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Leci condena ataques de intolerância e pede por respeito e igualdade

23 de junho de 2015 – 13h30 


Atos de intolerância ocorreram no país nos últimos dias. A menina candomblecista, Kaylane, foi agredida com pedradas após um culto. Outros casos, como o do médium Gilberto Arruda, que foi encontrado morto na última quinta-feira (18), e o vandalismo no túmulo de Chico Xavier, estão sendo tratados como supostos crimes de intolerância. A deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP), em entrevista ao Portal Vermelho, comenta sobre o preconceito contra as religiões de matrizes africanas.

Por Laís Gouveia

 

A secretaria de Direitos Humanos aponta que, o Disque 100 recebeu em 2014, 149 novas denúncias de discriminação religiosa.

inttoleranciaok80846Leci diz que está “indignada” com os últimos acontecimentos de intolerância. “O poder público tem que tomar uma atitude para desmistificar e quebrar preconceitos, por exemplo, mostrar na televisão a religião de matriz africana, sua importância e seriedade. Se existem canais que que reproduzem a fé Católica e Evangélica, qual o motivo de não reproduzirem a Umbanda e o Candomblé? Precisamos de igualdade para acabar com tal absurdo”, afirma.

“Ando de branco toda a sexta-feira, um direito nosso”

A deputada considera gravíssimo o ato de violência cometido contra Kaylane. “Uma menina de 11 anos que poderia ter sido morta por usar branco e acreditar em um orixá. Eu, Leci Brandão, ando de branco toda sexta-feira, dia de Oxalá, todos os meus trabalhos musicais, desde 1985, fazem saudações para um Orixá na última faixa e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) faço a defesa da religião de matriz africana, pois meu mandato cumpre também o papel de desfazer preconceitos e dar voz as minorias”, afirma.

O cenário político reacionário e o reflexo na sociedade

Quando indagada sobre a influência dos parlamentares na sociedade, Leci é categórica em afirmar que a responsabilidade nos espaços de poder é muito grande. “Nunca vi um Congresso Nacional tão reacionário, com ataques às religiões alheias e o mínimo de respeito no estado laico que é um direito constitucional. Os parlamentares pautam o país e tais atitudes são muitos sérias”, conclui.

Intolerância Religiosa é crime

Desde 1989, o ato de discriminação, preconceito de raça, cor, etnia, religião são considerados crimes no Brasil. A Lei nº 7.716, pune o infrator com reclusão de dois a cinco anos e multa. Como exemplo de punição, a emissora de televisão Rede Bandeirantes foi obrigado a divulgar um vídeo sobre a pluralidade religiosa, após o apresentador Datena fazer comentários desairosos sobre ateus no programa “Brasil Urgente”.

Assista ao vídeo abaixo:

 

Para denunciar o agressor, a vítima pode ligar para o disque 100, canal direto com a secretaria de Direitos Humanos, ou procurar uma delegacia mais próxima e registrar um Boletim de Ocorrência. Em caso de agressão física, como ocorreu com a menina Kaylane, a vítima deve fazer um exame de corpo de delito para comprovar o ato de violência.

A secretaria de Direitos Humanos revela que o Disque 100 recebeu em 2014 149 novas denúncias de discriminação religiosa. Em 2013, foram registradas 228 notificações. A região que concentra o maior número de denúncias no país é o Sudeste, com 19,46% em São Paulo e 19,46% no Rio de Janeiro.
Comparando as porcentagens, houve uma queda em relação ao ano de 2013. Apesar da redução, os números comprovam que, o preconceito e a intolerância, permanecem. O caminho para a paz e diálogo entre as religiões ainda é um desafio para a sociedade brasileira.

 

 

Do Portal Vermelho

Extraído do portal Vermelho.org / São Paulo – SP
http://www.vermelho.org.br/noticia/266144-10

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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