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Livro Sángò reforça literatura afro-brasileira, diz titular da Sepromi

25/02/2016 09:00 1456402664IMG_4377   Foi lançado nesta quarta-feira (24), pela editora Currupio, em Salvador, o livro Sángò, da antropóloga Juana Elbein dos Santos e de Deoscoredes Maximiliano dos Santos, o Mestre Didi Asipá (1917-2013). Com esse volume, dedicado ao orixá Xangô, foi concluída a edição de livros assinados pelo casal, que inclui os volumes Èsù (2014) e Arte Sacra e Rituais da África Ocidental no Brasil (2015). Com 76 páginas e impresso em papel couché, o livro conta com apoio financeiro do Fundo de Cultura do Estado da Bahia mecanismo de fomento à cultura gerido pelas secretarias de Cultura (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz). A titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, participou do evento. “É fundamental potencializar a literatura que contempla verdadeiramente as questões raciais, apoiar obras referenciadas na cultura afro-brasileira. O combate aos estereótipos, ao racismo e à intolerância religiosa também passa por esta ação. Na publicação Sángò temos a oportunidade de expandir o conhecimento sobre temas que envolvem a ancestralidade, trabalho desenvolvido de forma relevante por duas grandes personalidades, que possuem suas vidas fortemente dedicadas aos estudos e escritas relacionados às matrizes africanas”, disse, a secretária da Sepromi, referindo-se aos autores Juana Elbein dos Santos e Mestre Didi Asipá, este último falecido em 2013, aos 96 anos. Os textos do livro tratam do orixá do panteão nagô, cultuado em comunidades de terreiros brasileiros, associado à justiça, ao fogo e ao trovão. “Xangô, ao mesmo tempo, resume toda a ancestralidade e todo futuro, todo princípio de virilidade. Ele representa do conceito que emerge tudo o que o ser humano é: guerra, violência, destruição, mas também família, amorosidade, carinho, bem-querer. Porque nós somos tudo isso que Xangô é”, afirmou Juana, que autografou livros durante a solenidade, realizada no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha. O ato teve a participação de lideranças religiosas, pesquisadores, jornalistas, artistas, representantes do segmento acadêmico e do Governo do Estado. Várias dimensões do herói mítico e dinástico são abordadas no livro: Xangô como o quarto rei de Òyó, (Nigéria); como símbolo de realeza e da continuidade de linhagens, bem como o orixá filho de Yemanjá. Os autores apresentam e interpretam mitos, orikis, fabulações e descrevem suas oferendas e emblemas, como o osé (machado de duas lâminas), as pedras de raio e a gamela, entre outros. A relação entre o “Rei” e suas esposas (Obá, Oxum e Oyá) também integram o que a autora chamou de Linha do Tempo. Os textos de Sángò foram escritos em vários momentos da existência da antropóloga, que foi casada com o conhecido “Mestre Didi” por 50 anos. Revelam a continuidade do seu interesse e respeito pela visão de mundo nagô, sendo também uma espécie de testemunho da convivência do casal, no Brasil e na África. O livro conta, dentre suas ilustrações, com trabalhos do fotógrafo Pierre Verger, que retratam sacerdotes de Xangô na Nigéria e no Benin. A editora Currupio, que cuidou da publicação, é reconhecida pela edição de obras fundamentais da cultura afro-brasileira, tendo completado 36 anos em 2016. Sobre Juana Elbein dos Santos - Doutora em Etnologia pela Sorbonne – Paris V, Coordenadora Nacional das Comunitates Mundi Secneb – Sociedade de Estudos das Diversidades Culturais, Ejidé Elefundé do Ilé Asipá Olukotun – Sociedade Cultural e Religiosa do Culto aos Ancestrais, Egungun. Sobre Deoscoredes Maximiliano dos Santos (Mestre Didi Asipá) – Alapin’ni Asipá Olukotun Asogbá Obaluayê, Fundador do Ilê Asipá – Sociedade Cultural e Religiosa Transatlântica do Culto aos Ancestrais. Mestre Didi era filho da lendária ialorixá Mãe Senhora, do Ilê Axé Opô Afonjá, da linhagem de Oba Tosi, que implantou o culto a Xangô no Brasil.   Extraído do site da SEPROMI – Secretaria de Estado de Promoção da Igualdade Racial / Salvador – BA http://www.sepromi.ba.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=853

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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