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JEITO DE MILÍCIA: Grupo evangélico acusado de intolerância vai ser investigado

MP é o 1º a abrir inquérito para apurar se há violência contra religiões de matriz africana

 

 

 

Liberdade religiosa. Grupo Gladiadores de Altar da Igreja Universal tem práticas que lembram treinamento militar e causam preocupação
Liberdade religiosa. Grupo Gladiadores de Altar da Igreja Universal tem práticas que lembram treinamento militar e causam preocupação

 

PUBLICADO EM 25/03/15 – 03h00

 

LUÍSA LOES

 

Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal (MPF) na Bahia vai instaurar um inquérito civil para investigar casos de intolerância religiosa contra religiões de matriz africana. A decisão foi tomada após uma representação feita pelo Coletivo de Entidades Negras (CEN), na sede do órgão, em Salvador.

Na segunda-feira, líderes religiosos em 24 capitais do Brasil entregaram nas sedes estaduais do MPF um mesmo documento pedindo a proteção de seguidores de crenças afro contra os Gladiadores do Altar. O MPF da Bahia foi o primeiro a abrir um inquérito em resposta.

Projeto da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), os Gladiadores do Altar reúnem milhares de jovens com o objetivo de formar pastores. A postura militar do grupo, que usa uniforme, marcha e grita palavras de ordem como num batalhão do Exército, gerou controvérsia no início deste mês, quando o vídeo de um culto caiu na internet. Mas, em nota, a Universal respondeu às críticas dizendo que o programa “auxilia os jovens, no Brasil e em outros países, que se sentem vocacionados para o trabalho missionário. Em sua maioria, são pessoas que pretendem retribuir o apoio que receberam quando estavam em situação de risco ou de vulnerabilidade social”.

Denúncia. O documento entregue aos MPFs estaduais por grupos afros diz que, por décadas, a Iurd promove um massacre cultural e religioso contra as religiões tradicionais de matriz africana, perpetrando uma contínua, incansável, declarada e brutal perseguição pelos meios de comunicação social. “A Iurd promove o ódio religioso e, por meio da bancada evangélica no Congresso Nacional, estimula o fundamentalismo nas instâncias legislativas de nosso país, atentando contra o princípio constitucional que garante a laicidade do Estado”.

Makota Kizandembu Kiamaza, membro da Coordenação Executiva Nacional do Monabantu – Movimento Nacional Nação Bantu, que atua em Belo Horizonte, declarou à reportagem de O TEMPO que os Gladiadores incitam a morte dos seguidores das religiões afro-brasileiras. “As religiões negras sofrem com racismo, intolerância religiosa e demonização por religiões ditas cristãs desde o sequestro dos negros em África. (…) A existência de grupos como esse constitui incentivo ao ódio”, afirma.

Religião

Polêmica. No ano passado, o juiz federal titular da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro, Eugênio Araújo, foi pressionado para voltar atrás em uma decisão na qual alegava que crenças afro-brasileiras não são religião.

Em BH, pedido será entregue até começo de abril

Líderes das religiões afro-brasileiras em Belo Horizonte se reuniram na segunda-feira na Cidade Administrativa para acompanhar a assinatura do acordo de cooperação técnica entre o governo do Estado e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) para garantir e aprimorar o ensino de história africana nas escolas estaduais.

Na ocasião, as lideranças traçaram também estratégias de ação para fazer um pedido de investigação ao grupo Gladiadores do Altar da Igreja Universal pelo Ministério Público.

Tata Kamus’ende, presidente do Afoxé Bandarerê, explica que qualquer movimento militar fora do que está previsto na Constituição é formação de milícia e crime, conforme previsto em lei.
“Tememos que essa intolerância religiosa por parte das igrejas evangélicas se transforme em uma guerra santa. Não queremos no Brasil grupos religiosos extremistas militarizados como vemos o Boko Haram, na Nigéria, ou o Hamas no Oriente Médio”, afirma Kamus’ende.
Em Belo Horizonte, a expectativa é que a representação de investigação ao Gladiadores do Altar seja entregue pelas lideranças ao Ministério Público até o começo de abril.

Extraído do site do Jornal O Tempo / Belo Horizonte-MG
http://www.otempo.com.br/capa/brasil/grupo-evang%C3%A9lico-acusado-de-intoler%C3%A2ncia-vai-ser-investigado-1.1014406

 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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