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Líderes religiosos pregam combate à intolerância

Publicado em segunda-feira, 14 de novembro de 2016 às 07:00
Victor Hugo Storti
Especial para o Diário

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No dia 16 de novembro é comemorado o Dia Internacional da Tolerância. O assunto tem ganhado cada vez mais destaque dentro da sociedade e, neste ano, foi tema da redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) com foco no preconceito às religiões. O Diário conversou com lideranças para saber o que tem sido feito para enfrentar o problema cada vez mais comum no Brasil.

De acordo com a coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina, Rita do Val, a data comemorativa tem grande importância no combate ao problema social. “É uma maneira de chamar a atenção da sociedade para esta questão e buscar uma reflexão de todos”, afirmou.

Rita também criticou a falta de políticas públicas e de leis mais rígidas como forma de efetivar um combate rígido à intolerância religiosa. “Temos que ter no corpo da lei medidas que impeçam essas práticas. É necessário que os responsáveis paguem. Não adianta investir em Educação se não houver mecanismos legais para punir”, completou.

A coordenadora também elogiou a oportunidade de discutir a questão da intolerância em um lugar tão importante como o Enem. “O que se pretende é que o aluno consiga fazer análises críticas. Acho interessante porque os jovens se deparam com essas questões diariamente.”

Conforme o bispo da Diocese de Santo André, dom Pedro Carlos Cipollini, até mesmo a religião católica, que é a predominante no Brasil, já enfrenta episódios de intolerância religiosa. “Começamos a sentir esse mal por parte das igrejas evangélicas. Nas escolas, quando uma criança vai com um crucifixo, ela já sofre esse tipo de agressão.”

O bispo afirma que a orientação dada pela Igreja Católica sobre a intolerância religiosa é sempre a conscientização sobre o respeito às outras religiões e à liberdade de cada um. “A sociedade já tem muitos problemas. As religiões devem ser amigas, não inimigas”, completou.

Ainda de acordo com Cipollini, o recente encontro de Assis, realizado na Itália com a presença do papa Francisco e líderes de diversas religiões, tem o propósito de buscar a paz. “Há muita boa vontade, mas falta diálogo por parte de algumas religiões.”

Para pai Tonhão D’Ogum, que comanda a Casa de Candomblé Asé Alaketú em Santo André desde 1970, a questão da intolerância é muito maior para as religiões que pertencem à matriz africana por conta do racismo. “O negro sempre foi discriminado. Tem religiões que foram criadas recentemente e já são respeitadas porque foram brancos que inventaram”, disse.

Segundo pai Tonhão, a orientação para os praticantes do Candomblé é que não entrem em discussões com seguidores de outras religiões para que episódios de fanatismo não aconteçam. “Ninguém nos apedreja na frente das câmeras, só pelas costas”, afirmou.

A Igreja Universal do Reino de Deus, que se manifestou por meio de nota, afirmou que os bispos, pastores e milhões de simpatizantes estão entre as maiores “vítimas do preconceito religioso no Brasil. Principalmente pela mídia e nas redes sociais”.

Ainda de acordo com a nota, a Igreja Universal defende “de modo intransigente a liberdade de pensamento, de crença e culto, conforme assegurado por nossa Constituição Federal” e que é papel das autoridades condenar aqueles que desrespeitem essas liberdades.

 

Extraído do site do Jornal Diário do Grande ABC / Santo André – SP
http://www.dgabc.com.br/Noticia/2449594/lideres-religiosos-pregam-combate-a-intolerancia

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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