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Mangueira bota fé em carnaval tradicional para buscar bicampeonato no Rio

Enredo que fala de santos e orixás trata da religiosidade do brasileiro. Leandro Vieira prepara desfile sem ostentação, mas de fácil entendimento e identificação.

 

 

Por Alba Valéria Mendonça, G1 Rio

02/02/2017 13h12  Atualizado 02/02/2017 13h12

 

Cabeça de um das fantasias da Mangueira, em enredo que fala sobre devoção plural do brasileiro com santos e orixás. (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Ele se diz um homem de fé, embora não professe nenhuma religião. Mas nem por isso, o carnavalesco Leandro Vieira, da Estação Primeira de Mangueira, deixou de se apegar a santos e orixás para buscar o bicampeonato no carnaval de 2017. E é justamente como uma brincadeira que esse jeitinho bem brasileiro que acende uma vela para o santo e outra para o orixá, que ele decidiu levar adiante o enredo “Só com a ajuda do santo”.

“O enredo tem dois aspectos: um de agradecimento, por ver a Mangueira, uma escola com dificuldades financeiras, que há cinco anos não desfilava no Sábado das Campeãs e há 14 não ganhava um título. E outro de pedido de ajuda para manter o espírito dos componentes elevados e tentar o bicampeonato. O brasileiro é bem assim, um povo de uma religiosidade plural, que vai à missa, acende vela para santo, mas também joga flores no mar para Iemanjá, carrega patuás no bolso, pula fogueira. É essa mistura de fé, que pede ajuda, agradece e festeja com os santos”, explica o carnavalesco.

Fantasias confeccionadas com penas artificiais para fazer um carnaval de fácil entendimento e identificação com o público e os componentes (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

Com a experiência de quem ganhou seu primeiro título na estreia no Grupo Especial, em 2016, Leandro decidiu apostar no que deu certo. Ou seja, vai manter seu estilo de fazer carnaval, com um enredo de fácil entendimento para o público e de grande identificação principalmente para os componentes. Para isto, diz que está fazendo um trabalho bonito, com uma estética sem luxo, sem ostentação e sem tecnologia.

“Meu luxo é a própria Mangueira, uma escola de uma força e com personagens incríveis. Então resolvi propor esse enredo que é a cara da escola, ser mangueirense é quase uma religião. Mas não se trata de um enredo religioso e sim de uma manifestação artística do aspecto devocional que é um traço característico do Brasil, como nação, que é fruto dessa mistura de culturas e fé”, afirma Leandro.

Detalhe de lanternas que serão usadas em fantasias da Mangueira (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

E foi pensando em retratar todo esse sincretismo religioso, com muito respeito, que Leandro vai levar para a avenida santos populares e queridos como São Jorge, Santo Antônio e São João, e também orixás sempre reverenciados, como Xangô e Iemanjá, assim como as tradições, festas, comidas, romarias, danças dedicadas a todos eles.

O carnavalesco diz que não teve problemas algum para levar santos e orixás para a avenida, como aconteceu em 1989, quando a igreja proibiu a exibição do Cristo Redentor mendigo, de Joãosinho Trinta. Ao contrário, diz que o carnaval carioca vive um momento abençoado, inclusive já recebeu a visita de representantes da Arquidiocese do Rio, que gostaram do que viram no barracão.

Mais uma vez, Leandro promete apresentar uma Mangueira com visual renovado, moderno, inusitado. E para isso, trabalha com afinco como um operário em todas as fases da produção do carnaval. Religiosamente acorda cedo vai para o barracão onde lê, desenha, costumar, confecciona fantasia, ajuda a montar alegoria.

“Não tenho assistente, tomo conta de tudo no barracão. Gosto de trabalhar assim. Sou um artista plástico e gosto de fazer um carnaval tradicional, sem pirotecnia. E me deu muita alegria surpreender e vencer assim, com um carnaval tradicional. Vamos ver se vai dar bicampeonato”, diz o carnavalesco, que é fã de Renato Lage e Rosa Magalhães, botando fé em mais um bom desfile da Mangueira.

Trabalho no barracão da Mangueira segue em ritmo intenso, segundo o carnavalesco Leandro Vieira. (Foto: Alba Valéria Mendonça/ G1)

 

Extraído do Blog Carnaval 2017 do portal de notícias G1 / Rio de Janeiro – RJ
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/carnaval/2017/noticia/mangueira-bota-fe-em-carnaval-tradicional-para-buscar-bicampeonato-no-rio.ghtml

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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