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Incêndio destrói terreiro Ylê Axé Oyá Bagan, no Paranoá

AsIpPoyRzs_E1RaiR9yFfoRyyumccEvNBlpB06pNJOnp-840x577Há suspeitas de que fogo tenha sido provocado por motivo de intolerância religiosa. Todo o barracão foi consumido pelas chamas

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MAÍRA DE DEUS BRITO

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CAROLINE BCHARA

 

27/11 9:38 , ATUALIZADO EM 27/11 17:51

 

O terreiro Ylê Axé Oyá Bagan, localizado no Núcleo Rural Córrego Tamanduá, no Paranoá, foi incendiado por volta das 5h desta sexta-feira (27/11). “Queimaram todos os nossos santos. Destruíram nosso barracão”, lamentou Marta Carvalho, filha da casa. A Polícia Civil já foi acionada e investiga o caso. Segundo o delegado-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Marcelo Portela, ainda não é possível dizer se o incêndio foi criminoso, praticado por grupos que praticam a intolerância religiosa.

“Teremos uma resposta após o laudo pericial. Por enquanto não podemos descartar nenhuma possibilidade, porque tanto pode ter sido um curto-circuito ou uma ação criminosa”, afirmou o delegado.

O policial teme que o incêndio tenha sido de natureza criminosa e explica que, por isso, já agilizou o início das investigações. “Agora vamos monitorar o local e procurar evidências. Também vamos mapear os grupos que pregam a intolerância religiosa para ver se há a possibilidade de ter partido de algum deles”, pondera.

Luta
Mãe Baiana, que comanda a casa de candomblé, estava visivelmente emocionada na manhã desta sexta, o ver o local destruído. “Vou continuar lutando pelo meu povo, pelos meus ancestrais e contra a intolerância religiosa. Eu tenho a minha espiritualidade e a a minha crença a dar, e aqui ela vai continuar”, diz Mãe Baiana.

Mãe Baiana recebeu uma ligação do governador Rodrigo Rollemberg (PSB), que se solidarizou com ela e se comprometeu a investigar o caso. Em nota, o GDF informou que “repudia ações de perseguição, violência ou tentativa de cerceamento do direito constitucional de liberdade de crença religiosa e lamenta os danos materiais e imateriais gerados pelo incêndio.”

Também foram acionados a Procuradoria-Geral da República e a procuradora federal Lígia Maria da Silva Azevedo Nogueira, da Fundação Cultural Palmares. “A Mãe Baiana é hoje a maior porta-voz da questão da intolerância religiosa. Ela é a líder dos líderes religiosos do DF e do entorno. Atingir a mãe é atingir todo o movimento da liberdade”, afirma a procuradora.

Mãe Baiana registra ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia, no ParanoáCaroline Bchara/Metrópoles
Mãe Baiana registra ocorrência na 6ª Delegacia de Polícia, no ParanoáCaroline Bchara/Metrópoles

 

Ela afirma que o terreiro está tendo todo apoio dos órgãos do DF e que o laudo da perícia vai subsidiar o boletim de ocorrência que registraram agora à tarde. O ataque será denunciado à Fundação Palmares, à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e ao Ministério da Justiça.

Marta Carvalho, uma das filhas da casa, explicou que a desconfiança é de que o incêndio tenha sido criminoso. “São muitos casos assim no DF. De maio para cá já foram 13. Estamos todos muitos abalados com a situação”, afirmou a produtora cultural com os olhos cheios d’água.

 

Local foi totalmente consumido pelas chamasArquivo Pessoal/Marta Carvalho
Local foi totalmente consumido pelas chamasArquivo Pessoal/Marta Carvalho

Segundo o Corpo de Bombeiros não houve feridos. A perícia foi solicitada com prioridade, então o delegado acredita que tenha com o que trabalhar já nos próximos dias.

Na última sexta-feira (20), o Metrópoles publicou uma reportagem sobre a intolerância racial, destacando os ataques aos terreiros. A publicação faz parte de uma série de matérias em homenagem ao Mês da Consciência Negra.

Acompanhamento
O secretário-adjunto de Igualdade Racial, Carlos Alberto Santos, esteve no local do incêndio: “A gente vem acompanhando os casos há um ano e há uma grande incidência de depredação de terceiros de matriz africana. No início ficava a dúvida porque os casos eram no Entorno. Mas esse foi no DF e o governo vai tomar providências”.

Ele garantiu que o Governo do DF vai acompanhar de perto as investigações para identificar e punir os eventuais culpados.

Série de ataques
Há quase três meses, casas de candomblé do Distrito Federal e entorno sofreram ataques quase simultâneos. Na noite do 11 para o dia 12 de setembro foram registradas três agressões. A primeira foi na casa de Babazinho de Oxalá, em Santo Antônio do Descoberto. O local ficou totalmente destruído. Foi o segundo ataque no terreiro em pouco tempo.

A casa de Baba Djair de Logun Ede, em Águas Lindas, teve o portão destruído com um carro e foi parcialmente incendiada. O último ataque foi no terreiro de Pai Adauto, em Valparaíso, apedrejado durante a mesma madrugada.

Extraído do site Metrópoles / Brasília – DF
http://www.metropoles.com/distrito-federal/incendio-consome-terreiro-yle-axe-oya-bagan-no-paranoa?fb_action_ids=660636670706075&fb_action_types=og.comments

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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