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Mãe Beata de Yemanjá deixa importante legado religioso e social

Sua liderança é reconhecida tanto por religiosos de matriz africana, quanto em outras religiões e até mesmo na política

Fania Rodrigues

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

 

29 de Maio de 2017 às 17:43

“Uma mulher de fala amorosa e muito valorosa para a sociedade”, disse o padre Luís Corrêa Lima sobre a ialorixá / Vânia Laranjeiras | SECRJ

Mulher, negra, cidadã com preocupações sociais e liderança religiosa importante. Assim será lembrada a Mãe Beata de Yemanjá, que faleceu no último sábado (27).  Ela deixou um importante legado na defesa das religiões de matriz africana, na luta contra a intolerância religiosa e no combate à discriminação racial.

Uma devota do candomblé, Mãe Beata era admirada por pessoas de variados setores da sociedade. “Ela era uma das mais notáveis ialorixás do Rio Janeiro”, afirmou o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ).

Para o padre católico Luís Corrêa Lima, a Mãe Beata de Yemanjá era fonte de inspiração, símbolo de resistência cultural e religiosa. “Sem dúvida ela exercia um papel de liderança. Além disso, uma mulher de fala amorosa e muito valorosa para a sociedade”, disse o padre, que também é professor de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ele explica ainda que participou, junto com a Mãe Beata, de algumas passeatas contra a intolerância religiosa, realizadas todos os anos, sempre em setembro, na orla de Copacabana.

“Para além da questão religiosa, Mãe Beata de Yemanjá tinha uma preocupação social e desenvolvia muitos projetos comunitários de combate à pobreza. Seu legado é enorme, tanto do ponto de vista religioso e da herança ancestral, quanto do social”, destaca o babalaô Ivanir dos Santos, que conviveu de perto com ela. Para Ivanir, Mãe Beata nunca vai morrer. “Seu corpo se foi, mas ela continua entre nós, nos inspirando a cada dia”, destaca o líder religioso.

Mãe Beata nasceu no Recôncavo Baiano e chegou ao estado do Rio no final dos anos 1960. Fundou o terreiro Ilê Omi Oju Aro, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, em 1985, e o comandou até o último dia. O local virou patrimônio cultural e entrou para o mapa da cultura do estado do Rio. A ialorixá também foi presidente da ONG Criola (organização de mulheres negras), integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM e conselheira do Projeto Ató Ire – Saúde dos Terreiros e também da ONG Viva Rio.

Edição: Vivian Virissimo

 

Extraído do portal de notícias Brasil de Fato / São Paulo – SP
https://www.brasildefato.com.br/2017/05/29/mae-beata-de-yemanja-deixa-importante-legado-religioso-e-social/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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