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Grupos religiosos disputam orla da Pajuçara para festividades no dia 8

Data é marcada pelas comemorações na praia pelo Dia de Iemanjá. Este ano, evangélicos também querem o espaço para realizar um evento.

Do G1 AL | 30/11/2015 18h56 - Atualizado em 30/11/2015 19h33  
Da esq.: mãe Ziza, Wagner Mendes, Rodrigo Petinati, pai Célio e Flavia de Oyá (Foto: Lucas Leite/G1)
Da esq.: mãe Ziza, Wagner Mendes, Rodrigo
Petinati, pai Célio e Flavia de Oyá
(Foto: Lucas Leite/G1)
Representantes do Coletivo Religioso de Matriz Africana e da religião evangélica se reuniram, nesta segunda-feira (30), na sede das Promotorias da Capital do Ministério Público de Alagoas, no Barro Duro, para decidir quem vai utilizar a orla da Pajuçara no dia 8, já que os dois grupos querem usufruir do local. Tradicional em Maceió, há anos diversos grupos de matriz africana celebram o Dia de Iemanjá nesta data. Só que este ano, evangélicos também pediram para usar o espaço para realizar o evento "Maceió de Joelhos". De acordo com mãe Zazi, integrante do coletivo religioso de matriz africana, o movimento vê a atitude dos evangélicos como intolerância religiosa. "É um dia muito esperado pelos adeptos [das religiões afro], inclusive do interior do estado. Achamos que o que está acontecendo é uma intolerância cultural e religiosa". O babalorixá pai Célio compartilha da mesma opinião. "Esperamos que essa ação não se repita, como vem acontecendo durante alguns anos. Estamos em um país laico e ainda é clara a perseguição que sofremos", disse. Para o pastor evangélico Paulo César da Silva, a data e o local do evento têm um objetivo em especial. Ele afirma que não há nenhuma perseguição por parte da religião cristã.
Padre Manoel Henrique diz que Maceió deve acolher os irmãos afro (Foto: Lucas Leite/G1)
Padre Manoel Henrique diz que Maceió deve
acolher os irmãos afro (Foto: Lucas Leite/G1)
"A data foi escolhida para realizar o evento 'Maceió de joelhos', por ser um dia após o aniversário da capital. O local é por ser de fácil acessibilidade", afirmou o pastor. O pastor diz ainda que o evento acontece há cerca de nove anos e que já é considerado tradicional. Segundo Silva, o objetivo é rezar pelas famílias alagoanas. O padre da Igreja Católica, Manoel Henrique, também compareceu à audiência para prestar apoio aos movimentos de matriz africana. "Vejo esta briga como um retrocesso cultural. O caminho da igreja não é esse da intolerância. Maceió deve acolher os irmãos afro, que realizam essa manifestação no local antes dos evangélicos. Devemos deixar o mar para Iemanjá". O promotor Flávio Gomes da Costa, que intermediou a reunião, informou que haverá outro encontro na terça (1º) para decidir a situação. "O MP não dá a visão de intolerância para nenhum grupo. O caso merece uma atenção especial e acreditamos que logo acharemos um denominador comum".
MP tenta encontrar solução satisfatória aos dois grupos religiosos (Foto: Lucas Leite/G1)
MP tenta encontrar solução satisfatória aos dois grupos religiosos (Foto: Lucas Leite/G1)
  Extraído do portal de notícias G1 / Alagoas http://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2015/11/grupos-religiosos-disputam-orla-da-pajucara-para-festividades-no-dia-8.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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