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Incêndio atinge Terreiro de Alaketu no Luís Anselmo; integrantes acusam vizinhos

Há duas semanas árvore que ficava dentro do terreiro caiu, deixando uma pessoa morta e quatro feridas

Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)

14/12/2016 16:31:00Atualizado em 14/12/2016 18:41:59

 

Um incêndio atingiu o quintal do Terreiro de Alaketu, localizado na Rua Luís Anselmo, na tarde desta quarta-feira (14). Integrantes do terreiro acreditam que o incêndio foi criminoso, em retaliação à queda de uma árvore duas semanas atrás, matando uma idosa e deixando mais quatro feridos.

 O incêndio ficou restrito ao quintal, não atingiu a casa Foto(Saulo Miguez/CORREIO)
O incêndio ficou restrito ao quintal, não atingiu a casa
Foto(Saulo Miguez/CORREIO)

O coordenador do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Marcos Rezende, confirmou a ameaça. “Disseram que iam queimar tudo, mas achamos que era algo que se diz da boca para fora”, lamenta o militante do movimento negro, que acompanha o caso desde a queda da árvore. Segundo Jocenilda Bispo, mãe pequena do terreiro, as chamas começaram por volta das 13h30. O incêndio ficou restrito ao quintal, não atingiu a casa. “(Os moradores) disseram que iam botar fogo, anteontem (12)”, declarou. Jocenilda é prima de Vanda Marins Ribeiro, 62, que morreu com a queda da árvore.

Até 15h45 desta quarta (14), o Corpo de Bombeiros ainda não havia chegado ao local, embora Jocenilda afirme que eles foram acionados assim que o incêndio foi percebido. Membros do terreiro e moradores da vizinhança ajudaram a apagar as chamas, mas focos de incêndio ainda podiam ser vistos.

Conflito
Marcos Rezende culpa órgãos públicos pelo conflito. “A forma como o poder público tratou a questão tem deixado a comunidade muito chateada. A prefeitura está fazendo o corte de retirada sem nenhum cuidado, ontem um tronco rolou e atingiu mais uma casa”, afirma. O militante questiona a presença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), já que o terreiro é tombado. “O Iphan tem sido omisso. Se fosse uma igreja, ia fazer igual?”.

A Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), que está retirando o resto da árvore, negou a queda de outra parte da árvore. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o terreno dificultou a operação, pois impede a utilização de veículos. A Seman afirma ainda que escolheu cuidar da remoção após um pedido do terreiro, já que a responsabilidade seria do Iphan.

Recorrente
De acordo com Jocenilda, não é a primeira vez que o Terreiro de Alaketu sofre um atentado. No fim do ano passado, outro incêndio atingiu o templo religioso. Jocenilda conta que pessoas estavam querendo invadir o terreno. “Prestamos queixa na polícia, na defesa civil o no Iphan, mas ninguém tomou providências”, lamenta.

Outra moradora da região, que preferiu não se identificar, confirmou que esta não é a primeira vez que o terreno sofre com incêndios. “Todo ano tem isso. Hoje foi muito fogo, muita fumaça. Por pouco as chamas não chegaram na minha casa”, afirmou a moradora que precisou sair de casa para não sufocar com a fumaça.

O dono de um pet shop que fica próximo ao loca do incêndio disse que precisou tirar oito cachorros que estavam na loja para os animais não morrerem. “Saí correndo com os cachorros e levei para minha casa porque se não eles teriam falta de ar”, contou Sidnei Silva. Sidnei disse ainda que distribuiu máscaras para as pessoas que estavam na rua se protegerem da fumaça. Ele não sabe qual foi a causa do incêndio.

Um outro comerciante da região relatou que no momento do incêndio as pessoas que estavam no estabelecimento dele precisaram correr para a rua. “Tanto os clientes daqui quanto os do restaurante do lado saíram correndo por conta da fumaça. Uma mulher chegou a passar mal”, disse Antôniel Santiago de Jesus, proprietário do mercadinho Verdurão.

 

Extraído do site do Jornal Correio 24hs / Salvador – BA
http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/incendio-atinge-terreiro-de-alaketu-no-luis-anselmo-integrantes-acusam-vizinhos/?cHash=1b76d219cee7c8e57b209d56b08df010

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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