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Justiça impõe retratação pública a auditora após difamação contra ialorixá

Yuri Silva
Sex , 27/10/2017 às 09:40 | Atualizado em: 27/10/2017 às 09:42

 

Ialorixá se disse “acolhida pela Justiça” após resultado da ação contra a agressora. Divulgação

“É uma decisão histórica, que vai virar jurisprudência para outros casos parecidos de intolerância religiosa”. É assim que a advogada Maria Aparecida Farias Sanches define a retratação que o juiz Edson Souza, da 3ª Vara dos Juizados Especiais Criminais, impôs à auditora fiscal  Maria de Fátima Moraes Ferreira por difamar nas redes sociais a ialorixá Almerinda de Nanã e Xangô.

Ex-filha de santo da casa, a autora do crime será obrigada, por causa do ato, a ler uma carta pedindo desculpas às vítimas. Além da sacerdotisa, dois filhos de santo também foram ofendidos pela ré, inclusive com termos homofóbicos.

O ato de retratação acontecerá neste sábado, 28, às 14h, na Fraternidade Umbandista Cavaleiros de Aruanda (Fuca), terreiro de mãe Almerinda localizado no Parque São Cristóvão.

Segundo a advogada das vítimas, Maria Aparecida Farias Sanches, as ofensas “eram horríveis” e incluíam termos que associavam as entidades cultuadas no templo ao diabo. A decisão do juiz, conta a advogada, seguiu exigência da ialorixá, que não quis receber dinheiro de danos morais.

Sempre digo que não quero que me tolerem, quero que me respeitem, porque tenho o direito de professar minha fé

Almerinda de Nanã e Xangô, ialorixá 

“Ela pediu uma retratação em jornal de grande circulação, mas isso daria R$ 200 mil, e a autora do crime alegou que não tinha dinheiro, então chegamos a um acordo para essa leitura da retratação”, explicou a jurista defensora das vítimas.

Processo

Nos autos do processo, a defesa da auditora fiscal chegou a alegar que o crime teria sido cometido porque ela é bipolar. Na decisão emitida no último dia 27 de setembro, no entanto, o juiz Edson Souza determinou que o cumprimento do acordo seja registrado e encaminhado aos autos, para nova deliberação.

Para a ialorixá Almerinda de Nanã e Xangô, as agressões sofridas da ex-filha de santo chegaram “com tristeza”. Após o resultado da ação judicial que moveu contra a agressora, ela se disse “acolhida e amparada pela Justiça”.

“Recebi essa decisão com muita felicidade porque não é comum a gente ser tão acolhido como eu fui”, afirmou a líder religiosa, dizendo que “todos que estão sofrendo intolerância religiosa no país deveriam buscar ajuda na Justiça, que está aí para isso”.

“Nunca podemos nos calar”, defende ela, em tom firme. “Sempre digo que não quero que me tolerem, quero que me respeitem, porque tenho o direito de professar minha fé e as pessoas são obrigadas a respeitar isso”, disse a ialorixá.

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1906962-justica-impoe-retratacao-publica-a-auditora-apos-difamacao-contra-ialorixa

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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