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Histórias Incríveis: as 10 passagens mais curiosas nos 100 anos do Dérbi

Osso atirado pela janela, pai de santo, galo depenado, alambrado derrubado… GloboEsporte.com mostra, com ilustrações de Mario Alberto, o lado folclórico de Corinthians x Palmeiras

 

 

Por GloboEsporte.com, São Paulo

11/07/2017 06h00  Atualizado há 5 horas

Nos 100 anos que se passaram desde o primeiro Dérbi, em 1917, Corinthians e Palmeiras colecionaram grandes jogos, craques, golaços, títulos… O clássico, porém, também guarda histórias incríveis que se perderam pelo tempo. Algumas delas tão impressionantes que há quem duvide de quem tenham mesmo acontecido…

GloboEsporte.com selecionou dez boas passagens para retratar o centenário do Dérbi. Tem de tudo! Palmeirense atirando osso pela janela de um corintiano, ex-zagueiro do Timão que virou pai de santo e foi acusado de amaldiçoar o clube, atacante que queria brigar de cinta… Tem até o Ronaldo Fenômeno, protagonista de passagem divertida em 2009.

As ilustrações que acompanham as histórias são de Mario Alberto. Veja abaixo:

É canja? É nada!

Em 1918, atletas do Palestra Itália passaram em frente a uma pensão em que o time do Corinthians almoçava antes de um clássico e jogaram um osso com a mensagem: “O Corinthians é canja de galinha para o Palestra”. O Palestra chegou a estar vencendo por duas vezes a partida, mas cedeu o empate, e o jogo acabou 3 a 3. O osso ainda está no Memorial do Timão, com a inscrição: “Este osso era para a canja. Mas não cozinhou por ser duro demais…”.

Canja de galinha? Corinthians fez de tudo para não ser derrotado pelo rival (Foto: Mario Alberto)

Cinta neles!

Em um dos clássicos quando a rivalidade começava a esquentar, em 1920, o Corinthians vencia o Palestra por 2 a 1. Um choque entre Neco, ídolo do Timão, e o goleiro palmeirense Primo gerou uma briga generalizada. Os dois se estranharam, e Neco tirou a cinta do calção para ameaçar o adversário. O fato virou motivo de orgulho para os corintianos, que passaram a gritar “Tira a cinta!” para Neco nos jogos seguintes.

Neco e sua cinta: cenas pitorescas em um dos primeiros Dérbis da história (Foto: Mario Alberto)

Pai de santo

Jaú, zagueiro do Corinthians entre 1932 e 1938, foi acusado de suborno antes de um jogo contra o Palestra Itália e jamais se livrou da fama de vendido – o Timão perdeu por 3 a 0. Isso aconteceu após ele denunciar a oferta feita por um diretor do rival. Virou pai de santo e acabou acusado de ter feito a mandinga que deixou o Corinthians por quase 23 anos sem títulos, enterrando um sapo no Parque São Jorge. Jaú negou o fato até morrer, em 1988.

Pai Jaú teria enterrado um sapo no gramado do Parque São Jorge. Ele sempre negou o fato (Foto: Mario Alberto)

Goleadas em série

Em 1933, o Palestra aplicou 8 a 0 no Corinthians, até hoje a maior goleada do Dérbi. Na preliminar, disputada pelos segundos quadros (espécie de time B) a vitória alviverde foi de 4 a 0, totalizando 12 a 0 para o Palestra. O impacto foi tão grande que toda a diretoria corintiana caiu. A começar pelo presidente Alfredo Schurig (que hoje dá nome à Fazendinha). A Fiel colocou fogo no Parque São Jorge.

Palestra teve dia iluminado com duas goleadas sobre o Corinthians, em 1933 (Foto: Mario Alberto)

Unidos? E por um rival?

Após a Copa do Mundo de 1938, o São Paulo criou a Taça Mundell Júnior para arrecadar dinheiro e sanar seus problemas financeiros. Corinthians e Palmeiras se enfrentaram, o jogo terminou empatado por 0 a 0, e o Timão foi à final pelo número de escanteios. Na final, bateu a Portuguesa e ficou com título. O episódio em que os rivais, indiretamente, ajudaram na recuperação do São Paulo ficou conhecido como “Jogo das Barricas”.

