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Leão de Nova Iguaçu vai falar sobre 130 anos de terreiro da Baixada Fluminense

Publicado em 14/06/16 06:00

 

Enredo da Leão de Nova Iguaçu será sobre o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá Foto: Cléber Júnior / Extra
Enredo da Leão de Nova Iguaçu será sobre o terreiro Ilê Axé Opô Afonjá Foto: Cléber Júnior / Extra

Igor Ricardo

 

O axé da Leão de Nova Iguaçu vai ser embalado pela força de Xangô em 2017. A Vermelho, ouro e branco irá desfilar com o enredo” “Ilê Axé Opô Afonjá — O Rei está na terra na conquista de uma vaga na Série A. O tema surgiu após uma reportagem do “Mais Baixada”, em fevereiro, sobre os 130 anos do terreiro de mesmo nome que fica em São João de Meriti.

O carnavalesco da agremiação, Cid Carvalho, pretende abordar a história do próprio samba e das mães baianas no Rio de Janeiro, fazendo uma homenagem especial para Mãe Regina Lúcia de Yemonjá, que é a ialorixá do terreiro.

Cid Carvalho é o carnavalesco da agremiação Foto: Cléber Júnior / Extra
Cid Carvalho é o carnavalesco da agremiação Foto: Cléber Júnior / Extra

— A história da casa é a própria história do samba. Ambos foram perseguidos na mesma época. Além disso, queremos mostrar essa força feminina que é muito forte aqui na casa — afirmou Cid, que vai para seu segundo ano na Leão de Nova Iguaçu.

O artista não revela muitos detalhes do desfile, mas já adianta que a mãe de santo estará logo na abertura da escola e sentada em um trono. Cid também ganhou a missão de desenhar a roupa que Mãe Regina Lúcia usará na Intendente Magalhães (geralmente, elas desfilam com vestimentas próprias).

Feliz com a homenagem, a ialorixá disse que aceitou na hora o convite apesar de nunca ter sonhado com a oportunidade.

Sinopse será entregue para compositores no próximo dia 21 Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo
Sinopse será entregue para compositores no próximo dia 21 Foto: Cléber Júnior / Agência O Globo

— Fui na quadra da escola e a energia foi incrível. Fiquei lisonjeada e estou apaixonada com tudo. Só não quero desfilar muito no alto — pediu Mãe Regina.

A escola entrega no próximo dia 21, às 19h30m, na sede da Leão, a sinopse do enredo para os compositores. A disputa de samba-enredo será aberta. Ou seja, poderão participar poetas de todas as agremiações. Os diretores só pedem que seja um feito um sambão para embalar os componentes.

— Espero que os sambas sejam poderosos. Com um enredo desses, tem que ser sambão. Se vierem com samba ruim, a gente manda voltar (risos) — brincou Cid Carvalho.

Mãe Regina Lúcia é a ialorixá do terreiro Foto: Cléber Júnior / Extra
Mãe Regina Lúcia é a ialorixá do terreiro Foto: Cléber Júnior / Extra

Em 2017, a Leão de Nova Iguaçu será a oitava a desfilar na terça-feira de carnaval, na Estrada Intendente Magalhães, em Campinho, na Zona Norte do Rio. No último carnaval, a agremiação ficou em 3º lugar.

Sede vira patrimônio cultural

No início deste mês, a sede do Ilê Axé Opô Afonjá, em São João de Meriti, foi tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). A conquista foi celebrada por mãe Regina Lúcia e os frequentadores do espaço. Ela acredita que a casa passará a receber mais visitantes.

— As pessoas vão passar a procurar mais a gente para conhecer nossa história, nossa ancestralidade — disse mãe Regina.

O terreiro é considerado o primeiro da nação Ketu — uma etnia africana — no estado. As atividades começaram em 1886 na Pedra do Sal, na Zona Portuária, onde os escravos vindos da África desembarcavam no passado. Após várias mudanças para fugir da intolerância religiosa o centro se estabeleceu em Meriti em 1944, onde está até hoje.

Mãe Regina Lúcia de Yemonjá é da quarta geração descendente de Mãe Aninha de Xangô, responsável por abrir o terreiro há 130 anos.

 

Extraído do site do Jornal Extra / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/carnaval/leao-de-nova-iguacu-vai-falar-sobre-130-anos-de-terreiro-da-baixada-fluminense-19496302.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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