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“Importância do Dinheiro (Owó) como Oferenda (Ẹbọ)”

“Importância do Dinheiro (Owó) como Oferenda (Ẹbọ)”

Este é um dos temas que muitos devotos da Religião Tradicional Indígena Iorubá (Ẹ̀sìn Ìbílẹ̀ Yorùbá) devem ou deveriam buscar um maior esclarecimento.

O Ẹbọ (sacrifício/oferenda) ou Etùtù (rito de apaziguamento) têm como objetivo neutralizar alguma negatividade e/ou atrair alguma positividade para a vida do devoto. Quando Ifá (oráculo) é consultado, ele apresenta através da sabedoria do sacerdote, o que pode ser feito através de oferendas para neutralizar o negativo e atrair o positivo. Os elementos utilizados nestas, devem todos ser comprados com o dinheiro do ofertante, pois, isso é uma parte do sacrifício (destinar parte de seus ganhos à divindade). Outra parte do sacrifício é pagar ao sacerdote o valor combinado pelo trabalho, pois, o mesmo não só trabalhou fisicamente como também teve um gasto energético para intermediar você e a divindade, logo, é o velho ditado, “toda fonte que se tira água e não se repõem um dia seca”, portanto, o dinheiro pago ao sacerdote não é o dinheiro que o mesmo vai pagar suas contas ou enriquecer, não, é o dinheiro que o mesmo receberá para recarregar suas próprias energias e também, é uma forma do devoto (ofertante) agradecer ao ORÍ do sacerdote pela realização do trabalho.

Quanto mais isso for valorizado pelo ofertante, melhor para ambos, sacerdote e ofertante.

Não cabe ao sacerdote impor preços abusivos, dificultando a realização do trabalho, ao contrário, cabe ao sacerdote facilitar ao devoto, mas cabe também ao devoto a consciência de que as oferendas de comida e bicho em si, não bastam…

Até mesmo os sacerdotes, quando raramente precisam fazer ẹbọ’s em si mesmos, precisam pagar em dinheiro o sacrifício, o dinheiro normalmente é deixado em cima da oferenda na encruzilhada ou dado de esmola à quem o Ifá (oráculo) determinar.

Sempre o dinheiro fará parte da oferenda, e é preciso entender também, que o ẹbọ para trazer o resultado buscado, precisa estar completo, com todos os itens, caso contrário, será um ẹbọ incompleto e a vida não é incompleta, “ou se está vivo ou morto”, não metade vivo…

É preciso ressaltar também que, o trabalho deve ser pago com prazer, porque o pagamento faz parte da oferenda, do ritual e se isso for feito de uma forma negativa, essa negatividade pode prejudicar e muito o ofertante e o próprio sacerdote. É importante esclarecer isso, já que os devotos de Irúnmọlẹ̀ (Orixás) não podem ter a visão de que o dinheiro é algo sujo, não, pelo contrário, inclusive temos uma divindade dentro de nossa religião cultuada para isso, chamada Ajé (Divindade da Riqueza). E também é preciso lembrar que só somos valorizados, quando nos valorizamos.

Sacerdote nenhum FICA rico através da religião, a não ser que ele cobre valores abusivos e pessoas desesperadas paguem por isso…

Em suma, espero que a visão do pagamento, não seja vista apenas como um cliente pagando por um produto, e sim como uma parte do ritual, da oferenda, o que de fato é.

Ire o!
Por Zarcel Carnielli (Ọlọ́bàtálá Òṣàláṣínà)

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About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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