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Juventude de Fé: Novela global incita escárnio e intolerância religiosa

 

Walmyr Junior *- 08/01 às 12h15 – Atualizada em 08/01 às 12h27

 

Vimos nessa última terça-feira (5), na novela A Regra do Jogo mais um caso de desrespeito com as religiões de matrizes africanas. A prática decorrente da emissora Rede Globo agride não só aos adeptos da religião, mas a todos nós que buscamos a paz universal entre todos os povos e todas as religiões.

As cenas interpretadas pela atriz Alexandra Richter reitera os preconceitos e estereótipos de uma suposta incorporação de uma entidade religiosa na passagem de ano em Copacabana, e depois em várias outras cenas dos recorrentes capítulos da novela. Cenas assim contribuem para o recrudescimento do ódio e perseguição que diariamente os praticantes das religiões de matrizes africanas sofrem.

O escárnio representado pela personagem Dalila contribui profundamente para a manutenção da discriminação religiosa perpetrada na história do nosso país.

Lucas de Deus, Candomblecista e membro do Coletivo Nuvem Negra – PUC-Rio, vê a cena como um ultraje. Para ele a “a violência cometida pela novela Regra do Jogo legitima e prolifera os preconceitos e ‘pedradas na cabeça’ de milhões de afrorreligiosos/as”.

“A Rede Globo mais uma vez utiliza suas novelas para discriminar e fazer escárnio das religiões de matrizes africanas. Discriminação religiosa é crime! É intolerável que nossas tradições religiosas continuem sendo desrespeitadas, estereotipadas, caricaturadas. São estas cenas que legitimam e motivam tantas outras agressões simbólicas e físicas que nós, religiosos de matrizes africanas, sofremos diariamente” concluiu Lucas, em entrevista para a coluna Juventude de fé.

Fazer escárnio do culto ou entidades religiosas em rede nacional é crime previsto no Art. 20 da Lei 7.716/89. Sabemos que existe uma série de estigmas, decorrente do racismo e da falta de informação referente às religiões de matrizes africanas.

Erica Portilho, da família Jeje Bogun, militante da Renafro, caracteriza a cena como “uma falta de respeito a nossos Orixás e a todas as entidades cultuadas no candomblé e na umbanda”. Para ela, a TV aberta brasileira ainda é formadora por opinião de grande influência dentro da nossa sociedade.

Para ela, “colocar em cena ritos de algumas religiões de matriz africana, da forma sarcástica e irresponsável como foi feito nos capítulos da novela A Regra do jogo, misturando mulheres de axé que dançavam vestidas de branco, sinal de culto aos orixás, com a personagem fingindo receber uma entidade de rua, que não faz parte do mesmo rito e da forma  pejorativa como foi colocada, só reforça o estigma social do preconceito e da discriminação de nossa religião, além de deturpar a verdadeira essência de nossos ritos.”

Fica aqui um ato de repúdio de uma juventude de fé que ousa acreditar no amor, independentemente da cor, raça ou religião. A civilização do amor, ensinada por Cristo e descrita por São João Paulo II, nos impulsiona para o outro de coração aberto ao encontro da alteridade e diferenças. Que o desserviço de algumas instituições de comunicação não nos impeça de buscar o respeito, a solidariedade, a justiça e o amor.

“A civilização do amor

No final destas considerações, porém, sinto o dever de recordar que, para a instauração da verdadeira paz no mundo, a justiça deve ser completada pela caridade. O direito é certamente a primeira estrada a seguir para se chegar à paz; e os povos devem ser educados para o respeito do mesmo. Mas, não será possível chegar ao termo do caminho, se a justiça não for integrada pelo amor. Justiça e amor aparecem às vezes como forças antagonistas, quando, na verdade, não passam de duas faces duma mesma realidade, duas dimensões da existência humana que devem completar-se reciprocamente”

Trecho da mensagem de S.João Paulo II para a celebração do Dia Mundial da Paz – 2004)

* Walmyr Júnior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor e representante do Coletivo Enegrecer como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

 

 

Extraído do site do jornalístico JB on line / Rio de Janeiro – RJ
http://www.jb.com.br/juventude-de-fe/noticias/2016/01/08/novela-global-incita-escarnio-e-intolerancia-religiosa/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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