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Líderes debatem intolerância em nome da fé

Douglas Perdigão | 21/07/2015 | 02:00

 

Menina espírita apedrejada no Rio de Janeiro, em junho, acendeu debate

P-5313_dcb3fd452fe0b6240cafee06767cdd26O Brasil é um dos países de maior mistura de culturas – nisso se inclui também a variedade de religiões. Contudo, casos de intolerância envolvendo as diferentes doutrinas ainda ocorrem com frequência. Um deles aconteceu no mês passado, no Rio de Janeiro, quando uma menina, 11 anos, foi apedrejada quando saía de uma cerimônia de candomblé por um grupo de pessoas que se declararam evangélicas.

O ato ainda repercute, desde protestos até os debates sobre fanatismo e intolerância. Em Limeira, caso com tamanha proporção ainda não foi registrado, segundo informações da Polícia Civil. Apesar disso, mesmo que não denunciados, problemas assim são reais.
O dirigente espiritual umbandista Evandro Fernandes, que atua em Limeira, relata um desses episódios. “Já houve casos de picharem o muro da casa de uma de nossas filhas-de-santo com o termo pejorativo ‘macumbeira’. Houve abordagem de membros de outras denominações religiosas a pessoas que estavam voltando para casa, depois de participarem de nossos rituais, dizendo a elas que ali não existia Deus e que adorávamos o demônio”, conta.
Presidente da USE (União das Sociedades Espíritas) de Limeira, Meg Guirau afirma que as religiões têm se unido para discutir temas que envolvem a sociedade – como a violência. Para ela, pessoas que cometem esses atos são grupos isolados e não compreendem a liberdade. “Essas pessoas não alcançaram o sentido do livre arbítrio. Elas não representam a religião, pois, se representassem, pregariam a paz”, comenta.

DESCONHECIMENTO
O pastor Vinícius Silva, da Igreja Presbiteriana da Vila Rosália, em Limeira, afirma que a intolerância religiosa é fruto de ideologias pessoais, que desalinham com o que as doutrinas pregam. “Quando a pessoa prefere seguir uma ideologia pessoal ou política, é quando que a intolerância nasce. Pois a pessoa deixa de seguir a palavra da Bíblia. O que inicia guerra não são as religiões. É a intolerância”, diz.
Para o pastor da Assembleia de Deus em Limeira, José Pereira Neto, dizer que existem grupos intolerantes dentro das religiões seria o mesmo que afirmar que há pessoas formadas com o propósito de atacar membros de outras doutrinas. “Para mim, não há grupos, mas, sim, pessoas desinformadas. A intolerância não existe dentro das religiões, mas algumas pessoas são mais fracas psicologicamente e espiritualmente”, comenta.
A Diocese de Limeira de manifestou dizendo que a Igreja Católica mantém relação de respeito com outras doutrinas e defende a liberdade religiosa. Além disso, defende o diálogo entre as diferentes religiões, o respeito à livre escolha e repudia qualquer ato de intolerância.

 

Extraído do site do Jornal de Limeira / Limeira – SP
http://www.jlmais.com/detalhes/17555/lideres-debatem-intolerancia-em-nome-da-fe

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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