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Liderança da umbanda tem terreiro depredado: ‘Somos vítimas da intolerância’

Marco Xavier em frente ao altar do terreiro: "Eles querem invadir nossos espaços sagrados"
Marco Xavier em frente ao altar do terreiro: “Eles querem invadir nossos espaços sagrados”
Clarissa Monteagudo

Foi uma celebração com cerca de 300 religiosos para saudar o Dia Nacional da Umbanda, nesta terça-feira. Mas a realidade dos adeptos da crenças de matriz afro está muito longe de ser uma festa. Presidente do Movimento Umbanda do Amanhã, Marco Xavier denuncia que teve parte do seu terreiro, em Santíssimo, depredado por adeptos de uma seita. Vizinhos do terreno onde fica o centro religioso, eles estão em constante confronto com os religiosos.

“Eles querem invadir o espaço lateral, onde fica nossa árvore sagrada e a casa de Obaluayê (orixá da saúde), onde plantei ervas. Depredam e jogam lixo, madeira. Desde 2009, nós denunciamos para a delegacia essas invasões. E nada acontece. Eu me sinto vítima de intolerância. Eles botam som alto de exorcismo de igreja, jogam sal em cima das pessoas, enchem portas de óleo. Todo sábado é assim”, diz o dirigente.

Centenas de religiosos saudaram nesta terça-feira o Dia Nacional da Umbanda
Centenas de religiosos saudaram nesta terça-feira o Dia Nacional da Umbanda

Após o decreto do prefeito Eduardo Paes, que estabeleceu a umbanda como patrimônio imaterial da cidade, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) começou o cadastramento de terreiros. Cerca de 70 templos umbandistas já se ofereceram para o mapeamento, informou o site da prefeitura. De acordo com o IRPH, as instituições devem enviar sua história, atividades, calendário para o email cadastroumbanda.irph@gmail.com

O prazo para envio de informações acaba dia 31 de dezembro.

— É importante que os terreiros nos procurem e passem a maior quantidade de informações. A criação deste cadastro será um marco na luta pelo respeito à diversidade religiosa — destacou, em nota, o presidente do IRPH, Washington Fajardo.

Religiosos se preocupam com o avanço dos atos de intolerância no país
Religiosos se preocupam com o avanço dos atos de intolerância no país

Para Marco Xavier, o decreto é um capítulo importante da luta contra a intolerância no Rio.

— A eleição do bispo licenciado desta igreja, Marcello Crivella, para a prefeitura do Rio é um fato que causa medo nos religiosos de matriz africana. Nós somos demonizados todos os dias pela igreja dele — declarou, durante a celebração, o presidente do MUDA, MarcoXavier.

Em comunicado à imprensa, após o decreto assinado por Eduardo Paes, Marcelo Crivella destacou:

— O meu governo, como foi dito durante a nossa campanha, será de tolerância à diversidade de credo e de raça. Repito que serei o prefeito de todos.

 
Extraído do site do Jornal Extra / Rio de Janeiro – RJ
http://extra.globo.com/noticias/rio/lideranca-da-umbanda-tem-terreiro-depredado-somos-vitimas-da-intolerancia-20475273.html#ixzz4QEGoEKiS

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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