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MARICÁ LANÇA CAMPANHA DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

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(foto: Fernando Silva)

 

 

Posted By: Redação Maricá Infoon: 25 Janeiro, 2016In: Notícias de MaricáNo Comments

 

A Prefeitura e lideranças religiosas de Maricá reuniram-se na última sexta-feira (22/01), no Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), na Mumbuca, para lançar a campanha nacional de Combate à Intolerância Religiosa, cuja data adotada oficialmente é o dia 21 de janeiro, comemorada juntamente com o Dia Internacional da Religião. A data foi escolhida para lembrar a morte da Iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos – a Mãe Gilda – depois que sua casa, na Baixada Fluminense, foi invadida, seu marido agredido, e seu terreiro depredado por um grupo de fanáticos ligados a uma igreja evangélica neopetencostal. A mãe-de-santo teve sua foto estampada na capa do jornal publicado pela igreja, acompanhada da manchete: “Macumbeiros charlatães (sic) lesam o bolso e a vida dos clientes”. Mãe Gilda enfartou e morreu no dia 21 de janeiro de 1999, sendo a data escolhida como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

O encontro foi mediado pela produtora cultural Aduni Benton, diretora artítica da Cia “É tudo Cena”. Religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, e religiões cristãs como o Catolicismo e o Evangelismo, foram representados por diversos líderes de terreiros e templos do município. O encontro contou com a projeção do filme “Até Oxalá vai à Guerra”, de Carlos Pronzato e Stéfano Barbi Cinti, com produção de Marcos Rezende – coordenador nacional do Coletivo de Entidades Negras (CEN). O documentário aborda a demolição, por parte da Prefeitura, do terreiro de candomblé Oiyá Onipô Neto (Salvador, BA), como exemplo de racismo e intolerância religiosa em uma metrópole considerada a meca das religiões de matriz africana no Brasil.

Mãe Rosa, yalorixá do templo e proprietária do imóvel demolido possuía documentação regularizada, mas a legislação não foi respeitada. Lideranças religiosas e comunitárias locais recorreram ao Ministério Público e, através da Lei Federal 7.616 (Lei sobre a Intolerância Religiosa), a Prefeitura de Salvador foi considerada culpada e obrigada a reconstruir o templo, tendo o prefeito da cidade, à época, sido obrigado a desculpar-se publicamente perante a população. No documentário, mães-de-santo, líderes comunitários, capoeiristas e o poeta baiano Capinam, presidente da Associação de Amigos das Religiões Afro (Amafro), dão depoimentos justificando as agressões sofridas pelas religiões de matriz africana como exemplo do racismo que o negro e o pobre sofrem no Brasil, desde a época colonial.

“O que a sociedade burguesa pretende, como em diversas outras épocas de nossa história, é realizar uma faxina étnica, excluindo o pobre e o negro para que se tornem invisíveis, esquecendo que o braço negro escravo foi quem construiu o país. O local do templo que foi destruído está em uma região de grande especulação imobiliária, o que, somado ao racismo e à intolerância religiosa, fizeram a Prefeitura demolir o imóvel. O agravo à cultura imaterial do sagrado, este, porém, não tem resgate”, afirma Capinam.

Após a exibição do filme, foi dada a palavra às lideranças religiosas e representantes do governo municipal. Na ocasião, foi lançada oficialmente a ‘fita marrom’, criação do designer Marcelo Chelles, Egbomi de Logun-Edê do Ilê Axé IYá Orumeci, divulgado pela internet como símbolo mundial de adesão à luta contra a intolerância religiosa. Foi lido um manifesto pela yalorixá Rosinha de Oxum, e um poema pela yalorixá Cecília Lira, sobre a paz, o amor e a inter religiosidade.

O secretário municipal adjunto de Direitos Humanos e Participação Popular, Mauro Alemão, representou o prefeito Washington Quaquá. “Embora o Brasil seja um país essencialmente mestiço, até hoje vivemos um racismo velado. É preciso que esse preconceito seja desmascarado para que haja mais tolerância com a fé e a crença do outro. Felizmente em Maricá, temos um governo progressista, que defende a diversidade e o direito universal entre os homens”, avalia.

O coordenador municipal de Políticas LGBT, Carlos Alves, lembrou a violência contra os homossexuais no Brasil, a luta pelo respeito à diversidade sexual e a necessidade da convivência pacífica. Carlos lembrou que foi preso no Congresso ao defender ideias progressistas e a igualdade de direitos. “É preciso que o povo deixe de eleger esse tipo de político, para que o Brasil avance mais democraticamente e passe a ter vez e voz na comunidade das nações”, disse.

A assessora estadual do Cedine, Márcia Passos, lembrou que o preconceito é resultado da falta de conhecimento da realidade e das leis. “Muitos não sabem, mas, quando a Lei Áurea foi promulgada, existiam apenas 5% de escravos no seio da população brasileira. A maioria estava alforriada ou era formada por criados de pago, grande parte domésticos urbanos, oriundos das propriedades rurais”, disse. Para o assessor da Secretaria municipal adjunta de Assuntos Religiosos, Sandro Lima, “infelizmente existe o fanatismo em todas as religiões, mas os verdadeiros evangélicos são contra a violência e propagam o amor de Cristo entre os homens, independente de cor, credo ou classe social”.

Já o coordenador do Centro de Tradições AfroBrasileiras (Cetrab), André Carcará, defendeu a regulamentação da Lei 10.609, de ensino da história africana e religiões afro no Brasil. O presidente do Conselho Municipal de Diversidade Racial, Joel Rocha, lembrou da Conferência Municipal de Direitos Humanos em Maricá, que acontecerá dia (27/02). Presidente do Grupo de Capoeira Filhos da Lua, Mestre Dico luta há mais de 40 anos para preservar a cultura afro em Maricá. Com seus alunos, apresentou inúmeros de capoeira, maculelê, convidando os presentes a participarem de um samba de roda, que encerrou o evento.

 

Extraído do portal de notícias Marica.info / Maricá – RJ
http://maricainfo.com/2016/01/25/marica-lanca-campanha-de-combate-a-intolerancia-religiosa.html

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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