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Inquisidores ‘da irmandade evangélica’ preocupam jornal

SÁBADO, 20 DE JUNHO DE 2015

 

Folha afirma que a Câmara se transformou em uma espécie de picadeiro pseudorreligioso
Folha afirma que a Câmara
se transformou em uma espécie
de picadeiro pseudorreligioso

A “Folha de S.Paulo” alertou que os “inquisidores da irmandade evangélica” estão avançando sobre a ordem democrática brasileira e sobre o patrimônio da cultura liberal do Estado.

Os tais inquisidores, segundo o jornal, agem em colaboração com “os demagogos da bala e da tortura”.

“Diante deles, não prevaleça a submissão”, afirmou o jornal no seu editorial do dia 14.

“Um espírito crescente de fundamentalismo se manifesta (…) em setores da sociedade brasileira — e, como nunca, o Congresso Nacional parece empenhado em refleti-lo, intensificá-lo e instrumentalizá-lo com fins demagógicos e de promoção pessoal”, afirmou.

O que há bom, segundo o jornal, é a recuperação da Câmara e do Senado como órgãos independentes do Executivo, estimulando um debate que estava sufocado.

Mas o lamentável, segundo a “Folha”, é que há “visíveis sintomas de reacionarismo político, prepotência pessoal e intimidação ideológica”.

E a vítima dessa conjunção de fatores tem sido a laicidade do Estado, além da própria democracia.

“Tornou-se rotineiro, nos debates do Congresso, que este ou aquele parlamentar invoque razões bíblicas para decisões que cumpre tratar com racionalidade e informação”, afirmou o jornal.

“Condena-se a união homoafetiva, por exemplo, em nome de preceitos religiosos e de textos — não importa se a Bíblia ou o Corão — que podem muito bem ser obedecidos na esfera privada, mas pouco têm a contribuir para a coexistência entre indivíduos numa sociedade civilizada e plural.”

O jornal afirmou que as religiões, obviamente, podem pregar a seus fiéis o que mandam seus dogmas, ainda que discutíveis, como a submissão da mulher ao homem, a proibição a determinado tipo de alimento, o consumo do álcool, reprovação do onanismo, o uso de vestuário ou de corte de cabelo.

Mas o Código Penal não pode se adaptar ao texto bíblico, disse o jornal. “Sobretudo, não é função do Estado legislar sobre a vida privada.”

O jornal responsabilizou em parte o deputado evangélico Eduardo Cunha (PMDB-RS), presidente da Câmara, pela guinada conservadora de cunho religioso que tem se verificado no parlamento.

Há momento em que o Legislativo se transforma “numa espécie de picadeiro pseudorreligioso, onde se encenam orações”.

“Nos tempos de Eduardo Cunha, mais do que nunca a bancada evangélica se associa à bancada da bala para impor um modelo de sociedade mais repressivo, mais intolerante, mais preconceituoso do que tem sido a tradição constitucional brasileira.”

O editorial pegou como exemplo do que pode ocorrer com o Brasil a história do romance “Submissão”, de Michel Houellebecp.

O livro faz o relato em um futuro não distante da aliança na França entre políticos moderados e fundamentalistas religiosos, integrantes da “Fraternidade Muçulmana”. Em consequência, o país se vê submetido à repressão e ao obscurantismo, destacando-se o preconceito religioso.

O jornal observou que o Brasil não é a França, mas em grandes cidades como São Paulo, Rio e Brasília tem havido casos de intolerância religiosa, que podem ser a semente de uma “fraternidade evangélica”.

 

Com informação da Folha de S.Paulo e foto de divulgação.

Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2015/06/inquisidores-da-irmandade-evangelica-preocupa-jornal.html#ixzz3do4Bfx8Z 
Paulopes informa que reprodução deste texto só poderá ser feita com o CRÉDITO e LINK da origem.

 

Extraído do blog do Jornalista Paulo Lopes
http://www.paulopes.com.br/2015/06/inquisidores-da-irmandade-evangelica-preocupa-jornal.html#.VYgrdPlVjzl

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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