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Mãe de santo promete se acorrentar em frente ao Fórum de Londrina

Guilherme Batista – Redação Bonde | 30/09/2014 — 16h27

 

As mães de santo Cláudia Ikandayô e Bete Obaloby mantêm há dez anos o Centro de Umbanda Cachoeirinha de Xangô na rua Humberto Piccinin, na vila Guarujá (área central de Londrina). Os cultos religiosos são realizados às 20h das quartas e sextas-feiras no local e, há quatro anos, vêm enfrentando resistência por parte de uma vizinha. Cláudia Ikandayô vê “intolerância religiosa” nas reclamações da mulher, que foi à Justiça.
“As celebrações são interrompidas frequentemente pela presença da polícia, que é acionada pela vizinha sempre quando nós iniciamos os trabalhos espirituais. Ela reclama do barulho dos nossos tambores, mas releva as atividades dos outros vizinhos, que, em alguns casos, também vão até tarde da noite”, argumentou a iyalorixá em entrevista ao Bonde nesta terça-feira (30).

Cláudia garantiu que a reclamação é isolada. “Temos o apoio de toda a comunidade. Tanto é que estamos no local há dez anos”, observou.

A vizinha já entrou com ações por perturbação de sossego contra o centro de umbanda. Uma audiência do processo criminal será realizada no início da tarde da sexta-feira (3) no Fórum de Londrina. Os integrantes do espaço religioso prometem fazer um protesto em frente ao fórum às 11h, horas antes do início da audiência. Cláudia Ikandayô vai se acorrentar durante a manifestação para “chamar a atenção das autoridades”. “Vamos levar placas e faixas e estaremos todos de branco. A manifestação será pacífica, mas queremos respostas sobre quando vamos ficar livres da intolerância e do preconceito”, destacou.

De acordo com mãe de santo, a liberdade religiosa de todo e qualquer cidadão brasileiro é protegida pela Constituição Federal. “Não mentimos, não roubamos… Apenas nos manifestamos religiosamente. Qual é o crime cometido?”, indagou.

Cláudia Ikandayô também lembrou do assassinato da mãe de santo Vilma Santos de Oliveira, mais conhecida como Yá Mukumby, registrada em Londrina no dia 4 de agosto do ano passado. Vilma, a filha e a neta foram assassinadas a facadas pelo maquiador Diego Ramos Quirino. Na época, o Ministério Público (MP) apontou que a chacina pode ter sido motivada justamente por intolerância religiosa.

“Calaram a voz de Yá Mukumby, mas não vão conseguir calar os nossos tambores”, ressaltou Cláudia.

O ato contra a intolerância religiosa supostamente sofrida pelo Centro de Umbanda Cachoeirinha de Xangô está sendo divulgado no Facebook. A página do evento contava com 90 pessoas confirmadas até as 16h30 desta terça-feira.

 

Extraído do site Bonde News

http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-3–1232-20140930

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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