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Maria Bethânia será homenageada pela Mangueira

 

Luis Fernando Lisboa | Rio de Janeiro | Qui, 09/07/2015 às 06:59

 

Bethânia ao lado do mestre-sala e porta bandeira da Mangueira
Bethânia ao lado do mestre-sala e porta bandeira da Mangueira Fernando Cavalcanti | Divulgação

 

 

Quando pisar no sambódromo da Marquês de Sapucaí em 2016, a bateria da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira vai vibrar na mesma frequência que o coração de um dos maiores ícones da música brasileira. A cantora Maria Bethânia foi  a escolhida como tema da tradicional escola carioca. O samba enredo Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá homenageia os 50 anos de carreira da eterna cria de Santo Amaro.

O carnavalesco Leandro Vieira é o responsável por materializar essa forte inspiração em desfile. Há dez trabalhando no Carnaval do Rio de Janeiro, ele não vê a tarefa como um desafio e, sim, como uma oportunidade.  Em entrevista exclusiva para  A TARDE na capital carioca, ele conta que Bethânia merece ser homenageada não apenas pelos 50 anos. Para ele, a cantora poderia ser enredo em todo Carnaval.

“Seja com 51, 52 ou 60 anos de carreira, ela merece essa reverência porque está mergulhada num forte conteúdo  de cultura popular brasileira. É a filha que reforça vocações do Brasil e que fala do  país com  propriedade”.

Responsável pelo enredo da Escola de Samba Caprichosos de Pilares em 2015, Leandro estreou na Sapucaí com o  tema Na Minha Mão é Mais Barato. O comércio informal do país foi retratado desde o Brasil colonial até os dias de hoje.

A boa repercussão desse desfile fez com que a Mangueira convidasse Leandro para assumir o Carnaval da escola em 2016. “Foi um enredo de resgate e autoestima. Acho que isso  sensibilizou a direção da Mangueira, que  também busca a retomada de histórias bem sucedidas”.

Estrela brasileira

Segundo Leandro, esse enredo já estava guardado na sua gaveta há cinco anos. Assim que foi convidado pela Mangueira, apresentou a proposta. Ela foi aceita imediatamente pela direção.  “Não dá para abordar tudo no enredo, mas acho que as pessoas vão ficar felizes com o trabalho. Pelo menos,  Bethânia está feliz. Desde o título do enredo até a abordagem plástica. Ela não retocou uma vírgula”, afirma.

Ele conta que as coisas estão caminhando na escola:  o projeto de figurinos das alas está finalizado e o projeto cenográfico das alegorias  foi iniciado.

A escolha do título Maria Bethânia: A Menina dos Olhos de Oyá tem relação direta com a religiosidade da artista.  “Durante as  pesquisas, encontrei um texto de Mãe Menininha onde ela dizia que Oyá era a menina dos olhos de Oxum. Isso é bonito”.

Dessa forma, Leandro decidiu  fazer  uma adaptação: como a Bethânia tem uma ligação muito forte com Oyá (também conhecida como Iansã), ele achou que ela representava a menina dos olhos da entidade. “Isso manifesta uma certa preferência dessa mãe. Ficou com uma pegada que vai ter o desfile”, antecipa.

Riqueza da Bahia

Leandro detalha que o público pode  esperar um Carnaval visualmente permeado pela questão estética baiana. Nessa perspectiva, estão envolvidos  o trabalho escultórico do Mestre Didi e a produção artística de Carybé.

“São referências imagéticas da Bahia que me possibilitam resultados bonitos. Além disso, vamos apresentar os compositores que Bethânia gravou, além de grandes espetáculos que ela fez nos seus 50 anos de trajetória”.
Marcos históricos da música brasileira estarão presentes,  como o show Rosa dos Ventos e a retomada que representou o espetáculo Brasileirinho. Outras apresentações também ganharão corpo, como A Cena Muda e a estreia no musical Opinião.

“Também estará presente no desfile muito da cultura festiva do Recôncavo baiano, como o samba-de-roda”, esclarece.  O carnavalesco acredita que tanto Maria Bethânia quanto a Mangueira representam um Brasil urgente, vivo, que nem sempre é valorizado, mas que é muito  necessário para o povo.  “É como se duas árvores nascessem juntas e num determinado momento as raízes se tocassem ali por baixo”.

 

 

Extraído do site do Jornal A Tarde / Salvador – BA
http://atarde.uol.com.br/cultura/noticias/1695276-maria-bethania-sera-homenageada-pela-mangueira-premium

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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