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Ilê Axé Opó Afonjá: terreiro é símbolo de resistência no bairro do Cabula

O lugar é um dos símbolos da resistência cultural dos descendentes dos negros escravizados em Salvador

Especial de Conteúdo

24/10/2017 às 14h02

 

Foi em 1910, há 107 anos, que Eugênia Anna Santos (a Mãe Aninha Obá Biyi) fundou o terreiro Ilê Axé Opó Afonjá na Rua Direta de São Gonçalo do Retiro, na casa de número 557, no bairro do Cabula. E quando ela o fez, talvez não soubesse a importância histórica que o lugar ganharia nas décadas seguintes, vindo a ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 28 de julho de 2000. O seu nome significa Casa da Força sustentada por Xangô.

O lugar é um dos símbolos da resistência cultural dos descendentes dos negros escravizados em Salvador. Também conhecida como Casa de Xangô, o terreiro se tornou o segundo templo de cultura afro-brasileira a receber o status de patrimônio nacional – o que mostra a sua importância não apenas em Salvador, mas em todo o Brasil.

Foto: Reprodução

A Casa de Xangô está situada em uma área de 39 mil metros quadrados, que abrange não apenas o templo religioso, mas edificações de uso habitacional e a Escola Eugênia Anna dos Santos. Além disso, o Museu Ilê Ohum Ilailai e a Biblioteca Ikojppo Ilê Iwe Axé Opô Afonjá também estão situados no local. A maior parte do terreno, porém é destinada a uma área de vegetação densa – uma das poucas no bairro do Cabula.

Fundação e história
O Ilê Axé Opó Afonjá foi fundado por Mãe Aninha, que comandava um grupo dissidente do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho. Devido à topografia do lugar, as edificações foram construídas de modo mais ou menos linear, usando as áreas mais planas da cumeada.

Mãe Aninha comandou o terreiro até 1938, quando veio a falecer. Ainda durante o período em que estava no comando, foi criada a Sociedade Civil da Santa Cruz, com o intuito de manter o trabalho do Axé e também representá-lo civilmente. Com a morte de Mãe Aninha, foi Mãe Senhora quem assumiu o comando do lugar, seguida por Mãe Ondina e finalmente Mãe Stella de Oxóssi, que comanda o terreiro desde 1976.

O candomblé praticado no Xangô é de rito Ketu, de nação Nagô, ou seja, possui descendência Iorubá, oriundo da região da Nigéria, Benin e Togo.

Atualmente, a Casa de Xangô tem a importância de formação, preservação e difusão da memória e da história dos africanos no Brasil. Uma dessas difusões acontece por meio da Escola Eugênia Anna dos Santos, municipalizada em 1998, onde também se ensina o Iorubá e a História da África.

Além disso, o Museu Ilê Ohum Ilailai, fundado em 1981, e a Biblioteca Ikojppo Ilê Iwe Axé Opô Afonjá, fundada em 1996, são outros importantes centros de preservação da história do terreiro e dos africanos no Brasil.

Importância e tombamento
Mãe Aninha foi a responsável pela liberação legal do culto aos orixás. Em 1936, ela foi até o Rio de Janeiro, onde conseguiu uma audiência com o então presidente Getúlio Vargas. Foi por causa dessa audiência que, em 1939, foi proclamado o Decreto 1.202, que retirou dos municípios o poder de repressão direta aos terreiros e à capoeira.

O tombamento aconteceu em 28 de julho de 2000 e garantiu que o terreiro continuasse no local. Além disso, agora há um impedimento para que as construções ali sejam demolidas, o terreiro passou a compor patrimônio e garantiu o direito de ser preservado para as próximas gerações. O tombamento garantiu também que o terreiro passe por intervenções para manter a sua integridade com o uso de recursos públicos.

 

Extraído do site de notícias IBahia / Salvador – BA
http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/ile-axe-opo-afonja-terreiro-e-simbolo-de-resistencia-no-bairro-do-cabula/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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