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(In)tolerância religiosa

04/07/2015

Segundo Mateus, no seu Evangelho (XXII: 34-40), um fariseu, doutor na sinagoga, interrogou Jesus qual o maior mandamento, a que respondeu o Mestre: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo’, denotando que a Sua religião era o Amor, em todas as suas manifestações.

 

Se Ele fez que entendêssemos o amor também como respeito às convicções alheias, recomendando que amássemos até os inimigos, Deus, por sua vez, concedeu-nos plena liberdade responsável de pensamento e ação.

 

Crenças religiosas são maneiras de pensar, filosofias de vida e de morte. É sentimento enobrecido pelo ideal de sublimação ante às injunções mundanas. Se nos propomos sublimar os anseios íntimos, com vistas à salvação do espírito, em nada nos adianta frequentar templos, igrejas, centros espíritas, sinagogas, terreiros, sem respeitar o Respeitável. Amar o Pai começa por amar Seus filhos.

 

Jesus, em outra oportunidade, aconselhou-nos que ‘fizéssemos aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem’, e nos advertiu, ainda: ‘Se a vossa justiça não exceder a dos fariseus e publicanos, que mérito tereis?’

 

Ao menos do lado cristão do mundo, aprendemos a tolerar a crença dos outros, assim como cumpre aos outros tolerar a nossa, por mais absurda que lhes possa parecer, porque trata-se de convicção, é fé.

 

Com efeito, é de uma inadmissível intolerância religiosa a agressão contra a menina Kaillane Campos, de apenas 11 anos, que, num ponto de ônibus do Rio de Janeiro, vista paramentada para o culto de sua crença, foi apedrejada, talvez, por indivíduos que, equivocadamente, se dizem religiosos, mas renegam a quem busca a Deus por caminho que não seja o deles.

 

É incondicional o amor cristão. Hei de amar meu semelhante, ainda que ele não pense como eu penso, o que evoca Voltaire: ‘Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o direito de dizê-la.’

 

Felipe Salomão

Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca

 

 

Extraído do site GCN / Franca – SP
http://gcn.net.br/noticia/290657/opiniao/2015/07/intolerancia-religiosa

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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