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Ilê Aiyê leva à avenida a influência dos povos jeje

Meire Oliveira Dom , 19/02/2017 às 13:05 | Atualizado em: 19/02/2017 às 13:36

Mundão assina a identidade visual do bloco afro há 12 anosRaul Spinassé | Ag. A TARDE | 18.02.2017
A celebração das religiões de matriz africana por meio das contribuições dadas aos afro-brasileiros pelos povos jeje é o que o bloco Ilê Aiyê vai levar para as ruas no Carnaval 2017. O tema "Os povos Ewé/Fon. A influência do Jeje para os afrodescendentes" será abordado em sua história e mitos relacionados.

Identidade do Ilê é fundamentada nas cores branco, amarelo, preto e vermelho

No contexto, alguns terreiros da nação jeje serão homenageados, como a Cacunda de Yayá, o Terreiro do Bogum, o Humkpame Kwé Vodum Zô e o Ilê Axé Jitolú, o Zoogodô Gbogun Male Séjáhùnde, mais conhecido como Roça do Ventura, e o Humkpame Ayono Runtoloji, em Cachoeira. A nação jeje é o candomblé formado pelos povos ewé/adja/fons vindo da região de Dahomé e pelos mahins, minas, fanti, ashantes, dentre outros. "Como muitos dos associados e integrantes do Ilê Aiyê são de candomblé, a maioria dos temas acaba abordando esse universo", contou o presidente do Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, Vovô. Identidade visual Todo o legado e simbologia da cultura jeje foram concretizados pelos traços do artista plástico Raimundo Souza dos Santos, 59 anos, mais conhecido como Mundão. Há 12 anos, ele assina a identidade visual do Ilê e a estampa da fantasia que veste os foliões do Mais Belo dos Belos. Mundão atua no Carnaval há 49 anos. "Sempre participei de blocos afros, então o convite para o trabalho foi natural".

Terreiros homenageados também são identificados nas estampas da fantasia 2017

O processo de criação é antecedido de vasta pesquisa sobre o tema. A arte deste ano foi elaborada em dois meses. "Leio muito sobre o tema e pesquiso imagens para identificar os traços e estilos gráficos. Só depois transformo isso em uma linguagem mais contemporânea, já que não trabalhamos com elementos sagrados dos ritos religiosos", explicou Mundão. Para este ano, os associados do Ilê já podem investir em acessórios em dourado, que tem destaque na fantasia. "O dourado brilha e fica mais intenso com a predominância do branco. Mostra a riqueza da cultura jeje", afirma o artista plástico. Os terreiros jeje homenageados, além de outros símbolos que fazem referência ao tema, também são identificados na estampa deste ano. Habilidade Com a identidade fundamentada nas cores branco, amarelo, preto e vermelho, Mundão utiliza técnicas específicas para diferenciar as estampas a cada ano. "Mudo os tons das cores e, assim, consigo texturas de fundo diversas que marcam a diferença de uma estampa para outra". Ele ainda cria o figurino do Muzenza, Ilê Aiyê, Alvorada, e o Carnapelô.

Programação

Componentes 3 mil Criação de fantasia Mundão Circuitos Campo Grande e Praça Castro Alves Dia/horário Sábado, 23h45; Segunda, 19h; terça, 20h30 Fundação 1974. A entidade preserva a cultura afro-brasileira, exaltando a história africana e contribui na afirmação da identidade étnica

E tudo é pensado para garantir o melhor visual do conjunto na rua e a satisfação do folião. "Eu também sou folião. Então, penso como a estampa vai ficar posicionada no corpo, o que vai aparecer mais. Chego a fazer o projeto de quatro a cinco vezes para escolher a melhor", contou. E o resultado tem agrado ao longo do tempo. "Desfilo em todos os blocos que faço a estampa. Saio de casa com todas as fantasias do dia. Tem gente que guarda a roupa dos primeiros anos. Fico orgulhoso quando vejo o bloco na rua. Meu maior pagamento é ver as pessoas com pompa e gala pelo circuito, mostrando que somos uma nação linda", disse o designer, que sonha em ter todas as fantasias expostas em um museu.   Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA http://atarde.uol.com.br/carnaval/noticias/1840067-ile-aiye-leva-a-avenida-a-influencia-dos-povos-jeje-premium

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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