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MÃE MENININHA

Maria Escolástica da Conceição Nazaré, ou simplesmente Mãe Menininha, foi uma das mais conhecidas sacerdotisas do candomblé…

 

CRISTIAN SIQUEIRA

Publicado 13/03/2017 07:00:00

 

Maria Escolástica da Conceição Nazaré, ou simplesmente Mãe Menininha, foi uma das mais conhecidas sacerdotisas do candomblé até hoje.

Poucos sabem, mas ela não foi a fundadora do Ilê do Gantois em Salvador; em verdade, seguindo a tradição familiar, ela foi uma herdeira do Ilê e teve consciência de sua futura responsabilidade desde muito cedo, já que as crianças que seriam futuras sucessoras do trono eram ensinadas e preparadas para isso desde tenra idade.

Quando criança, Menininha (apelido que recebeu nessa fase da vida) brincava “de Orixá”: pegava legumes (como batatas, chuchu, cenoura), colocava palitos, galhos, botões, penas, pingentes etc., fazendo de cada um a representação de uma divindade africana, para depois brincar com eles como se boneca fossem e contar seus mitos para seus colegas.

Em 1922, ao assumir o maior posto religioso do Ilê Gantois, Menininha revelou ser uma excelente política; a partir da década de 1930, a perseguição ao candomblé arrefeceu; uma Lei de Jogos e Costumes condicionava a realização de rituais a autorização policial, além de limitar o horário de término dos cultos às 22 horas.

Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras do término das restrições e proibições. “Isso é uma tradição ancestral, doutor”, ponderava a iyalorixá diante do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes. “Venha dar uma olhadinha o senhor também”.

Mãe Menininha abriu as portas do Gantois aos brancos e católicos – uma abertura que, em muitos terreiros, ainda é vista com certo estranhamento; a Lei de Jogos e Costumes foi extinta em meados dos anos 1970.

“Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas”, analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia.

Curiosamente, Mãe Menininha nunca deixou de assistir a missa e, inclusive, foi chamada de católica pelas autoridades eclesiásticas na ocasião de seu desencarne.

Acometida por erisipela, Menininha passou anos de sua vida comandando tudo que lhe dizia respeito deitada em sua cama em sua residência no Ilê do Gantois, até que em 1986, de causas naturais, desprendeu-se da terra para tornar-se uma estrela no céu.

Seus filhos são ainda hoje memoriais vivos de sua sabedoria e amor, características inquestionáveis de sua mãe Oxum. E, ainda hoje, ao som de Caymmi, é possível sentir em notas musicais o afeto que os seus recebiam na fonte, “… ai, minha mãe, minha mãe Menininha, ai, minha mãe Menininha do Gantois…”.

Oraieiê!

 

Extraído do site de notícias Circuito Mato Grosso / Cuiabá – MT
http://circuitomt.com.br/editorias/artigos/104694-mae-menininha-.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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