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Grupo usa mitologia dos orixás para criar coreografias e oficinas de dança

Balé das Yabás debate o feminismo e o transforma em dança amanhã, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa

KARINA MAIA | 19/09/2015 00:00:00

 

Rio – Quem nunca ouviu frases como ‘O mundo é dos homens’ ou ‘Isso não é coisa para mulheres’? Preconceitos do tipo, provavelmente, já foram presenciados por você, sua mãe, sua avó e até pelos orixás. “A mitologia conta sobre a força das yabás (orixás femininas) e como viviam situações semelhantes em seu cotidiano”, compara Sinara Rúbia, uma das idealizadoras do grupo Balé das Yabás, que debate o tema e o transforma em dança amanhã, às 15h, no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa.

 

Balé das Yabás: Ludmilla Almeida, Sinara Rúbia e Flavia Vieira Foto: Divulgação
Balé das Yabás: Ludmilla Almeida, Sinara Rúbia e Flavia Vieira
Foto: Divulgação

As inspirações para as coreografias partem de histórias como a de Oxum. Deusa da Fertilidade do candomblé, ela teve sua presença aceita em reuniões exclusivamente masculinas após demonstrar como seus poderes são imprescindíveis a todos.

Sinara conta que todos os orixás vieram à Terra quando ela foi criada. Mas somente os homens se reuniam para tomar decisões. Magoada, Oxum condenou todos à esterilidade, até que a convidassem junto a todas as outras mulheres para participar dos encontros.

“Esse conto mostra a importância das figuras femininas na política e na sociedade”, compara ela, que media os encontros mensais e gratuitos. Quem decide participar passa sempre por três etapas: um breve estudo, um debate e uma ação criada para a oficina de dança.

“Não é uma simples oficina de dança afro. Há todo um envolvimento até o momento que dançamos”, ressalta Sinara, criadora do projeto junto a Ludmilla Almeida e Flavia Vieira.

“Homens, mulheres e crianças aparecem sempre. Mas a maior parte do público são as mulheres negras”, diz Sinara, que justifica: “Todas nós sofremos com o machismo. Mas as mulheres negras têm a questão do racismo aliado a isso — o que dificulta a coisa em todos os níveis.”

Talvez, por isso, as yabás tenham sido eleitas as musas inspiradoras das oficinas. E embora tais histórias partam da mitologia do candomblé, Sinara diz que os encontros não têm cunho religioso. “Fazemos um recorte étnico e de gênero”, define a mediadora.

“Trabalhamos com a questão das mulheres, principalmente das negras. Mas todos são bem-vindos. Afinal, é importante que diferentes pessoas discutam sobre o papel que representamos na sociedade ao longo dos tempos e nossas demandas”, conclui.

 

Extraído da versão digital do Jornal O Dia on line / Rio de Janeiro – RJ
http://odia.ig.com.br/diversao/2015-09-19/grupo-usa-mitologia-dos-orixas-para-criar-coreografias-e-oficinas-de-danca.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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