Breaking News

Líderes religiosos apoiam Umbanda e Candomblé em cerimônia na ABI

Solenidade na ABI - líderes religiosos apoiam Umbanda e Candomblé Foto: CEAP
Solenidade na ABI – líderes religiosos apoiam Umbanda e Candomblé
Foto: CEAP

Uma petição para que algumas entidades entrem como “amicus curiae” na ação do Ministério Público Federal (MPF), em relação aos 17 vídeos com conteúdo que fere os sagrados de religiões afro-brasileiras e o envio de um abaixo-assinado à Presidência do Tribunal Regional foram as resoluções do “Ato em Solidariedade às Religiões de Matriz Africana”, – que ocorreu na noite de ontem (21), na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio.

 

Líderes religiosos discursam na ABI Foto: CEAP
Líderes religiosos discursam na ABI
Foto: CEAP

No evento, líderes de várias religiões deram seu apoio à Umbanda e ao Candomblé, em solidariedade à negação do juiz Eugênio Rosa de Araújo em retirar o material da rede. Anteriormente, o magistrado afirmou que os cultos não podiam ser considerados religiões, causando indignação em diversos segmentos. Acertou-se, então, que a Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic–RJ) e a Ordem dos Advogados do Brasil – RJ (OAB-RJ) solicitarão judicialmente a entrada como amici curae na liminar do MPF, para dar complementação assistencial ao caso.

 

Na noite da última terça (20), em nota enviada à imprensa, o juiz mudou seu discurso, em parte. Disse que a Umbanda e o Candomblé têm, sim, bases religiosas, justificando o apoio dado pela mídia e pela sociedade civil, no caso, mas deixou os registros no ar, em nome da liberdade de expressão.

Ivanir dos Santos em entrevista aos meios de comunicação Foto: CEAP
Ivanir dos Santos em entrevista aos meios de comunicação
Foto: CEAP

O interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), babalawo Ivanir dos Santos, no encontro, disse que todos estavam vivendo um momento único reunidos ali.”O juiz quis nos jogar na ilegalidade, mas não foi o que aconteceu. Nós temos que agradecer, de coração, às lideranças religiosas que aqui estão, que ajudaram a construir esse ato. Vocês todos foram extraordinários. Só unidos eles vão nos respeitar. Vamos entrar para acompanhar o debate dessa causa, colocar elementos que sejam importantes para que a corte possa ter uma compreensão e tomar uma decisão que seja satisfatória para a sociedade”, declarou.

Marcio de Jagun, presidente da ANMA e Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR Foto: CEAP
Marcio de Jagun, presidente da ANMA e Ivanir dos Santos, interlocutor da CCIR
Foto: CEAP

 

O diretor da Associação Nacional de Mídia Afro (ANMA), Marcio de Jagun, explicou a todos o desenrolar da história desde o início da abertura do processo até a mudança de postura do juiz. “Ele entende que Umbanda e Candomblé são religiões, mas não permite que elas sejam tratadas como os outros cultos: com respeito, dignidade e responsabilidade civil e democrática. Hoje, somos a bola da vez. E amanhã? Quem vai ser?”, indagou.

 

Representantes religiosos demonstram assistência à causa

O presidente da Fierj, Jayme Salomão, destacou que, em nome da liberdade de expressão, não se pode ofender terceiros “Nosso encontro aqui demonstra que todos estamos juntos por um bem comum. Estamos todos para nos defender. A unidade das minorias faz a maioria”, ponderou Salomão.

“A Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro está aqui, também, em total apoio às religiões de matriz africana, em função do ocorrido, do absurdo que foi dito por esse juiz. Nós também sofremos preconceito, principalmente na internet. Precisamos pensar em meios e soluções para que a religiosidade não seja atingida”, afirmou Sami Ahmed Isbelle.

 

O representante da Associação Racionalista de Céticos e Ateus (Arca), João Caetano, defendeu que não cabe a um juiz decidir o que é ou não religião, ou quem deve acreditar em algo ou não. “Nós da ARCA estamos dando nosso apoio a essa causa, lutando contra a intolerância desse juiz. Estamos para o que der e vier”, exclamou.

 

“De discriminação e intolerância, nós umbandistas e candomblecistas estamos calejados. A prova de que tenho de fortalecer mais minha fé é essa diversidade religiosa aqui”, informou a sacerdotisa de umbanda e fundadora da CCIR, Fátima Damas, emocionada com a multidão que lotou o auditório do nono andar da ABI.

 

Igrejas também abraçam a iniciativa

O bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Dom Filadelfo Oliveira, expôs seu suporte à situação.“Estamos cansados de ver pessoas inescrupulosas agindo em nome do sagrado. Temos uma maneira diferente de encarar a fé, mas isso não nos dá o direito de discriminar. Eu me solidarizo com vocês e apoio esse movimento”, frisou.

 

“Somos diferentes, mas devemos nos encontrar, conviver. A diferença é uma riqueza que Deus nos deu. Esse ato é a favor de nós”, frisou diácono Nelson Águia, secretário da Comissão de Diálogo Inter-Religioso da Arquidiocese do Rio de Janeiro, que representou o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta.”Esses vídeos não podem ficar na internet. Isso é uma porcaria. Não deveria passar para religiosos nem para pessoas de bem”, reconheceu.

 

Presidente do Conic, a pastora Lus Marina defendeu a união entre os diversos segmentos e relatou que um dos princípios de sua fé é que todos são filhos de um só Deus. “Irmãos e irmãs em fé, nós abraçamos vocês, e queremos reafirmar a diversidade deste País. Somos pessoas da fé protestante e cristã, que entendem que todos somos filhos de Deus, independente de como o chamamos. É permanecendo juntos que a gente se fortalece”, enfatizou.

 

De acordo com o Pastor Marcos Amaral, da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá, quando o juiz não reconhece essas religiões, não parece que ele conhece o Brasil. “Sou negro e reclamo a ele a negação de ancestralidade: uma herança cultural e de uma construção filosófica e histórica dessa Pátria. Nós cristãos precisamos entender que o mundo mudou. Que venham as religiões para a praça pública lutarem pela igualdade. E, por favor, me chamem que lá estarei, lutando pela liberdade de todos os credos”, expressou o religioso.

 

Entre os presentes estavam líderes da maçonaria, indígenas, seguidores da Fé Bahá’í, Hare Krshna, Movimento Negro, além de padres, pastores, ateus, rabinos, entre outros.

 

Fonte: Release Assessoria de Imprensa CEAP

 

Nota da Redação: No texto é utilizado o termo em latim “amicus curiae”. O termo em questão é utilizado no âmbito do direito  e significa “Amigo da Corte”. Trata-se de um intervenção assistencial em processos de controle de constitucionalidade por parte de entidades que tenham representatividade adequada para se manifestar nos autos sobre questão de direito pertinente à controvérsia constitucional. Não são partes dos processos; atuam apenas como interessados na causa. O plural em latim é Amici curiae (amigos da Corte). 

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

Related posts

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *