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Heloísa Teixeira e os estudos afro-brasileiros a partir da correspondência de Arthur Ramos

terça-feira, 18 de abril de 2017.

 

história

A historiadora Heloísa Teixeira, pesquisadora residente do Programa de Residência em Pesquisa na Biblioteca Nacional/2016, analisa a correspondência entre o intelectual Arthur Ramos e intelectuais nacionais e estrangeiros nas décadas de 1930 e 1940, período de ampliação e sistematização dos estudos afro-americanos.

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Heloisa Teixeira, pesquisadora residente do Programa de Residência em Pesquisa na Biblioteca Nacional/2016.

O material reunido na Divisão de Manuscritos da Biblioteca Nacional é revelador: segundo a pesquisadora, tais estudos eram bastante difundidos no Brasil nesse período, tendo influenciado um significativo conjunto de pesquisadores nacionais, que desenvolveram entre nós os estudos afro-brasileiros (produção acadêmica que analisou a identidade africana na sociedade brasileira) e contribuíram para o avanço de posicionamentos antirracistas em um contexto de grandes traumas humanitários no mundo ligados à ideia de raça.

A pesquisa da historiadora Heloísa Teixeira reconhece Arthur Ramos como um dos intelectuais mais engajados nessa empreitada. Com Afrânio Peixoto, Anísio Teixeira, Édson Carneiro e outros intelectuais brasileiros, o antropólogo criou um importante centro de pesquisa das relações raciais no Brasil, que ficou conhecido como Escola Nina Rodrigues. Além das pesquisas, esse grupo tinha como objetivo a edição ou reedição de estudos acerca do negro e da sobrevivência da cultura africana no Brasil, o que foi feito através da Biblioteca de Divulgação Científica, da Editora Civilização Brasileira, dirigida à época pelo próprio Ramos. O antropólogo deixou uma produção de mais de 500 obras, entre livros e artigos, muitos dos quais traduzidos para o inglês e para o francês. Dentre seus escritos, destacamos: O negro brasileiro (1934); Estudos do folclore (1935); As culturas negras no Novo Mundo (1937); Introdução à antropologia brasileira (dois volumes editados nos anos de 1943 e 1947); As Ciências Sociais e os problemas do após-guerra (1944); A mestiçagem no Brasil (1952); O negro na civilização brasileira (1956).

A correspondência de Arthur Ramos compõe parte do Arquivo Arthur Ramos que, além das correspondências, mantém recortes de jornais, folhetos, fotografias, originais manuscritos, pesquisas e estudos sobre educação, medicina legal, psiquiatria, psicologia, sociologia, antropologia, folclore e etnografia. Ao todo, o Arquivo – publicado pela Biblioteca Nacional – possui cerca de 5 mil documentos, divididos em 4.860 verbetes e organizados em um inventário analítico.

Heloísa Teixeira é formada em História pela Universidade Federal de Ouro Preto e fez mestrado, doutorado e pós-doutorado em História pela Universidade de São Paulo. Ela já investigou a escravidão e os processos de liberdade no Brasil oitocentista e se interessa pela historiografia referente à população negra e à temática do racismo. Buscando as raízes das pesquisas sobre o negro no Brasil, conheceu o trabalho intelectual de Arthur Ramos e, graças ao apoio da Fundação Biblioteca Nacional – por meio do Programa de Residência em Pesquisa na Fundação Biblioteca Nacional –, dedica-se com exclusivamente à análise do diálogo desse intelectual com outros pensadores nos anos 30 e 40, estudando sua influência para a consolidação das ciências sociais no Brasil.

 

Extraído do site da Biblioteca Nacional / Brasília – DF
https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2017/04/heloisa-teixeira-estudos-afro-brasileiros-partir

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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