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Líder de candomblé contesta classificação de religiões afro como minorias

A líder do candomblé no Pará, Oneide Rodrigues, mais conhecida como Mam'etu Nangetu, contestou as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que definem os seguidores de cultos afros como "minoria" religiosa. Segundo ela, até por temor à intolerância, muitos adeptos do candomblé, umbanda e outros cultos se dizem católicos para os recenseadores. 20/08/2015 - 00h09Atualizado em 20/08/2015 - 00h16
Antonio Araújo/Câmara dos Deputados Mam'etu Nangetu: por temor à intolerância, muitos adeptos de cultos afros se dizem católicos
Antonio Araújo/Câmara dos Deputados
Mam'etu Nangetu: por temor à intolerância, muitos adeptos de cultos afros se dizem católicos
Os deputados Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ) e Pastor Eurico (PSB-PE) anunciaram que vão cobrar do IBGE a revisão da metodologia de pesquisa para aferir, com mais precisão, o tamanho das diversas religiões no País. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (19), em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Mam'etu Nangetu se queixou, ainda, da baixa representatividade dos seguidores de cultos afros no Parlamento e da dificuldade de a religião conseguir acesso aos meios de comunicação, inclusive às rádios comunitárias, "para mostrar que o nosso Deus não é satanás". Violência Também na audiência, o presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure) e professor da Universidade Federal de Sergipe, Uziel Santana, causou polêmica ao trazer para o contexto brasileiro a distinção entre violência religiosa real e simbólica. A primeira envolveria, por exemplo, guerra civil ou ação de terroristas com foco religioso e não ocorreria no Brasil. "A violência aqui é simbólica e também atinge os evangélicos, vítimas de pedradas e Bíblias queimadas, sobretudo no século 19", afirmou. Uziel foi contestado principalmente pelo monge católico Marcelo Barros e pelo deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), para quem as agressões, sobretudo a terreiros e seguidores de cultos afros, são exemplos de "violência real". O presidente da Anajure citou ainda o relatório internacional sobre intolerância religiosa para afirmar que o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo, como mostram alguns genocídios de minorias cristãs no Oriente Médio e no norte da África. Ele defendeu a aprovação do projeto de Estatuto da Liberdade Religiosa (PL 1219/15), em tramitação na Câmara. Ações do governo O coordenador-geral do Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Alexandre da Fonseca, citou algumas ações da secretaria para garantir o respeito às diferenças de crença, à liberdade de culto e à laicidade do Estado: fortalecimento dos comitês e fóruns estaduais de diversidade religiosa, campanhas contra a intolerância religiosa, inclusive por meio de cartilhas e livros; e popularização do Disque 100 como instrumento de denúncia. O Disque 100 registrou 543 denúncias de violações de direitos por discriminação religiosa entre 2011 e 2014. Desse total, 216 casos tiveram informação sobre a religião da vítima: 35% candomblé e umbanda, 27% evangélicos, 12% espíritas, 10% católicos, 4% ateus, 3% judaicos, 2% islâmicos e 7% outras.   Reportagem – José Carlos Oliveira Edição – Pierre Triboli   Extraído do site da Agência Câmara Notícias http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITOS-HUMANOS/494262-LIDER-DE-CANDOMBLE-CONTESTA-CLASSIFICACAO-DE-RELIGIOES-AFRO-COMO-MINORIAS.html

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Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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