Breaking News

Lavagem das escadarias do Bonfim, neste domingo, tem clima de comemoração

Concentração será às 15h, na Catedral da Sé, já que a Igreja do Bonfim está interditada

 

Sun Jan 10 11:25:00 BRT 2016 –

Bruno Campos/Arquivo Folha Evento, que acontece há 36 anos e é um dos principais ritos de sincretismo da religião de matriz africana do Estado, pede bençãos a Oxalá
Bruno Campos/Arquivo Folha
Evento, que acontece há 36 anos e é um dos principais ritos de sincretismo da religião de matriz africana do Estado, pede bençãos a Oxalá

Hoje é dia de vestir branco, pedir paz e bênçãos a Oxalá. O afoxé do povo de Odé sairá às ruas e ladeiras do Sítio Histórico de Olinda, no Grande Recife, para celebrar mais um ano da lavagem das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim. O evento, que completa 36 anos, é um dos principais ritos de sincretismo da religião de matriz africana do Estado.

A concentração do ritual ocorre às 15h, na Catedral da Sé, templo que pelo terceiro ano consecutivo terá seu pátio lavado pelas baianas por conta da interdição da Igreja do Bonfim, pelo risco de desabamento de suas estruturas.

Este ano, a cerimônia será especial. O idealizador do ritual, o babalorixá Tata Raminho de Oxossi, está perto de completar 80 anos de vida. “Tudo surgiu quando eu fiz um pedido a Oxalá para realizar a procissão e ele aceitou. Daí já se vão 36 anos”, comentou o pai de santo.

Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco Andor ficou sob responsabilidade de Silvio Botelho
Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco
Andor ficou sob responsabilidade de Silvio Botelho

Ele lamenta o fato do rito da lavagem não ser permitido no adro do Bonfim, já que no local nem mesmo os tapumes que proibiam o acesso de pedestres aguentaram a degradação e, assim, transformaram-se em entulhos. “Isso acontece por falta de atenção ao patrimônio, fico triste com a situação. Mesmo assim não vamos deixar de passar pelo templo. Após sairmos em procissão, faremos uma oração cantada em linguagem africana em frente à igreja. Iremos pedir a Oxalá muita paz, esperança e sossego nesses momentos difíceis em que vivemos”, destacou o babalorixá.

Antes da procissão, os detalhes para a cerimônia são diversos. Um dos produtores do evento, Sílvio Botelho, famoso pai dos bonecos gigantes de Olinda, iniciou a confecção do andor da imagem de Jesus Salvador do Mundo – que há dois anos vem participando da festa – desde a última sexta-feira. O andor trará a simbologia da água, do pão e das frutas. “A água é o fator primordial para os Orixás. E, todos os anos, sempre nos primeiros domingos, dedicamos homenagens à água que é a purificação. O pão é o alimento principal da humanidade. Já a fruta vem suavizar como símbolo de paz e harmonia entre os homens”, destacou o artista plástico.

A imagem tem 1,20 metro e será decoradas com 16 peças de LED, muitas flores e frutas. “O andor pesa cerca de 300 quilos. É pesado. Portanto, usamos uma caminhonete para o cortejo nas ruas. Fora isso, a cerimônia tem algumas características tradicionais. Vamos banhar as pessoas com água perfumada, flores e arroz”, complementou Botelho.

Segundo a organização, a expectativa de público para a lavagem das escadarias e a procissão é de 30 mil pessoas. Um grupo de 52 baianas irá acompanhar o cortejo. Dez delas farão a limpeza no adro, cada uma com um jarro contendo água de cheiro e flores simbolizando oxalá.

Em relação à interdição da Igreja do Bonfim, a Folha procurou o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas recebeu a informação que a superintendente regional Gisela Montenegro estava em viagem. Até o fechamento desta edição, nenhum outro representante do órgão se disponibilizou a falar sobre o assunto.

 

Extraído do portal de notícias FolhaPE / Recife – PE
http://www.folhape.com.br/cotidiano/2016/1/lavagem-das-escadarias-do-bonfim-neste-domingo-tem-clima-de-comemoracao-0130.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *