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Incêndio em terreiro em zona rural do DF foi acidental, diz Polícia Civil

‘Fiação precária’ e ‘materiais combustíveis’ foram as prováveis causas.

Delegado diz que investigação dos Bombeiros ‘descaracterizou a cena’.

 11/02/2016 20h25 – Atualizado em 11/02/2016 20h25

Alexandre BastosDo G1 DF

Ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá, no DF, em novembro (Foto: Toninho Tavares/GDF)
Ruínas de terreiro de candomblé incendiado no Paranoá, no DF, em novembro (Foto: Toninho Tavares/GDF)

A Polícia Civil anunciou nesta quinta-feira (11) que o incêndio ocorrido em um terreiro no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá em novembro passado foi acidental, de acordo com laudo do Corpo de Bombeiros. O documento aponta que “fiações precárias e materiais altamente combustíveis” encontrados no local deram início ao fogo. O laudo da Polícia Civil ainda não foi concluído.

O incêndio aconteceu no dia 27 de novembro no terreiro Ilê Axé Oyá Bagan. No galpão do local foram encontrados tecidos, entre as cinzas, instrumentos musicais, madeira, atabaques e outros materiais inflamáveis.

Ainda segundo a polícia, o laudo aponta que o barracão onde os materiais eram guardados é feito de placas de madeira, o que favoreceu o incêndio. Segundo o delegado-chefe da 6ª DP, Marcelo Portela, o laudo foi suficiente para concluir a investigação.

“As conclusões do laudo do Corpo de Bombeiros determinam que as condições da instalação elétrica do local são precárias. Tudo isso favoreceu a ocorrência de um curto-circuito no galpão, onde havia objetos que favoreceram a propagação do incêndio, como fiação precária e exposta. No dia houve uma chuva fina, que pode ter contribuído para esse curto-circuito.”

As conclusões do laudo do Corpo de Bombeiros determinam que as condições da instalação elétrica do local são precárias. Tudo isso favoreceu a ocorrência de um curto-circuito no galpão, onde havia objetos que favoreceram a propagação do incêndio, como fiação precária e exposta. No dia houve uma chuva fina, que pode ter contribuído para esse curto-circuito”

Marcelo Portela, delegado-chefe da 6ª DP

O delegado afirma que a polícia ouviu testemunhas que disseram não haver nenhum tipo de “contenda” que pudesse ter motivado um incêndio criminoso. O Ilê Axé Oyá Bagan fica em uma região rural entre o Lago Norte e o Paranoá.

Segundo a polícia, a administradora do local, Adna Santos, conhecida como Mãe Baiana, também afirma que nunca houve casos de brigas com vizinhos. O G1 tentou contato com Adna, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Portela disse que o laudo da Polícia Civil ainda não foi concluído porque a investigação dos bombeiros “descaracterizou a cena do crime”. O delegado afirma que objetos foram removidos do local e isso impediu que a polícia terminasse o laudo. Portela afirma ainda que as investigações da polícia estão encerradas e o laudo da corporação “deve terminar inconclusivo”.

O G1 não conseguiu contato com o Corpo de Bombeiros até a última atualização desta reportagem.

Apesar de o GDF anunciar em janeiro a criação da primeira delegacia especializada em crimes de intolerância religiosa do DF, a investigação do incêndio foi realizada pela 6ª DP porque a unidade ainda não foi criada.

O delegado-chefe da 6ª DP, do Paranoá, Marcelo Portela (Foto: Alexandre Bastos/G1)
O delegado-chefe da 6ª DP, do Paranoá, Marcelo
Portela (Foto: Alexandre Bastos/G1)

Entenda o caso
O templo Axé Oyá Bagan, de matriz africana, foi incendiado na madrugada no dia 27 de novembro. Seis pessoas dormiam no local no momento, mas ninguém ficou ferido. O barracão ficou destruído.

O incêndio foi um dos incidentes do tipo registrados em locais de culto no Distrito Federal. O fato foi denunciado por meio do Disque 100, canal da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Em setembro de 2015, dois templos de religiões de matriz africana foram incendiados em Águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, no Entorno. O terreiro de Santo Antônio, do babalorixá Babazinho de Oxalá, já tinha sido alvo de outros ataques.

Denúncias sobre atos de intolerância religiosa, racismo, xenofobia e outros tipos de discriminação podem ser encaminhadas à ouvidoria do MPDF, pelos números 127 ou 0800-644-9500, ao Disque 100 ou ao Disque Racismo, no 156, opção 7.

 

Extraído do portal de notícias G1 / Distrito Federal
http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2016/02/incendio-em-terreiro-em-zona-rural-do-df-foi-acidental-diz-policia-civil.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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