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Lavagem da Madeleine leva sincretismo religioso às ruas de Paris

 

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Lavagem da Madeleine

Augusto Pinheiro | 11 DE SETEMBRO DE 2015

 

lavage-madeleine-3Há 14 anos a Lavagem da Igreja da Madeleine, em Paris, reúne cerca de 30 mil brasileiros e franceses no maior evento de rua brasileiro da Europa. Inspirada na lavagem da Igreja do Bonfim, em Salvador, a atividade mostra o sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. Ela faz parte de uma ampla programação, batizada de Festival Cultural Brasileiro, que acontece de hoje a domingo em diversos locais da capital francesa com shows, festas, workshops e um grande mercado.

Vinicius Lummertz, presidente da Embratur, o Instituto Brasileiro de Turismo, diz que o evento é um reflexo da forte relação entre a França e o Brasil. “Na missa que eu participei na Madeleine, ministrada por um bispo americano, com a presença de brasileiros, uma missa sincrética, com cantos baianos, demonstra essa relação que há 14 anos vem sendo comemorada entre os dois países”, afirma.

Lummertz ressalta o foco do evento na baianidade e na Bahia como “lado fundador do Brasil multicultural”. “Essa homenagem anual com uma programação artística riquíssima vai além de uma comemoração de brasileiros em Paris porque o número de franceses que se junta ao evento, principalmente no domingo, quando há o cortejo, é enorme”, completa.

Bênção das baianas

A fotógrafa franco-brasileira Naima di Pietro já participou seis vezes do evento e faz questão de levar os filhos Flora, de 5 anos, e Pablo, de 3, para serem benzidos pelas baianas. Ela conta como é o momento da lavagem, que acontece no domingo, último dia da programação. “Quando o cortejo chega, as baianas já estão com as vassouras e com as rosas. Elas sobem a escadaria. Tem uma missa em francês, traduzido ao português e ao iorubá. Depois as pessoas lavam a escadaria, e o pai de santo abençoa a multidão.”

A fotógrafa, que participou pela primeira vez do evento há dez anos, revela do que mais gosta do festival. “É o final, essa cerimônia que acho muito bonita. Só rezar o Pai Nosso em francês, português e iorubá. Essa mistura é linda. Várias vezes expliquei aos franceses que estavam lá o que era o candomblé, porque não é conhecido, mesmo no Brasil.”

Emoção durante a lavagem

O historiador carioca Aderivaldo Ramos de Santana, que faz doutorado em Paris, já participou duas vezes da Lavagem da Madeleine e conta que ficou emocionado. “É maravilhoso e mágico para nós brasileiros porque a gente não podia imaginar que essa festa baiana pudesse atrair tanta gente em outro lugar do mundo. É como se, por alguns instantes, as ruas de Paris se transformassem em Salvador”, opina.

E completa: “Quem conhece a história da lavagem do Bonfim, que começou em 1773, pode pensar que uma festa como essa, que mistura sagrado e profano, só poderia acontecer nos trópicos. Quando você vê algo similar na França, que é de tradição católica e não recebeu esse sincretismo, você fica emocionado. E as pessoas acabam compreedendo o que está por trás, nao apenas uma grande festa, mas um momento mágico, quando as portas do catolicismi se abrem para uma cosmovisão africana”.

O cortejo do domingo sai às 11h da Praça da República e chega às 15h30 na igreja da Madeleine, quando acontece a lavagem. A grande atração será o trio elétrico de Carlinhos Brown, e este ano a madrinha do evento é a apresentadora brasileira Cristina Córdula, que comanda programas de moda na TV francesa.

 

 

Extraído do site da versão portuguesa da rádio francesa RFI / Paris – FR
http://www.brasil.rfi.fr/geral/20150911-lavagem-da-madeleine-traz-sincretismo-religioso-ruas-de-paris

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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