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Ilê Axé Iyá Nassô Oká / Terreiro da Casa Branca – Engenho Velho

download (3)A Casa Branca do Engenho Velho, Sociedade São Jorge do Engenho Velho ou Ilê Axé Iyá Nassô Oká é considerada a primeira casa de candomblé aberta em Salvador, Bahia.

“Terreiro da Casa Branca constituído de uma área de aproximadamente 6.800 m2, com as edificações, árvores e principais objetos sagrados, situado na Avenida Vasco da Gama s/nº, em Salvador, Bahia”. Texto do tombamento Terreiro Casa Branca, realizado em 14/8/1986 pelo IPHAN.

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Coroa do poste central

A história da Casa Branca do Engenho Velho foi contada na III Conferência Mundial da Tradição do Orixá e Cultura, realizada em Nova York, pelo representante oficial da Casa Branca, José Abade de Oliveira, Ótun Olu K’otun Jagun.

Ilê Axé Iyá Nassô Oká / Terreiro da Casa Branca

No período da escravidão no Brasil, os negros formavam suas comunidades nos engenhos de cana. Na Bahia, princesas, na condição de escravas, vindas de Oyó e Ketu, fundaram um centro num engenho de cana. Depois se agruparam num local denominado Barroquinha, onde fundaram uma comunidade de Nagô, que segundo historiadores, remonta mais ou menos 300 anos de existência.

Sabe-se que esta comunidade fora fundada por três negras africanas cujos nomes são: Adetá ou Iyá Detá, Iyá Kalá e Iyá Nassô. Não se tem certeza de quem plantou o Axé, porém o Engenho Velho se chama Ilé Iyá Nassô Oká.

O Ilé Iyá Nassô funcionava numa Roça na Barroquinha, dentro do perímetro urbano de Salvador.

Os africanos que se encontravam ali, lugar deserto naquela época, porém próximo ao Palácio de sua Real Majestade, tiveram receio da intervenção das autoridades no seu Culto, daí, Iyá Nassô resolveu arrendar terras do Engenho Velho do Rio Vermelho de Baixo, no trecho chamado Joaquim dos Couros, lugar onde se encontra até hoje, estabelecendo aí o primeiro Terreiro de Culto Africano na Bahia.

À Iyá Nassô, sucedeu Iyá Marcelina (esse foi o conflito que faz nascer o terreiro do Gantois). Após a morte desta, duas das suas filhas, Maria Júlia da Conceição e Maria Júlia Figueiredo, disputaram a chefia do candomblé, cabendo à Maria Júlia Figueiredo que era a substituta legal (Iyákekerê) tomar a posse de Mãe do Terreiro. Maria Júlia da Conceição afastou-se com as demais dissidentes e fundaram outro Ilé Axé, o (Terreiro do Gantois).

Substituiu Maria Júlia Figueiredo na direção do Engenho Velho, a Mãe Sussu (Ursulina de Figueiredo). Com a sua morte nova divergência foi criada entre suas filhas, Sinhá Antônia, substituta legal de Sussu, por motivos superiores não podia tomar a chefia do Candomblé, em consequência o lugar de Mãe foi ocupado por Tia Massi (Maximiana Maria da Conceição).

Vencendo o partido da Ordem, os dissidentes inconformados fundaram então outro Ilê Axé, o (Opó Afonjá). Talvez seja oportuno abrir um parênteses. O explanador é sobrinho de Sinhá Antônia e Ogan de Oxaguian da Tia Massi.

Maximiana Maria da Conceição, Tia Massi foi sucedida por Maria Deolinda, Mãe Oké. A direção sacerdotal do Engenho Velho foi posteriormente confiada à Marieta Vitória Cardoso, Oxum Niké, recentemente desaparecida.

Atualmente, assumiu a chefia da Casa, a Iyálorixá Altamira Cecília dos Santos, filha legítima de Maria Deolinda.

Mae-Tata

O Terreiro

Poste central do barracão

O Terreiro é de Oxóssi e o Templo principal é de Xangô. O Barracão que tem o nome de Casa Branca é uma edificação alongada com várias divisões internas que encerram residências das principais pessoas do Terreiro, como também espaços reservados aos quartos de Orixás, quarto de Axé, salão onde se realizam as festas públicas, bem como a cozinha onde se preparam as comidas sagradas. Uma bandeira branca hasteada no Terreiro indica o caráter sagrado deste espaço. No telhado do Barracão, símbolos de Xangô identificam o Patrono do Templo.

O terreno fica situado numa encosta que se estende até uma costa de 30.00m com declividade de 30%, no lado direito da atual Avenida da Gama, no sentido de progressão para o Rio Vermelho, entre as Ladeiras Manoel do Bonfim e do Bogun, na Unidade Espacial C-5 em Salvador – Bahia. Ocupa uma área de 6.000m². Seu endereço fica na avenida Vasco da Gama, 463. Ao redor do Barracão existem várias casas dos orixás.

Situação atual

No início, as atividades do Ilê Axé sofreram perseguições da sociedade e pela polícia. Já no período da República, o candomblé estava proibido de exercer as suas atividades e os terreiros ficaram subjugados à Delegacia de Jogos, Entorpecentes e Lenocínio.

Hoje, porém a situação é diferente. Existe na Prefeitura de Salvador, o Projeto MAMNBA da Pró-memória, sob a direção do Antropólogo Ordep José Trindade Serra, cujo objetivo é proceder ao Mapeamento de Sítios e Monumentos Religiosos Negros na Bahia.

Em 14 de junho do corrente ano, o Ministério da Cultura, a Prefeitura Municipal de Salvador e o Ministério das Relações Exteriores, em conjunto lançaram oito postais sobre o Ilê Axé Iyá Nassô Oká e a revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional publicou a reportagem “A Coroa de Xangô no Terreiro da Casa Branca”. Chegou então a hora da proteção a todos os Terreiros de Candomblé do Estado.
Diante da solicitação da Sociedade Beneficente São Jorge do Engenho Velho, conforme fundamentação e comprovação firmada pelo presidente, Sr. Antônio Agnelo Pereira, cultor de etnografia afro e diplomado em Língua Yorubá pelo Centro de Estudos Afro Orientais da Universidade Federal da Bahia, o Conselho Estadual de Educação aprovou a introdução da Língua Yorubá nos Currículos de 1º e 2º Graus nos Colégios de Rede de Ensino do Estado.

O Ilê Axé Iyá Nassô é o 1º Templo de Culto Religioso Negro no Brasil – Casa Branca do Engenho Velho.

É o primeiro Monumento Negro considerado Patrimônio Histórico do Brasil desde o dia 31 de maio de 1984 (Tombamento do Terreiro do Engenho Velho).

Antes disso, em 1982, o Terreiro já havia sido tombado como Patrimônio da Cidade do Salvador 1ª Capital do Brasil.

Em 1985 o Terreiro do Engenho Velho foi considerado Axé Especial de preservação Cultural do Município de Salvador.

A Sociedade São Jorge do Engenho Velho, representante legal da Comunidade do Ilê Axé Iyá Nassô Oká foi considerada de utilidade pública Municipal e Estadual. É Membro do Conselho Geral do Memorial Zumbi.

Atualmente está feito o Plano de preservação do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho e prepara-se o Projeto de Recuperação da área em convênio com o Ministério da Cultura e a Prefeitura Municipal do Salvador.

O Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, mais antigo do Brasil, tem como Iyálorixá a Venerável Altamira Cecília dos Santos.

 

Possui um vasto Colégio Sacerdotal composto pelas Iyás, egbomins, Ogans e Olossés, além de muitas Iyáwôs e Abians.

Sacerdotisas

Iyá Nassô – africana considerada uma das fundadoras da primeira casa de candomblé em Salvador, e a primeira Iyálorixá da Casa Branca-Engenho Velho.

Maria Júlia Figueiredo – filha de sangue de Iyá Nassô , a fundadora do candomblé da Barroquinha e responsável por trazer o culto de Xangô para a Bahia .

Ursulina de Figueiredo
Maximiana Maria da Conceição
Maria Deolinda
Marieta Vitória Cardoso
Altamira Cecília dos Santos ou Mãe Tata – filha legítima de Maria Deolinda , é a atual Iyálorixá do Ilê Axé Iyá Nassô

A Sociedade Beneficente e Recreativa São Jorge do Engenho Velho que representa o candomblé da Casa Branca, foi fundada a 25 de julho de 1943, registrada no Cartório Especial de Títulos e Documentos em 2 de maio de 1945 sob nº 15.599, declarada de utilidade pública pela Lei Municipal 759 de 31 de dezembro de 1956, é regida por Estatuto e tem personalidade jurídica.

Sua Diretoria é composta por um presidente, um vice, 1º e 2º secretário, 1º e 2º tesoureiro. Assembleia geral, com presidente, 1º e 2º secretários. Comissão fiscal, composta por três membros.

Atualmente a Diretoria da Sociedade é exercida pelo Sr. Antônio Agnelo Pereira, ministro de Oxalá, Axogum e Obalaxé do Ilê Iyá Nassô Oká, Casa Branca.

images (3)Calendário de festas

As obrigações religiosas do Ilê Axé começam no fim de maio ou princípio de junho com a Festa de Oxóssi. No dia de Corpus Christi tem a tradicional Missa de Oxóssi.

A Festa de Xangô Airá é realizada no dia 29 de junho.

Na última sexta-feira de agosto, realiza-se a Cerimônia das Águas de Oxalá, seguindo-se os três domingos consecutivos, nos quais se festeja Odudwa no primeiro, Oxalufan no segundo e a Festa do Pilão em homenagem a Oxaguian, no último domingo.

Na segunda-feira imediata, festeja-se Ogum e na seguinte Omolú.

Havendo, no entanto, um espaço para iniciação de novas filhas, prossegue as festas em louvor a Yansã, Xangô, Festa das Iabás e Oxum, terminando o ciclo festivo no final de novembro.

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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