Corinthians venceu Dérbi no número de escanteios. E ajudou o rival São Paulo… (Foto: Mario Alberto)

O galo da discórdia

O último Corinthians x Palestra foi realizado no Parque São Jorge, em 1940 – com o nome Palmeiras, o Verdão nunca pisou no estádio alvinegro. Os torcedores alviverdes levaram um galo pintado de verde e o soltaram dentro do gramado, para provocar os donos da casa. O Timão venceu por 2 a 0, o animal foi depenado e até hoje há uma pena dele guardada no Memorial de Conquistas do Parque São Jorge.

Galo verde teve seus 15 minutos de fama. Depois, acabou depenado (Foto: Mario Alberto)

Aliados políticos

Em 1945, os arquirrivais se uniram por uma causa política. Em partida no estádio do Pacaembu, Corinthians e Palmeiras se enfrentaram para arrecadar dinheiro para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Deu Verdão, 3 a 1, e aquela partida virou assunto para o livro “Palmeiras x Corinthians, 1945: o jogo vermelho”, escrito por Aldo Rebelo.

Corinthians e Palmeiras já foram unidos em causa política: ajudaram o Partido Comunista Brasileiro (Foto: Mario Alberto)

Que deselegante!

Em 1969, o Corinthians, que liderava o Paulistão, perdeu o lateral-direito Lidu e o ponta-esquerda Eduardo, vítimas de um acidente na Marginal Tietê, onde capotaram um Fusca. Para inscrever dois novos jogadores no Campeonato Paulista, o Timão precisava de unanimidade em uma reunião do conselho arbitral da FPF. O representante do Palmeiras, o diretor José Gimenez, votou contra, impedindo a inscrição. Ali surgiu o apelido de “porco”, por tantos anos utilizado de forma pejorativa.

Representante do Palmeiras disse não à inscrição de dois novos jogadores do Corinthians (Foto: Mario Alberto)

Técnico e curandeiro?

O Palmeiras venceu o Corinthians por 1 a 0 na final do Campeonato Paulista de 1974. O Timão completou vinte anos sem conquistar títulos, mesmo com a maioria dos mais de 120 mil torcedores no Morumbi e com uma equipe considerada melhor. O curioso do jogo: o técnico do Palmeiras, Oswaldo Brandão, ganhou fama de curandeiro ao “curar” a lesão do atacante Ronaldo, que não iria jogar, mas se recuperou graças ao “trabalho” de Brandão. O relato do jogador:

– O Brandão quebrou todos os tabus da medicina (risos). Eu estava com o Eurico no quarto e ele foi lá com o massagista. Disse que não era para falar nada para os médicos. Lembro que eu ia ficar bom somente em dez dias pela previsão dos médicos. O Brandão entrou no quarto, eu estava deitado na cama. Ele pegou uma garrafa de água mineral, o massagista jogou na minha perna e o Brandão começou a espremer. Um segurava, porque doía muito, e o outro fazia massagem como se tivesse mexendo em massa de pastel. Lembro que no sábado fiquei desde depois do jantar até quase meia-noite fazendo isso. Eu acordei zerado no domingo.

Ah, se você não se lembra, o gol do título foi… Dele, Ronaldo!

Oswaldo Brandão fez milagre em Ronaldo. O resultado? Gol do título paulista (Foto: Mario Alberto)

Derrubando barreiras

O primeiro clássico de Ronaldo Fenômeno foi em Presidente Prudente, em março de 2009. No último minuto da partida, válida pela primeira fase do Campeonato Paulista, o craque evitou a derrota do Corinthians, marcou de cabeça seu primeiro gol pelo clube e, na comemoração, derrubou o alambrado do estádio Eduardo José Farah. Ronaldo, que já vivia desconfiança a respeito de seu peso, foi alvo de piadas…

Ronaldo derrubou o alambrado após seu primeiro gol pelo Corinthians, em 2009 (Foto: Mario Alberto)

 

Extraído do site do Globoesporte.com
http://globoesporte.globo.com/sp/futebol/noticia/historias-incriveis-as-10-passagens-mais-curiosas-nos-100-anos-do-derbi.ghtml

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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