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Grupo faz roda de afoxé em porta de escola onde aluno foi barrado no Rio

Representantes de religiões africanas distribuíram doces.
Estudante foi impedido de entrar por usar guias de candomblé.


Alba Valéria Mendonça |
Do G1 Rio | 09/09/2014 11h46 – Atualizado em 09/09/2014 14h19

 

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Representantes.de religiões africanas promoveram uma toda de afoxé em frente a escola onde aluno foi barrado (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

Representantes de religiões africanas promoveram nesta terça-feira (9) uma roda de afoxé, com cânticos em bantu, yorubá e fon, e distribuíram doces de Cosme e Damião na Escola Francisco Campos, onde um aluno foi impedido de entrar por usar guias de santo e roupa branca, em agosto.

 

O colégio fica no Grajaú, Zona Norte do Rio. De acordo com a mãe da vítima, que tem 12 anos, a diretora da instituição não permitiu a entrada do jovem, em um dia no final de agosto.

Cartaz informa resolução que impede alunos de entrar sem uniforme (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Cartaz informa resolução que impede alunos de
entrar sem uniforme (Foto: Alba Valéria Mendonça/
G1)

“Antes de ele entrar para o candomblé, eu avisei para a professora e ela logo disse que ele não entraria no colégio. Eu expliquei que ele teria que usar branco e as guias, mas ela não aceitou”, contou indignada na ocasião a mãe do estudante ao G1, Rita de Cássia.

Embora a manifestação tenha sido pacífica, alguns pais, ex-alunos e ex-funcionários discutiram na porta da escola com os representantes do movimento, que eram chamados de “povo de santo”. Eles defendem a posição da diretora da escola que proíbe a entrada de alunos na unidade sem uniforme.

“O que estão fazendo com a diretora é uma injustiça. Presenciamos o constrangimento provocado pela mãe do menino, quando foi pedido que ele tirasse o boné, que não é permitido por uma resolução da Secretaria de Educação. Ela não merece tudo o que estão fazendo com ela”, disse a mãe de aluno e ex-funcionária da escola Dora Rodrigues.

 

 

Mães de alunos defendem a diretora da escola onde menino usando guias foi barrado (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)
Mães de alunos defendem a diretora da escola onde
menino usando guias foi barrado (Foto: Alba Valéria
Mendonça/ G1)

Ivanir dos Santos, da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, disse que problemas como esse poderiam ser evitados se o governo tivesse aprovado a lei que obriga o ensino de história da África e dos povos indígenas nas escolas.

“Estamos protestando contra a intolerância religiosa. Se a lei 10639 estivesse em vigor, as pessoas entenderiam o momento pelo que o menino estava passando e que tem uma série de restrições, como por exemplo, ter de andar com a cabeça coberta e só usar roupas brancas”, disse Ivanir.

“Nunca tive problema com meu filho, que estuda em escola particular e respeita a liberdade religiosa dos alunos. O que queremos com esse ato é mostrar que a Constituição nos garante liberdade de expressão religiosa”, disse Rosiane Rodrigues, que estava com o filho Marcos, de 9 anos.

A mãe e o aluno que foi impedido de entrar na escola não participaram do movimento. Ela está doente e o menino estudando em outra escola, além de estar de resguardo religioso por três meses.

Colares, chamados 'guias', representam espíritos da Umbanda (Foto: Reprodução: TV Bahia)
Colares, chamados ‘guias’, representam espíritos
da Umbanda (Foto: Reprodução: TV Bahia)

Após o episódio, o jovem e a mãe chegaram a ser recebidos pelo prefeito Eduardo Paes, que pediu desculpas. “É importante que se faça um pedido de desculpas por esse eventual erro ou excesso e que fique claro que a rede municipal de ensino aceita as diferenças e respeita as escolhas e orientação religiosa das pessoas. A mensagem que queremos passar é de que nao há qualquer preconceito na rede municipal de ensino e nem na escola, que está entre as melhores da cidade. Axé para quem é de axé, shalom para quem é de shalom e amém para quem é de amém”, disse o prefeito.

 

 

 

 

Prefeito Eduardo Paes recebeu mãe e filho na quarta (3) na Prefeitura do Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)
Prefeito Eduardo Paes recebeu mãe e filho na quarta (3) na Prefeitura do Rio (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)

 

Extraído do Portal de Notícias G1

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/09/grupo-faz-roda-de-afoxe-em-porta-de-escola-onde-aluno-foi-barrado-no-rio.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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