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Marcha interreligiosa no Rio denuncia aumento da intolerância no Brasil

 

(Arquivo) Vista da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 18 de fevereiro de 2008 – AFP/Arquivos

AFP

17.09.17 – 16h25

Milhares de pessoas de todos os credos denunciaram neste domingo no Rio de Janeiro um clima crescente de intolerância religiosa no Brasil, que se manifestou nos últimos tempos em agressões contra adeptos de cultos de origem africana.

“Somos iguais perante a lei e perante os olhos do Criador”, podia-se ler em um cartaz colado em um dos caminhões de som que animaram ao longo da praia de Copacabana a 10ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa.

“Nosso país é laico, mas estamos voltando ao tempo da inquisição”, indigna-se o doté (sacerdote) Adriano, da rama Sogbô do Candomblé, rodeado por um grupo de homens e mulheres vestidos de branco.

Fiéis de Candomblé e Umbanda têm sido vítimas de agressões cometidas por traficantes das comunidades convertidos a alguma das igrejas neopentecostais que há décadas surgem no país.

Dois vídeos nos quais é possível ver os agressores obrigando religiosos a destruir imagens de seus terreiros tiveram grande repercussão nas redes sociais.

Esses casos aumentaram a preocupação sobre as tensões sociais e religiosas em uma cidade governada desde janeiro pelo prefeito Marcelo Crivella, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

O cardeal Orani João Tempesta, arcebispo católico do Rio, convidou as pessoas participar da marcha, assim como representantes judeus, muçulmanos, budistas, espíritas e de outras religiões.

Os autores das agressões “são minoritários” entre os protestantes e costumam agir “influenciados por alguma liderança local”, afirma Edson Garcés, fiel de 30 anos da Igreja Batista e morador da Baixada Fluminense.

Segundo o serviço de denúncia por telefone de abusos contra os direitos humanos, em 2016 foram assinalados 79 casos de intolerância religiosa no Rio, um aumento de 119% em relação a 2015.

Entre julho e a semana passada, houve 32 denúncias, segundo um relatório do semanário IstoÉ.

 

 

Extraído do site da Revista Isto É / São Paulo – SP
http://istoe.com.br/marcha-interreligiosa-no-rio-denuncia-aumento-da-intolerancia-no-brasil/

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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