Breaking News

Infância de Exu rende lindo espetáculo sobre diversidade

‘Eleguá, Menino e Malandro’, uma ode à cultura afro-brasileira, é exemplo de peça alto astral e musicalmente bem dirigida – e é grátis

Por Dib Carneiro Neto – atualizada em 05/05/2017 12h46

 

 

Diversas culturas são apresentadas no espetáculo (Foto: Gal Oppido)

Deve ser algo que acontece com todos os que gostam de teatro. Sinto um prazer imenso quando vou sem expectativas a uma peça e saio tendo descoberto uma grata surpresa, um espetáculo redondinho, em que tudo funciona bem, empolgante, instigante, criativo. Não é o máximo? Pois aconteceu comigo de novo, desta vez na plateia da Sala Jardel Filho do Centro Cultural São Paulo, com o espetáculo infantil Eleguá, Menino e Malandro. Que achado! Que astral bom!

A diretora e autora é Antonia Mattos, que ganhou prêmio de revelação de atriz no ano passado por Caminho da Roça, do premiado grupo As Meninas do Conto. Bem se vê o quanto a moça é boa também fora do palco. Ela dirige tudo com uma agilidade envolvente, um ritmo certeiro. E três ótimos atores (Giselda Perê, Renato Caetano e Rubens Alexandre) fazem os mesmos personagens, em revezamento – o que sempre é rico no teatro para crianças, pois revela o quanto o teatro não passa de um jogo em que tudo é possível e permitido. Um jogo que espelha a vida, já que também trocamos de papeis constantemente em nosso dia a dia.

Trilha musical tem rap, blues, repente nordestino e até funk (Foto: Gal Oppido)

De cara, a trilha ao vivo merece todo o nosso respeito. Jonathan Silva, diretor musical e autor das canções da peça, permanece em cena com Rômulo Nardes e, juntos, os dois fazem maravilhas inacreditáveis, sobretudo na percussão. Com bem nos informa o material de imprensa, os protagonistas da trilha são os batás, tambores sagrados africanos usados pela cultura musical afrocaribenha.  Não existiria o espetáculo sem esta forte ‘pegada’ musical, que inclui ainda o rap, o blues, o repente nordestino e até o funk. Saímos do teatro contagiados pela alegria e, mais que isso, contaminados pela espiritualidade ancestral retratada na trilha.

A peça conta a história do irrequieto menino Eleguá e sua infância de muitas brincadeiras e perambulações pelo mundo. Ele vive sua meninice com plena potência de vida. Para quem não sabe, Eleguá, travesso e zombador, é outro dos nomes pelo qual o orixá Exu é conhecido. Sem forçar a barra, sem pregações, sem didatismos, o espetáculo é importantíssimo para que seus filhos possam conhecer outras culturas, outras religiosidades, outras raças.

Não há melhor forma de criar filhos mentalmente saudáveis do que mostrar a eles as diferenças presentes no mundo. Só com conhecimento na infância é que se pratica o respeito na idade adulta. Eleguá, Menino e Malandro, nesse sentido, é obrigatório. Corra com a família e mostre às suas crianças como é valoroso o universo afrobrasileiro do qual todos fazemos parte. Vida longa ao espetáculo.

SERVIÇO
Local: Sala Jardel Filho / Centro Cultural São Paulo (CCSP). Endereço: Rua Vergueiro 1000 – Paraíso – São Paulo. Telefone: 11  3397-4002 . Quando: Sábados e domingos, às 16h. Ingressos: grátis. Classificação etária: livre. Temporada: 15 de abril a 21 de maio de 2017.

 

Dib Carneiro Neto (Foto: Acervo Crescer)


Dib Carneiro Neto
 é jornalista, dramaturgo (Prêmio Shell 2008 por Salmo 91), crítico de teatro infantil e autor dos livros Pecinha É a Vovozinha e Já Somos Grandes, entre outros. Escreva para ele: redacaocrescer@gmail.com ou acesse Peddinha É a Vovozinha.

 

 

 

Extraído do site da Revista Crescer da editora Globo
http://revistacrescer.globo.com/Colunistas/Dib-Carneiro-Neto/noticia/2017/05/infancia-de-exu-rende-lindo-espetaculo-sobre-diversidade.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *