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Guerreiro no coração: São Jorge, o ‘padroeiro’ do samba

22/04/2016 12:36AUTOR GUILHERME AYUPP (E-MAIL: REDACAO@CARNAVALESCO.COM.BR)

 

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O padroeiro da cidade do Rio de Janeiro é São Sebastião. Entretanto, não há santo mais popular no Rio que São Jorge. Seja na devoção católica ou no sincretismo de Ogum, o dia 23 de abril, tem mais ar de data cívica. Pelo menos para os sambistas. Vários deles mantém uma devoção fervorosa pelo santo guerreiro e escolas de samba preparam grandes festas para São Jorge o seu padroeiro.

No Grupo Especial, Beija-Flor e União da Ilha têm como padroeiro São Jorge. Na Série A, Estácio de Sá, Unidos de Padre Miguel, Império Serrano, Império da Tijuca, Alegria da Zona Sul e União do Parque Curicica. A devoção ao santo gerou no desfile deste ano dois enredos com a temática. Para o santo católico, a Estácio apresentou o enredo “São Jorge, o guerreiro na fé” e para o orixá, a Alegria da Zona Sul cantou “Ogum”.

O culto ao orixá encontra explicação no fato de que o surgimento das escolas de samba está intrinsecamente atrelado às religiões de matrizes africanas, embora, apenas nos anos 70 os enredos das mesmas passassem a tratar abertamente do tema. Algumas baterias possuem até hoje toques de caixa característicos da saudação de determinados orixás, o que confere identidade a muitas delas.

Sambistas cumprem ritual no dia 23 de abril

A relação íntima dos sambistas, seja com o santo católico ou com a entidade do Candomblé, faz do dia 23 de abril uma data sagrada para os sambistas. Mestre-sala da Mangueira, Raphael Rodrigues conta ao CARNAVALESCO o que costuma fazer para pedir proteção ao seu santo:

– Sou candomblecista e o dia 23 para mim é uma data muito especial. Vou ao meu terreiro bater cabeça, peço bênção e proteção. São Jorge é representado por Ogum no Rio e Oxosse na Bahia. Curiosamente são os dois orixás que me guiam. Sou muito apegado a eles – conta Raphael.

Para o mestre-sala da Mangueira, a relação de sambistas com o santo está atrelada à personalidade histórica do mesmo.

– Eu acredito que São Jorge é guerreiro, vence as batalhas e isso se relaciona muito com o cotidiano do sambista. O samba enfrenta batalhas diárias. O sambista é um guerreiro desde sempre e por isso a relação tão próxima com São Jorge – opina.

O intérprete Tiganá, que emprestou sua voz para saudar Ogum no enredo da Alegria da Zona Sul no carnaval deste ano, é outro que tem devoção pelo santo guerreiro. Segundo ele o espírito de luta do santo é o que o faz ele receber essa devoção do mundo do samba:

– A forma como ele viveu e morreu, até virar santo, acho que nos vemos ali. As escolas batalham muito para colocar o seu carnaval na rua. O sambista é um guerreiro como São Jorge. E os mais antigos, que foram perseguidos, quando o samba não era o que é hoje. Acredito que seja também por isso – ressalta o cantor.

Tiganá cumpre seu ritual religioso no dia 23 de abril, como conta ao CARNAVALESCO.

– Eu vou para a igreja ainda na noite anterior para a vigília, por volta das 22h. Assisto à primeira missa das 06h, agradeço minhas graças e faço outros pedidos para o meu santo. Assisto à representação teatral. Na parte da tarde cumpro meus compromissos profissionais – conta Tiganá.

A Estácio de Sá tem em São Jorge seu santo padroeiro e realiza uma série de festejos em sua quadra para homenageá-lo. Diversos integrantes da agremiação possuem devoção pelo santo. Um deles é o mestre-sala Marcinho, que cumpre o ritual de comparecer à igreja não apenas no dia 23 de abril. – Compareço à igreja sempre que posso, não apenas no dia 23. Mas é claro que o dia do santo é especial, costumo assistir à primeira missa e depois vou para a quadra onde sempre temos festejos. Já alcancei muita coisa na minha vida graças a ele e  foi uma emoção e uma honra muito grande eu poder participar desta homenagem que a Estácio fez para ele no carnaval deste ano – resume Marcinho.

 

Extraído do Blog especializado em Carnaval O Carnavalesco / Rio de Janeiro – RJ
http://www.carnavalesco.com.br/noticia/guerreiro-no-corao-so-jorge-o-padroeiro-do-samba/17071