Breaking News

I Encontro de Povos de Terreiro – ARAFRO

Publicado em Sexta, 22 Abril 2016 22:28

Escrito por pacelli

028

 

Realizado no sábado, 16 de abril, o primeiro encontro da ARAFRO (Associação de Religiões Afro-Brasileiras do Alto033 Paraopeba), que reuniu na Casa de Cultura adeptos de religiões de matriz africana e simpatizantes de Conselheiro Lafaiete e região. O evento contou com o apoio da prefeitura local, Secretaria de Direitos Humanos e Conselho de Igualdade Racial.

Na ocasião ocorreu participação ativa de membros efetivos de alguns terreiros de Umbanda e barracões de Candomblé da cidade – notadamente, o Abassá Xapanã e Beloyá (Bairro São Dimas, dirigido pela Zeladora Dengueçi) e o Ilé Awo Iyá Omi Olùtojú (Bairro Paulo VI, dirigido pelo Babalorixá Wolney Junior, mais conhecido como Pai Dudu), ambos barracões de Candomblé, e São Miguel Arcanjo, o terreiro de Umbanda mais antigo da cidade, dirigido por Mãe Maria.

Com a apresentação de Roseli da Cruz, filha de Umbanda, deu-se início ao ciclo de palestras e apresentações. Makota Guialomim, dirigente do Grupo Cultural Arerê, apresentou uma dança em homenagem a Oxum, Orixá das cachoeiras e do amor, com a participação dos Ogãs Francisco Soares (Abassá Xapanã e Beloya) e Vânia do Carmo (São Miguel Arcanjo), nos atabaques, e Bruno Batista (Abassá Xapanã e Beloya), no agogô. A jovem Nathália Cristina, trajada segundo a vestimenta tradicional daquela divindade, apresentou dança suave emocionando a todos os presentes com sua doçura.

Um ciclo de palestra

Dando prosseguimento, Makota discursou sobre o tema “Reconhecimento e identidade – o olhar no espelho”. Durante a mesma, ela pode versar sobre a importância do negro na cultura brasileira e na construção da identidade deste povo. Logo após, Pai Dudu falou sobre “Candomblé – a presença da ancestralidade”, demonstrando as origens desta rica religião, suas tradições e suas crenças. A seguir, Érica Araújo Castro, filha de Umbanda, versou sobre o objeto “Umbanda – o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio”. Para encerrar os trabalhos, Nayara Mara, candomblecista e advogada, sobre o tema “Terreiros registrados – uma existência de fato e de direito”, discursou sobre as vantagens de tornar a legalização do espaço religioso uma realidade.
A plateia foi constituída de filhos de fé e simpatizantes de Conselheiro Lafaiete e região e de lá surgiram algumas propostas interessantes por sugestão dos próprios ouvintes – como o cadastramento dos terreiros da cidade e a disponibilização de seus endereços na internet para que os que buscam uma casa tenham facilidade de encontrá-la.
O evento foi encerrado com um ponto musical cantado por Roseli da Cruz enquanto era acompanhada pelos citados Ogãs enquanto todos trocavam abraços significativos, reconhecendo-se, antes de tudo, como irmãos.
A ARAFRO agradece a todos os que colaboraram direta ou indiretamente na organização deste evento, além do apoio dos terreiros de Umbanda e dos barracões de Candomblé, além dos órgãos públicos. A Associação muito se orgulhou do primeiro evento que realizou e já promete a realização de um FORUM na cidade com oficinas variadas relativas à cultura afro-brasileira e à religiosidade, tendo a certeza de que quem não tem voz, não tem vez – e que a visibilidade é importante para a aquisição dos direitos e do respeito que nosso povo tanto merece.

Foto: Divulgação

 

 

Extraído do site do Jornal on line Estado Atual / Conselheiro Lafaiete – MG
http://www.estadoatual.com.br/cultura/107-geral/1940-na-raiz-22-04