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Menina apedrejada após culto de candomblé aprova redação do Enem

‘Esse tema ainda é muito pouco debatido nas escolas’, diz Kayllane Campos

 

POR EDUARDO VANINI

07/11/2016 4:30 / atualizado 07/11/2016 10:13

Kayllane Campos espera que debate faça com que preconceituosos reflitam sobre a intolerância religiosa - ANTONIO SCORZA / Agência O Globo
Kayllane Campos espera que debate faça com que preconceituosos reflitam sobre a intolerância religiosa – ANTONIO SCORZA / Agência O Globo

 

RIO — Os milhões de estudantes que prestaram neste domingo o segundo e último dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram convidados a refletir em suas redações sobre “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Considerado sensível e atual, o tema foi elogiado por professores, religiosos e pelos próprios participantes do concurso. O tema da redação reacende histórias como a de Kayllane Campos, menina que levou uma pedrada após sair de uma festa de candomblé no ano passado vestindo a indumentária de sua religião, na Vila da Penha.

Na época, Kayllane tinha 11 anos e, até quando foi ao Instituto Médico Legal (IML) prestar exame de corpo de delito sobre o caso, ouviu insultos na rua, como “vai queimar no inferno” e “macumbeira”. Agora, ela espera que o assunto ganhe mais atenção em entre os jovens.

— Esse tema ainda é muito pouco debatido nas escolas. Na minha, por exemplo, nunca tocam no assunto — conta Kayllane, hoje com 13 anos. — Isso é muito bom para provocar uma reflexão entre aqueles que praticam o preconceito desde cedo sem ao menos conhecer as religiões.

Avó da garota, Kátia Marinho, que acompanhou todo o processo e fez campanhas contra a intolerância religiosa nas redes sociais, também enxergou a redação do Enem como uma oportunidade.

— Será um termômetro sobre o que os jovens pensam sobre o assunto — prevê ela. — Esperamos que os candidatos expressem ali o que representa ser intolerante num país que é laico e como isso pode prejudicar o amanhã. É muito importante que essa questão seja levantada justamente num momento em que todos estão pensando no futuro. Até quem não é ligado a uma religião, precisará refletir sobre isso.

 

LÍDERES RELIGIOSOS ELOGIAM

O tema também foi celebrado entre líderes religiosos. Para o babalaô Ivanir dos Santos, que é porta-voz da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o tema significa um “grande passo para sociedade brasileira”.

— Precisamos buscar caminhos de respeito à diversidade, assim como o fortalecimento da democracia. Afinal, estamos preocupados sobre como a intolerância tem crescido e cerceado os direitos de integrantes de religiões de matriz africana e não-hegemônicas — comentou ele, enfatizando que a redação fará com que milhões de jovens reflitam sobre o assunto.

Lusmarina Campos Garcia, pastora da Igreja Luterana que integra a diretoria do Conselho das Igrejas Cristãs do Estado do Rio, também elogiou a escolha.

— Há um investimento de algumas instituições em difundir a intolerância, seja no campo religioso ou em esferas como a sexualidade humana e a política. Então, cabe às organizações trabalharem numa perspectiva diferenciada para combater isso — avaliou ela. — E a juventude é um campo fértil, com muita energia para acolher esse ideal e transformar realidades.

O pastor da Igreja Batista Betânia Neil Barreto também elogiou a escolha

— Não há como construir uma sociedade sem tolerância, e este tema está muito em voga. Fico muito feliz que os jovens que estão fazendo o Enem sejam levados a pensar sobre isso — avaliou ele.

 

Extraído da versão digital do Jornal O Globo / Rio de Janeiro – RJ
http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/enem-e-vestibular/menina-apedrejada-apos-culto-de-candomble-aprova-redacao-do-enem-20422208#ixzz4PTsciM9t

About The Author

Sérgio Carvalho se iniciou na Umbanda, pelo Babalorixá Arnaldo de Omulu (in memorian), na T.E.Nanã Buruquê, realizando sua camarinha em dezembro de 1995. Em 2001, se iniciou no Candomblé pelas mãos do Babalorixá Jô d´Osogiyan, no Asé Omin Oiyn Ilè, sendo neto de Iyá Nitinha d´Osun (in memorian), do Asé Engenho Velho - Miguel Couto - RJ. Militante em prol da defesa da religião afro-brasileira, ingressou nas fileiras do extinto IPELCY (Instituto de Pesquisas e Estudo da Língua e Cultura Yorubá), dirigido por Jairo d´Osogiyan. Exerce o cargo de Diretor de Cultura e Comunicação da ANMA - Associação Nacional de Mídia Afro. É proprietário da agência Marfim Assessoria & Eventos. Faz parte da equipe de duas das maiores premiações do jornalismo brasileiro, o Embratel e o Petrobras. É editor responsável pelo jornal web Awùre – http://www.awure.jor.br – veículo que aglutina os momentos mais importantes da cultura e religiosidade afro-brasileira.

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