a “todas as pessoas” presentes, explicando que desta forma não estaria discriminando ninguém. Na sequência, ele parabenizou a condução que a professora Eugênia dá ao NEAB e também parabenizou os professores que a antecederam e construíram o Núcleo.

“Foram 10 anos de luta, mas eu acredito que teremos ainda alguns anos pesados de luta pela frente. No entanto, o meu desejo é que em alguns anos o Neab consiga mudar sua característica de luta pelo reconhecimento das pessoas, possa superar isso e depois contar como foi esse movimento de inclusão dentro da universidade”, disse Marcio Eduardo de Barros.

SOBRE O NEAB
Dentre suas finalidades, o Núcleo sensibiliza acerca das diretrizes e bases da educação nacional quanto à temática “História e Cultura Afro-brasileira”; Estimula e apoia projetos de pesquisa, ensino e extensão voltados para as temáticas ético-culturais, especialmente, em Mato Grosso do Sul; Incentiva a criação de programa institucional de formação continuada para acadêmicos, servidores e sociedade civil, em relação à temática afro-brasileira e ainda promove seminários e fóruns de discussão entre professores da Universidade, das demais instâncias de ensino e Instituições de Ensino Superior, em busca da formação de uma sociedade que reconheça e respeite a diversidade.

 

Assessoria de Comunicação Social e Relações Públicas – ACS/UFGD

Divisão de Jornalismo – Resp. Graziela Moura

Jornalistas: Karine Segatto, Thaysa Freitas e Stella Zanchett

Telefone: 67-4310-2720/2721

E-mail: jornalismo@ufgd.edu.br

 

 

Extraído do site do Jornal Dia a Dia / Campo Grande – MS
http://jornaldiadia.com.br/2016/?p=319191

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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